Lápis L-Azuli


Maria Dulce Fernandes,

A-Divina-Comedia.jpg

Hoje lemos: Dante Alighieri, “A Divina Comédia”.

Passagem a L-Azular: “A fé é a substância de coisas esperadas e o argumento das que não aparecem; e isso parece-me ser a essência da fé.”

É a fé que nos salva do que já esperamos e a desculpa do que esperamos sempre em vão? Eu tenho fé. Acredito em Deus. Espero e anseio por dias melhores, mas não arranjo desculpas para os contratempos, as tragédias ou as desgraças. A culpa tem sempre mão humana. A fé pode dar força para superar crises, como as com que a natureza debocha da fragilidade do homem, mas as outras crises chegam-nos pela mão dos cuidadores, daqueles que nomeámos para nos atender e cuidar. Desses não esperar coisa alguma é toda a essência da fé.

(Imagem Google)

24 comentários em “Lápis L-Azuli”

  1. estamos na descida aos infernos ou catábase de Virgílio

    Nel mezzo del cammin di nostra vita
    mi ritrovai per una selva oscura
    ché la diritta via era smarrita.

    Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
    esta selva selvaggia e aspra e forte
    che nel pensier rinova la paura!

  2. a Fé é uma coisa , as crenças são outra . a Fé não se agarra a nada humano pelo caminho da busca de Deus , espreita as tabernas , petisca qualquer coisa , e segue caminho , não se amarra ; a crença para no primeiro tasco que encontra e fica por lá a dizer que não há melhor que aquela mesmo sem conhecer nenhuma outra e segue à risca as ordens do “patrão”.

    1. ” Deus assim quis”, ” Como Deus quer”, etc., não são desculpa para nada. Não são atributo da fé nem qualidade da crendice.
      São apenas justificações “plausíveis” para os maiores horrores praticados por homens contra a própria humanidade e os demais seres vivos.

  3. e quanto a não esperar nada de governantes deve estar já gravado na sua memória genética , sempre foi assim , tanto faz democracia como outra coisa qualquer. democracia é pior porque nos engana :” governo do povo , pelo povo , para o povo ” , omg , só rir.

    1. Sabe Marina, dou comigo a pensar que tenho memória selectiva. O meu inconsciente só me apresenta as melhores lembranças , e são todas muito pré-democráticas ( ui ui, tragam a cruz!). Dos governantes nunca tive nada de bom a dizer desde que me inscrevi e militei num partido que afinal parece que deu em transgénero…

  4. Nuno Lobo Antunes escreveu:
    – José não compreende Deus, que põe e dispõe dos homens, que nega o livre arbítrio e que envia um filho à terra e o deixa morrer na cruz como um ladrão.

  5. Por acaso até somos um povo com bastante Fé. Queremos que as coisas se façam por obra e graça do Espírito Santo e passamos a vida à espera dum Milagre.
    Se não fosse o Divino não sei o que seria de nós.

    1. Curiosamente não tenho ideia de o Espírito Santo ter ganho eleições ou ser primeiro ministro. Nem o Divino, nem o Ladino. O único que operou um milagre foi o ilusionista que meteu tudo ao bolso sem ninguém ver e fez de todos parvos. Mas a esse nem se lhe toca. Aos Boys nem com uma flor, caramba!

          1. O Mafarrico tem de fazer é a dieta da fé.
            Comer de tudo e no fim esperar um milagre.

          2. Pois claro!
            Já o outro cantava assim:
            “Eles comem tudo, eles comem tudo
            Eles comem tudo e não deixam nada
            Eles comem tudo, eles comem tudo
            Eles comem tudo e não deixam nada”
            Não era bem sobre o Mafarrico, mas sobre os primos. Mas fica tudo em família como na Cosa Nostra.

          3. Que o poema tenha carne
            Ossos vísceras destino
            Que seja pedra e alarme
            Ou mãos sujas de menino

            Que venha corpo e amante
            E de amante seja irmão
            Que seja urgente e instante
            Como um instante de pão

            Só assim será poema
            Só assim terá razão
            Só assim te vale a pena
            Passá-lo de mão em mão

            Que seja rua ou ternura
            Tempestade ou manhã clara
            Seja arado e aventura
            Fábrica terra e seara
            Que traga rugas e vinho
            Berços máquinas luar
            Que faça um barco de pinho
            E deite as armas ao mar

            Só assim será poema
            Só assim terá razão
            Só assim te vale a pena
            Passá-lo de mão em mão

          4. Nunca fui fã do Letria, cá por coisas minhas, mas gosto muito da letra desta canção. No fundo não iliba mafarricos ou vampiros de nos sugerem até à medula, mas não deixa de ser bonita, e a ideia de lutar sem armas, porque concordo piamente com máxima de Bulwer-Lytton, é cada vez mais importante e actual.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *