
Ivone Mendes da Silva: «Escolho para esta semana um blogue que é uma grande ideia: Sombras de alguém. Explica-se assim: isto é uma colecção de rolos perdidos que tenho encontrado dentro de máquinas antigas e de negativos que tenho encontrado na feira da ladra. Vão lá ver. Cada fotografia é uma porta de entrada.»
Eu: «[Agatha] Christie parece ter sempre pouco para contar a seu respeito – e o pouco que conta é irrelevante e excessivo nessa irrelevância. Ficamos a saber tudo quanto não queríamos sobre a sua infância hiperprotegida numa mansão rural inglesa onde nunca faltou o chá das cinco, e depois, já ela era casada, não somos poupados às minudências da actividade do marido, arqueólogo de profissão. Esta vida sensaborona, desprovida de emoção, era compensada pelos contínuos cenários de crime concebidos pela virtuosa senhora, autora de mil vidas imaginadas para compensar uma existência banalmente insípida.»
