Mesmo depois de deixar a presidência do PSD, Manuela Ferreira Leite continua a fazer estragos. O novo líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, tem à partida a missão mais dificultada do que devia porque a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso decidiu vetar a sua participação nas listas eleitorais do partido, numa das mais arrogantes manifestações de sectarismo de que há memória num líder social-democrata. Por vontade expressa de Ferreira Leite – secundada pela direcção cessante, onde se incluía Aguiar-Branco, e com o apoio entusiástico da blogosfera de “direita” que durante meses chispou ódio contra o ex-líder da JSD – Passos é hoje um líder sem assento no grupo parlamentar, o que facilita a vida a José Sócrates. E o mesmo sucede com alguns dos seus homens de confiança, a começar por Miguel Relvas. É bom que este facto seja assinalado no momento em que se vira uma página relevante na vida do partido que Francisco Sá Carneiro fundou em 1974.
ADENDA às 0.40 – Na declaração de derrota, a primeira da noite, Aguiar-Branco fez votos para que “não voltemos a ter excluídos e marginalizados no partido”. Uma autocrítica que me pareceu sincera.

Um mini-25 de Abril no PSD. Esperemos que o adeus à asfixia democrática se verifique e que o país volte a beneficiar de uma oposição digna desse nome (até porque muito provavelmente o próximo governo será laranja).
Pedro Passos Coelho, vai ter a arte e o engenho de tornar fraquezas forças, a questão da bancada parlamentar é disso prova.Vamos ver quem vai escolher e quem vai aceitar.Penso que vai tirar um “coelho” da cartola.Eu aposto no convite a Aguiar Branco.
Aguiar-Branco deixou bem claro que não pretende continuar como líder parlamentar. Depois de uma recusa tão categórica não me parece que tenha margem de recuo.
E falou dos call-centers, das claques, mostrando um sorriso genuíno. Via-se que era um homem feliz com a derrota do traidor Rangel.
Espero agora que se faça politica séria com o PPC , desculpem PPD /PSD.
Sim, sim. Embora não me pareça que ele seja a pessoa certa para falar em exclusão e marginalização. Ou melhor: está certo, se ele se refere ao outro lado do problema. Nesse caso, se estiver arrependido, só lhe fica bem, porque reconhece uma nova vida.
Essa nova vida pode estar aí, por três motivos ontem reunidos: uma participação de eleitores invulgar; uma vitória superior à soma dos restantes candidatos; uma liderança eleita por mais (bem mais) do que 50 por cento dos votos expressos.
Não resta qualquer dúvida de que foram criadas as condições principais para uma nova vida do partido. Veremos se o PSD consegue, mas o ponto de viragem e de partida para isso foi amplamente alcançado.
Sem dúvida Pedro Passos Coelho alcançou um resultado que se pode considerar folgado. Não é isso o mais importante. O importante é o que irão fazer os restantes cerca de 39%.
Juras de lealdade e unidade são um dejá vu em cada comentário pós eleitoral. Não creio que seja o hábito daqui a algumas semanas. PPC há dois anos que fazia uma campanha de intriga, pérfida até, de ataque constante à direcção eleita. PPC foi tudo menos leal à anterior direcção e isso não terá sido para proporcionar o debate dentro do partido, antes, sempre me pareceu desleal e insidioso. Penso que não terá digerido bem ter sido afastado dos holofotes e a sua imagem, o “mudar” que defende tem a consistência de uma gelatina. A sua maneira de estar não tem grandes diferenças em relação a Sócrates. Basta lembrar o fim do congresso laranja e os comentários que fez sobre a tão afamada “lei da rolha”. Por acaso, será que lhe podem perguntar a intenção do seu voto. Quando somos tão contra como ele se mostrou o voto só poderia ter sido um… pois não foi.
A vitória de PPC foi a vitória do manejo que se trama com astúcia e cautela. Ele não é Vasco da Gama e os anticorpos que criou não vão mudar uma vírgula ao que tem sido o PSD.
Acho espantoso o seu comentário. Em primeiro lugar por considerar “mais importante” a percentagem de 39% dos que não votaram em Pedro Passos Coelho do que os 61% que votaram nele. É a inversão do mais basilar princípio democrático, mas não me surpreende num partido que ainda há dois dias tinha como líder alguém que defendeu a “suspensão” da democracia por um período de seis meses como condição indispensável para realizar reformas.
Depois garante que PPC “há dois anos que fazia uma campanha de intriga, pérfida até, de ataque constante à direcção eleita”. Tenho pena que não concretize: a que “campanha de intriga” se refere? Acha normal que se isso fosse verdade os militantes do PSD, na campanha interna mais participada de sempre, tivessem sufragado tanta perfídia?
Fala em lealdade e deslealdade, novamente sem concretizar. Quer maior prova de falta de lisura democrática do que a líder cessante não telefonar ao novo líder a dar-lhe os parabéns pela vitória alcançada?
“A vitória de PPC foi a vitória do manejo que se trama com astúcia e cautela”, diz você. Lamento que tenha tão mau perder. A última pessoa que eu tinha visto até hoje com tão mau perder fez uma série de ‘posts’ no seu blogue virando o símbolo do partido com as setas para baixo.
Nunca um líder do PSD foi eleito por maioria tão expressiva em eleições directas. Passaram poucas horas e já está a desacreditar os militantes que o elegeram.
Espero que receba ao menos um cartãozinho de José Sócrates a agradecer-lhe…