Quando o inaceitável se torna inevitável
Manuela Ferreira Leite despede-se hoje do PSD com uma frase que fica para a pequena história política dos últimos anos: com ela, o inaceitável tornou-se inevitável. E com outra, aliás complemento da primeira, comunicada na reunião de ontem do seu grupo parlamentar: “Ainda sou presidente do partido e defendo a abstenção.” A abstenção, destinada a viabilizar o “inaceitável”, coroa este triste mandato de Ferreira Leite à frente do ainda maior partido da oposição. A ex-ministra de Cavaco Silva abandona a liderança deixando o partido mais fraco, mais fragmentado, mais dependente da estratégia pessoal do Presidente da República e como avalista do Governo numa altura em que José Sócrates começa a ser criticado por algumas das vozes mais influentes do PS.
O PSD viveu ontem um dia de insólita “claustrofobia democrática”, com a líder cessante a fazer sobrepor a sua vontade à da maioria da Comissão Política Nacional, à da maioria dos vice-presidentes do partido e à da maioria dos deputados sociais-democratas, que pretendiam votar contra a resolução socialista sobre o PEC – verdadeira moção de confiança que Sócrates viu ontem aprovada no plenário da Assembleia da República sem necessitar sequer de lá pôr os pés. Pior: Ferreira Leite sobrepôs a sua vontade à dos dois candidatos mais destacados à presidência do partido, um dos quais terá, a partir de hoje, de assumir as consequências de uma votação parlamentar que não defendeu nem desejou. Tenho visto raros presentes envenenados como este na política portuguesa. Não admira, por isso, que mesmo entre aqueles que a foram elogiando ao longo destes penosos 22 meses de mandato se detecte um sentimento generalizado de frustração. Pior do que a notória fragilidade política em que a antiga ministra mergulhou o PSD, completando o que outros já haviam feito neste domínio, foi tê-lo deixado ainda mais frágil no campo dos princípios. Francisco Sá Carneiro, que viveu crises mais graves do que a actual, seria incapaz de proclamar que o inaceitável se torna inevitável – e agir em conformidade com esta lamentável declaração.
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Obrigado, Maria João.
Frustração é a palavra correcta para definir o “reinado” da senhora.Adeus!
Auf wiedersehen, como diria Paulo Rangel, o único candidato à liderança do PSD que se gaba de ler jornais alemães.
Não é com esta nova direcção, que o PSD vai longe, o ENG. Sócrates bate-os aos pontos em argumentos e obra feita. O PSD já teve dias melhores e o poço da incerteza aumenta de profundidade a cada dia que passa.
É estranho autodenominar-se “português”! Os mentirosos aprendem depressa quando têm “bons” mestres! Esta é a prova que responde ao dito popular: “quanto mais me bates, mais gosto de ti”.
Um português só pode desejar que venha alguém capaz de construir uma sociedade melhor, para que Portugal deixe de ser o país do faz-de-conta!
A Senhora até parece envergonhada.
Tenho 60 anos e recordo que nunca o PSD se viu tão à deriva em termos de liderança como agora.
Só perde a democracia e nós todos, claro.
Escondem a sua incompetência entrando pela baixa política e por essa via o PSD não melhorou e nem melhorará se prosseguir nela.
Fernando Douradinha
Sr.Fernando Douradinha,na questão de idades,eu tenho 62,e tambem como o Sr.,tenho desde o 25 de Abril,seguido a evolução da nossa democracia,e da politica que se tem praticado na assembleia da República,com ataques sem fundamento,baseados em suspeições que até agora nunca foram provadas.De facto o PSD tem andado à deriva sem arranjar um lider credível,e,com esta maneira de fazer politica o povo português não antevê nada de bom.Com os melhores cumprimentos.
Bem sei que a minha memória política ainda é muito curta… mas esta senhora na minha memória consta como autora de uma das piores lideranças partidárias de sempre…
Sara: tenho um pouco mais de memória que tu e a minha sensação é igual à tua: MFL protagonizou uma das piores lideranças de sempre, no PSD ou em qualquer outro partido.