
Ana Vidal: «Pi-pi. pi-pi. Alô, Claudine? Daqui é o Peix… digo, o Carlos da Maia. Quê?? Não, filha, esse gajo era um chato do caraças (ou será que devia dizer “um chato de galochas”?)… enfim, o que interessa é que eu sou muito mais cool! Olha, liguei só para confirmar o nosso encontro mais logo no Oceanário. Mas tem de ser uma rapidinha, ok? Já sabes como a Dudu é desconfiada e ciumenta. Nem parece minha irmã, caramba. Pensando bem, acho que esta noite vou arrancar-lhe um cabelinho para mandar fazer um teste de ADN… com essa é que ela não conta, olarilas. Vantagens de viver no século 21. Bom, mon petit choux, agora tenho de desligar que ela é capaz de tudo, tem espiões por todo o lado. Até logo. Junto ao lago das morsas, não te esqueças. E vê lá onde estacionas a calèche, que já estou farto de pagar as tuas multas.»
Eu: «De Gaulle era um “príncipe da ambiguidade”, como lhe chama o biógrafo, sem esconder o fascínio pela personagem, certamente um dos melhores políticos do século XX e um dos maiores franceses de todos os tempos. “Superior a Napoleão”, como reconheceu em 1990 o insuspeito François Mitterrand, seu inimigo de estimação. Mas não há políticos imunes ao erro. E, quanto maior a dimensão da luz, mais vastas são as sombras que projecta.»
