Pensamento da semana


Pedro Correia,

Vivemos empurrados pela pressa, pela necessidade de «acelerar o passo», de «encurtar prazos», de «intensificar o ritmo». Há quem chame progresso a isto – em oposição absoluta às ditas trevas medievais. 

Nesse suposto tempo de trevas, as magnificentes catedrais de Chartres (1230), Reims (1345), Paris (1345) e Estrasburgo (1439) levaram 36, 134, 182 e 263 anos a ser construídas, respectivamente.

Nesta nossa era, iluminada por potentíssimos holofotes, a Torre Trump, em Nova Iorque, foi desenhada e construída em apenas dois anos, entre 1981 e 1983. 

As primeiras, edificadas em louvor de Deus, são marcos de uma civilização. Da torre, erguida para glória espúria de um indivíduo, não rezará a História.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

48 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Corremos para quê mesmo? Esta é a pergunta que tantas vezes me faço… tanta pressão para fazer mais e mais rápido, para chegar a casa, para fazer jantar, para dormir… e quando páras finalmente descobres que nada viste, nada viveste, não acompanhaste o crescimento da tua filha e os teus “amigos” não são o que esperas. Muita calma, isso sim é o que temos de ter.

  2. Afinal é de dar a Trump o que é de Trump e a Deus o que é de Deus.
    O primeiro fica satisfeito, tudo bem.
    O Segundo não sabemos ao certo. O terramoto em Lisboa de 1755 terá sido porque a Sé Catedral (sec. XII) não agradou?.

    1. O primeiro precisa é de um bom advogado, com estes apertos judiciais em que está metido até às orelhas. O anterior, Giuliani, enterrou-o ainda mais em vez de o defender.
      Da torre que tem o nome dele não rezará a História.

  3. Em Portugal é parecido, não que as nossas obras sejam catedrais mas o custo das nossas obras são sem dúvida monumentais.
    Só para o estudo da localização do novo aeroporto já vão mais de cinquenta anos e setenta milhões de euros. Quando um dia estiver pronto será de certeza uma obra monumental.

  4. Por que motivo são mencionadas neste post as quatro catedrais francesas, e não as catedrais de outros países? Por exemplo as espanholas (Burgos), italianas (Milão) ou alemãs (Colónia)?

    1. Estando eu em França, é natural que mencione catedrais francesas.
      Quando estiver em Itália, mencionarei as italianas.
      As “catedrais” espanholas são aqui mencionadas com frequência, às sextas-feiras.

      1. Realmente as “catedrais” espanholas aqui mencionadas também já têm uns anitos de construção, lá isso é verdade.

          1. O homem também escolheu mal, quem é que o mandou beijar uma lésbica, agora aguente-se.

          2. “Só escrevo sobre aquilo que sei e que conheço.”
            Não sei não, já não se pode escrever sobre; gordos, marrecos,coxos, ciganos, pretos, mariconsos, anões, manetas e outros gentilicos humanos.
            Qualquer dia nem em braille se pode escrever, é só haver um maluco a dizer que aqueles pontinhos penetram na folha de forma muito violenta.

          3. É por estas e por outras que eu chego à conclusão que fui muito mal educado.
            Quem diria que os meus traumas de infância foram causados pelos filmes da Disney.
            Será que posso pedir indemnização?

          4. Carlos Sousa, as “gajas” que recusem e resistem aos avanços, e depois se queixam quando violadas, são lésbicas? Querem lá ver que a Ucrânia também é lésbica?!… Está tudo explicado, só pode!…

  5. Existe cura para os apressados e que tanto querem sossego.
    No penúltimo Sábado em Vila Viçosa ( 37º C). Era um silêncio absoluto. Às 14 horas não se via vivalma nas ruas. D.João IV deu-lhe visibilidade.Terra bonita.
    Muitas casas à venda e talvez com preços não especulativos.

  6. Se passar por Estrasburgo, aconselho a ida ao museu da obra da catedral. Guarda muita da estatuária exterior original (o grés rosa é muito bonito, mas frágil) e, creio, fac similes das plantas e dos desenhos da fachada da catedral. São de uma perfeição e precisão incríveis.
    Aqui há uns meses cruzei-me lá com uma profissional do ressentimento (ou seja, uma muito bem remunerada activista dos direitos humanos) que dizia que sempre passava pela Catedral se indignava por ser preciso acreditar em Deus e ter uma religião para construir uma coisa daquelas. A raiva na voz era palpável. A inveja, até.

    Retorqui-lhe que só acreditando em Deus, mesmo… e que podíamos retomar a conversa no dia em que a cultura pós moderna que ela tanto defende crie qualquer coisa de remotamente comparável, até agora não ofereceu nada de convincente. Sou óptima a fazer amigos…

    1. Estou numa zona muito diferente, quase oposta. Mas conheço bem Estrasburgo, Marta.
      Fiquei fascinado pela cidade – pelo património, pela paisagem, pela gastronomia.
      Só achei feio o Parlamento Europeu, que lá tem uma das suas sedes – a outra é em Bruxelas.

      O drama das fronteiras europeias está bem simbolizado nessa bela cidade que mudou várias vezes de mãos nos últimos séculos.
      Também por isso a agressão russa à Ucrânia é ainda mais condenável. Porque veio pôr fim a uma longa estabilidade das fronteiras europeias, aliás consagrada na Carta da ONU e na Acta da Conferência de Helsínquia.
      Estrasburgo está a escassos quilómetros da Alemanha e grande parte da sua marca cultural é germânica – como acontece com tantas outras cidades do nosso continente, divididas entre matrizes linguísticas e culturais. Se hoje fosse reclamada pela Alemanha, haveria risco de nova guerra. O mesmo sucede em várias outras cidades de fronteira na Europa. No enclave russo de Kalininegrado, no Báltico, por exemplo. É de matriz germânica indiscutível.
      Se os alemães invocassem de novo o direito ao seu “espaço vital”, como alegou o ditador russo ao invadir a Ucrânia há ano e meio, aonde isso nos levaria?

      O que hoje nos parece inócuo, amanhã pode ser um drama – mais um, neste nosso continente que tem sido mais devastado por guerras do que qualquer outro.
      Putin brinca com a pólvora. Não pode avançar nem mais um palmo de terreno, sob pena de a caixa de Pandora voltar a abrir-se, como aconteceu na década de 30. Com os trágicos resultados que sabemos.

      1. o enclave russo de Kalininegrado, no Báltico […] é de matriz germânica indiscutível

        Não creio que tal seja verdade. A antiga cidade alemã de Koenigsberg foi totalmente arrasada na Segunda Guerra. Não ficou pedra sobre pedra. Da sua matriz germânica nada restou. Kalininegrado é uma cidade totalmente pós-germânica.
        Talvez nas aldeias do enclave ainda reste alguma matriz germânica, mas duvido até mesmo disso.

        1. Esse enclave tem direito à autodeterminação e à independência – tal como as “regiões libertadas” do Leste da Ucrânia que Putin pôs sob a sua pata, ‘manu militari’.
          Quem com ferro mata, com ferro morre.

      2. Putin […] não pode avançar nem mais um palmo de terreno

        Neste momento, as tropas de Putin estão todos os dias a avançar alguns palmos de terreno em direção à cidade de Kupiansk, na província de Kharkiv.

        1. Tive o cavalo da chuva. Esta é uma guerra que Putin está condenado a perder. Até já se viu forçado a decapitar os bandoleiros da Wagner, poupando assim munições a Zelenski.
          Mais uma confissão de derrota antecipada.

      3. É uma cidade onde se vive ao ritmo certo. E com tempo. E com uma convivência católicos/protestantes/judeus/jacobinos muito interessante.
        A Alsácia tem uma identidade regional forte e muito “construída”, muito intencional, precisamente por ter mudado tantas vezes de lado. É uma estratégia de autoprotecção eficaz, e tanto a França como a Alemanha desconfiavam à vez da lealdade dos alsacianos. Há também uma história de politização das línguas – na minha inocência, achava que isso era conversa de teóricos da conspiração – que é mais violenta do que parece: o francês foi proibido durante a guerra, e até os nomes foram germanizados à força, pelo menos na escola. No pós guerra, o governo Francês enviou, literalmente, batalhões de professoras para garantir que só se falava francês. Conheci uma senhora que apanhou essa onda e não conseguia falar com uma das avós, que só conhecia o alsaciano. Esperemos que não haja ideias tristes do outro lado do rio.

        E ainda não percebi totalmente de onde resultou a incapacidade europeia de aceitar ou compreender o que Putin é. A narrativa do gás russo não explica tudo…

        1. Alemães e franceses andaram muito iludidos. Durante demasiado tempo. Merkel e Macron convenceram-se que bastava usarem o charme pessoal (e falar russo, no caso de Merkel) para suavizarem Moscovo.
          Enganaram-se redondamente. Como a tragédia ucraniana confirma.
          O ditador russo só conhece a linguagem da força. Nada de estranhar, sendo alguém habituado a eliminar fisicamente todos aqueles que ousam enfrentá-lo.

  7. Da torre, erguida para glória espúria de um indivíduo, não rezará a História.

    Mas há indivíduos em honra dos quais foram erguidos monumentos sobre os quais a História reza.
    Exemplo: a esposa de Shah Jahan, em honra da qual foi erguido o Taj Mahal.

  8. não sou crente nem descrente.
    conheço várias catedrais: noto a falta de S. Pedro na cidade-estado do Vaticano e S. Paulo em Londres

      1. infelizmente a França onde estudei já não existe, tal como o meu pissoir predilecto no Boul’Mich numa esquina do lado esquerdo em relação ao Sena

          1. perdeu peso na indústria, turismo e língua de modo que a idade da reforma aumentou
            mas conserva coisas do passado que gostava de ver em Lisboa
            Saviez-vous que Paris compte 32 espèces de poissons,
            154 espèces d’oiseaux et… 24 espèces de crustacés ?
            Étouffée par l’urbanisation du 20ème siècle, la nature
            fait son grand retour dans la capitale. En quarante
            ans, près de 350 hectares de parcs et jardins ont ainsi
            été créés. Et la nature tend aujourd’hui à sortir des
            espaces verts pour se développer dans les interstices
            de la ville, sur les toits, les murs, les terrasses…
            Le végétal pousse partout à Paris, pour le plus grand
            bonheur des habitantes et des habitants.
            Et qui dit plus de nature dit plus de biodiversité. En tout, plus de 2 800 espèces végétales et animales cohabitent à nos côtés. C’est le résultat d’une politique ambitieuse, marquée par exemple par l’interdiction dès 2012 des produits phytosanitaires pour l’entretien des espaces verts, et qui porte ses fruits

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