DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «De nenhum livro poderei dizer com tanta propriedade que é o que “estou a ler” como de um livro de poesia. Porque um bom livro de poesia nunca está definitivamente lido, volto a ele muitas vezes e descubro-lhe sempre novas leituras, novas nuances que dependem mais do meu estado de espírito e do meu olhar do momento do que daqueles que presidiram à sua escrita original. Neste sentido, mais do que qualquer outro género literário, a poesia pode equiparar-se à pintura abstracta ou à música, tem o mesmo efeito de interacção cúmplice que estas exercem em quem se deixa envolver por elas. São artes caleidoscópicas, que requerem interpretação e retorno alheios para estarem verdadeiramente completas.»

 

Teresa Ribeiro: «A ambição não é uma qualidade, é uma ambiguidade.»

 

Eu: «Savater confessa gostar de obras e de autores que levaram muita gente a amar o mundos dos livros à revelia dos cânones instituídos pelos putativos gurus do bom gosto. E refiro isto para vos confessar que fui reunindo aos poucos um subgénero na minha biblioteca: o dos livros que falam sobre livros. É um pequeno mundo que não cessa de me fascinar. Agora, que os agrupei, verifico que são mais do que imaginava.»

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