DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «É emocionante ver como as questões ideológicas, pelas quais tanto se matou desde sempre em todo o mundo, estão a ficar ultrapassadas e afastadas do essencial das lutas dos homens. Seja em regimes de esquerda ou de direita, por todo o lado os povos saem à rua em protesto contra aquilo que é transversal a todos esses regimes: a falta de liberdade de expressão, as injustiças e desigualdades sociais, a corrupção, os abusos de poder, a degradação das condições de vida, a negação do direito a um futuro melhor para os filhos. Chamem-me utópica, mas parece-me um sinal claro de que a humanidade está a evoluir, a conquistar a sua maturidade. A exigir que seja respeitada a sua impressão digital e a fazê-lo com voz própria, sem intermediários. E fico feliz por viver numa época em que este passo é visível.»

 

José António Abreu: «A “narrativa” que por aí corre tentando sacudir a responsabilidade da bancarrota portuguesa para os ombros da Comissão Europeia, devido às opções que esta defendeu na sequência da crise financeira de 2008, não convence: o governo português (como o grego, como o espanhol, como até o italiano e o francês) deveria ter percebido não possuir margem para fazer disparar défice e dívida; deveria ter percebido que era mantendo-os em valores razoáveis que melhor servia os interesses dos portugueses. O governo português (como o grego, como o espanhol, como até o italiano e o francês) seguiu entusiasticamente a opinião da Comissão Europeia porque era um mau governo, actuando num mundo onírico onde as fontes de dinheiro nunca secariam.»

 

José Maria Gui Pimentel: «Esta História de Portugal não esconde ao que vem, pretendendo assumidamente constituir uma nova obra de referência na historiografia portuguesa, incorporando “os resultados das pesquisas e reflexões das mais recentes gerações de historiadores”. Como tal, e embora se procure um “texto legível e claro”, existe sempre uma primazia do conteúdo sobre a forma, o que pode tornar a sua leitura menos aliciante para algum público. Mas não poderia ser de outra forma.»

 

JPT: «A minha filha fez ontem o exame nacional de Português no 6.º ano. Para a semana fará o de Matemática. São obrigatórios nestas duas disciplinas, às quais chamo nucleares (porventura terão outra denominação oficial). Co-bloguistas ou comentadores poder-me-ão corrigir se incorrer em erro. Julgo que para transitarem para o 7.º ano os alunos não poderão reprovar a estas duas disciplinas em simultâneo. E também não poderão “chumbar” a mais do que três disciplinas (obviamente desde que apenas uma destas seja uma “nuclear”). Nestas “mais importantes” os resultados dos exames valem 30% da nota final na disciplina, demonstrando (e muito bem, digo eu) a maior importância da avaliação contínua.»

 

Luís Menezes Leitão: «Há uma coisa boa que resulta desta campanha triste em Lisboa. Enquanto que nos concelhos vizinhos se multiplicam os cartazes de propaganda, com enorme impacto visual nas cidades, a nossa linda cidade tem sido poupada a isso, não tendo até agora aparecido um único cartaz de propaganda. Era bom que todas as campanhas eleitorais fossem assim.»

 

Patrícia Reis: «O que eu gostava de ter mesmo era uma decisão tomada, conseguir dizer: tenho dinheiro para pagar todos os subsídios a tempo e horas, como acontece há 17 anos. Não sei porquê mas algo me diz que, depois de uma força aqui e um empurrão acolá, chegarei ao meu objectivo. Eu não terei subsídio? Não faz mal. Quem tem uma empresa no mercado, uma micro empresa, diga-se, tem de viver com estas coisas.»

 

Eu: «Revejo-me naturalmente nas decisões dos tribunais de Évora, Guarda, Loures e Tavira. E considero, pelo contrário, que as decisões dos juízes em Lisboa e no Porto, dando provimento às participações do Movimento Revolução Branca, são uma preocupante compressão de direitos políticos que a lei não prevê e a jurisprudência não pode consagrar. Sob pena de, daqui para a frente, tudo passar a ser revisto, numa óptica restritiva, em matéria de direitos, liberdades e garantias.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. o governo português deveria ter percebido não possuir margem para fazer disparar défice e dívida

    Li no Economist desta semana que o governo federal dos EUA está com um défice de 8% do PIB americano. Comparável ao pior do tempo de Sócrates.

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