Os vícios da moda na linguagem são muitos e têm dois aspectos comuns: são todos lançados por políticos e são todos insuportáveis. Mas embirro solenemente com um, que é a ocupação de tempos de antena através de truques básicos que apenas alongam as intervenções do forma inútil. Chama-se "pingo a pingo enche o político o espaço". Por vezes, acontece que o truque é usado porque se põem a falar sem saber bem o que vão dizer e menos ainda como irão acabar a frase.
Um desses truques é utilizado com altíssima frequência por Sócrates. Funciona assim (para os distraídos, marcarei a negro as palavras a mais): «nós queremos que o nosso sistema de impostos seja um sistema de impostos mais justo», ou «esta nova escola é uma nova escola que passa a integrar a rede blá-blá-blá-blá».
Como Sócrates usa e abusa desta forma básica, não falta quem a tenha adoptado. Teixeira dos Santos, por exemplo: «esta crise é uma crise que atingiu blá-blá-blá-blá», ou «estamos a passar um momento que tem sido um momento que requer blá-blá-blá-blá». E assim por diante. Não faltam seguidores dispostos a fazer parte do grupo dos que falam sem dizer nada. É moda e serve para encher pneus.

Esta foi boa! Já tinha reparado, pensei comigo, se calhar é por estar neste debate, o gajo está a “reforçar” a sua ideia para ganhar alguns votos. Afinal era a moda!
Pode ser. Mas atenção ao tratamento. Afinal, ele ainda é primeiro-ministro, quer a gente queira, quer não. Certo?
Concordo plenamente! Não era a minha intenção desrespeitá-lo ou dar um tratamento inferior a que ele merece, apenas confessei um pensamento. Da próxima terei mais cuidado!
Abraço,
Ok.
Um abraço.
O chefe dá o mote e os discípulos seguem o rasto! São estratégias definidas para ao repetir-se deixar vincado o estado actual do país e a sua preocupação Resulta na maioria da camada da população portuguesa.
Quem sabe…
”A mim ninguém me chama chefe”, Sócrates dixit.
Ah, é verdade.
Eu disse uma vez, neste sítio, que se aprendia muito. Referia-me a aprender alguma coisa com escreve aqui.
Mas dei por mim a aprender a repetir-me, tal como o nosso PM . Será que é doença? Pelo menos para mim foi contagioso! Estou a ficar seriamente preocupado!!
Se é assim, até eu fico preocupado consigo…
Acho isto deveras engraçado porque contraria a teoria comum dos sound bytes. Essa teoria afirma que nos modernos mídia, nomeadamente na televisão, os políticos (e não só) dispõem de muito pouco tempo para emitir a sua opinião, pelo que têm que encurtar as suas frases limitando-se a emitir uma ou duas ideias muito simples e resumidas. Ora, o que se constata neste post é que políticos (e não só) tendem a, pelo contrário, alongar as suas frases com material inútil, como se dispusessem de muito tempo para falar mas poucas ideias para transmitir.
Sem dúvida que tem graça, porque tal teoria está a anos-luz da nossa realidade. Em Portugal, os tempos de antena estão saturados de políticos e dirigentes desportivos e são precisamente estes dois grupos que deviam ser julgados como responsáveis pelos tratos de polé de que sofre a língua portuguesa.
‘nomeadamente” e ‘constata” são palavras que eu poria na ‘rubrica do Pedro Correia” 100 palavras com que embrirro.
“Designadamente” e “verifica”?
Sócrates tem aprendido com as exposições do Rui Santos, esse imbatível enche-antena da TV portuguesa. Falta-lhe aparecer com o cabelo empasteladinho e pôr gravatinha roxa por cima de camisa preta.
Será que Sócrates também tem a capacidade de ver um golaço do Benfica mesmo quando o Benfica nem sequer entra em campo?
Isso não sei. Mas em matéria de encher pneus lá no Benfica há um grande especialista. Consta que a fortuna dele foi feita com pneus.
Claro que tem, João! Isso é “peanuts”, ao pé do que ele já faz: ver um país rico onde quase já nem sequer existe um país…
É a linguagem do Valentão: não se lembram de o ouvir dizer uns mimos no género “eu quero, e desejo, e pretendo que…”.
É uma forma básica de salientar uma ideia, com a vantagem de poder pensar com calma o que é que vai dizer a seguir enquanto se repete.
Coisa importante, quando se tem pouco a transmitir mas é preciso dizer alguma coisa para encher o olho à populaça.
Exactamente. É como dizer: «vou esperar com toda a serenidade e toda a tranquilidade».
Yes.
É sempre curioso ouvir um tipo corrupto até à medula declarar que está “de consciência tranquila”, sendo certo que tem uma “inabalável confiança na justiça”.
É próprio de um país de fraca justiça e de gente inconsciente.
Pois…
Falta o ”sendo que bla, bla, …”
Não me parece essencial, sendo que é importante…