
João André: «Eu até já nem me espanto com a falta de vergonha deste governo. Isto é aquilo a que uma amiga chama de vender merda em papel de embrulho. Só me pergunto é se os jornalistas portugueses estão assim tão abovinados que já nem se lembram de fazer as perguntas pertinentes no momento em que vêem a porcaria tão mal embrulhada.»
João Campos: «João Vale de Almeida, embaixador da União Europeia nos Estados Unidos, no “i” de hoje: “Durão Barroso é o nosso Ronaldo da política internacional”.»
Patrícia Reis: «Martha Gellhorn suicidou-se aos 89 anos. Foi a única mulher que pediu o divórcio a Hemingway, a única que fez a vida que quis, deixando cinco anos de casamento para trás (de 1940 a 1945) e fazendo uma vida de correspondente de guerra durante 60 anos. Depois de um diganóstico de cancro e de estar quase cega, suicidou-se em 1998. Dizia ela que nada se comparava ao horror da guerra civil espanhol ou a Dachau, depois disso escreveu sobre muitos outros cenários de guerra. Sobre o amor, disse que o aborrecimento/tédio/rotina é o maior inimigo de todos.»
Teresa Ribeiro: «O desabafo de Pedro Lomba: “Surpreendeu-me os ministérios funcionarem como minigovernos” revela que aquilo a que assistimos todos os dias na praça pública entre os partidos se perpetua no recato dos gabinetes do governo. Não há uma ideia de país que inspire os decisores a abandonar o espírito de trincheira, que é talvez a nossa maior força de bloqueio. Com gente assim, teremos sempre um futuro pequenino.»
Eu: «Nesta fase, procuro livros um pouco por toda a casa. E a verdade é que os tenho encontrado nos mais diversos recantos: onze num armário da cozinha, 21 num velho divã, 16 numa gaveta, 49 no fundo de um guarda-fatos. Ali a Cartuxa de Parma; acolá, Orgulho e Preconceito; adiante, Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século (um livro que tanto procurei); na tal gaveta, entre outros, a Autobiografia de Norberto Bobbio e a História dos Estados Unidos desde 1865. E, claro, lá vêm à tona títulos tão diversos como Responsabilidade e Juízo, de Hannah Arendt, A Expansão Quatrocentista Portuguesa, de Vitorino Magalhães Godinho, e a Pena Capital, de Mário Cesariny.»
