Lápis L-Azuli


Maria Dulce Fernandes,

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Hoje lemos: Gabriel Garcia Marquez, “Amor nos Tempos de Cólera”.

Passagem a L-Azular: “Ele ainda era muito jovem para saber que a memória do coração elimina o mal e engrandece o bem, e que graças a esse artifício conseguimos suportar o peso do passado.” Deveria ler-se: “Ele nunca deveria acreditar que existem outras memórias que não as do coração.  Viveria sempre numa bolha de felicidade onde não entrava o negativismo e a maldade.”

Na verdade nós os humanos possuímos a estranheza de nos agarrarmos a memórias felizes, porque sem dúvida as temos, e mesmo sem pozinhos de perlimpimpim conseguimos elevar os espíritos e voar para além do saco de ossos que nos prende à terra. É isso que nos faz crescer como pessoas, ter a capacidade de regressar ao nosso eu e recuperar a perseverança.

(Imagem  Google)

18 comentários em “Lápis L-Azuli”

  1. Vivir para contarla
    « La vida no es la que uno vivió, sino la que uno recuerda y cómo la recuerda para contarla.

    li apenas umas página sobre El general en su laberinto (el culo de hierro)

    faço terapêutica de esquecimento

    1. Li o livro do Bolívia mas não li o das memórias.
      Creio que é mesmo assim. A mesma experiência, vivida da mesma forma, pode ser percebida de modo diferente por diferentes pessoas e torna-se numa série de experiências distintas, que cada um contará como se lembra de ter a vivido.

      1. Essa é a versão lírica (sem ofensa). A mesma experiência pode ser percebida de diferentes maneiras por quem a viveu mas perpetuar-se-à na visão de quem, tendo-a ou não vivido, tenha poder para a divulgar nos “media” dominantes. Ou, melhor ainda, nos manuais escolares.

  2. “…conseguimos elevar os espírito…”,
    ou, pura e simplesmente, “somos”, (sou), “espírito” ?. “Elevado” ou não.

  3. Minha cara Maria Dulce, dos poucos romances que li, esse é o romance dos romances. É arrebatador. Mas desconfio (não sou assim tão optimista) se somos (a natureza humana) assim tão fortes quanto isso. Já não me recordo do enquadramento da citação nem da personagem a quem ela refere.

    1. Gosto muito dos Cem Anos de Solidão.
      Este livro deu um excelente filme.
      Não creio que nos consigamos ultrapassar e ” elevar” diariamente. Ah, mas momentos há em que a estratosfera da alma fica ao ao alcance da mão.

  4. Absolutamente, Maria Dulce! A memória selectiva que nos leva a minimizar o sofrimento por que passámos e ampliar os momentos bons é que nos faz andar para a frente e ter esperança em dias melhores (ou pelo menos em dias que não sejam piores). Sem esta esperança, o que seria de nós?

  5. Gosto um imenso desse romance. Gostei do filme, mas não como do romance. Nunca vi filme que achasse melhor que o romance, mas por vezes equivalem-se. E acho o parágrafo original, o de Gabriel Garcia Marquez muito mais rico. Apesar de ser inegável o poder da imaginação. Sendo o que mais nos distingue dos outros animais.

    1. Exactamente.
      O livro é sem dúvida melhor do que o filme, que é muito bom.
      Um dos melhores filmes que já vi, na minha modesta opinião, foi adaptado de um livro de Stephen King, Rita Hayworth and Shawshank Redemption, e supera muito, mas muito o livro, Bea.

      1. Mas eu admito que possam existir alguns casos, só que não os conheço. Em geral, se vejo o filme e ainda não li o livro, logo o dispenso. Há tanto livro que me é completamente desconhecido que escolho entre eles.

        1. Eu vou muitas vezes procurar livros, porque vi um filme adaptado de um obra, sempre na expectativa de que o livro seja melhor e mais completo. Muitas vezes acerto , outras vezes nem por isso porque o livro não trouxe qualquer mais valia ao argumento. Outras ainda concluo que o argumentista que escreveu a adaptação é um génio.

      2. Neste afluente filmes sobre livros tenho dois,pra já. Do Decameron de Bocaccio e sua recriação por Pasolini eu não tenho preferência,distintos e maravilhosos conforme apetite do momento.
        Digo-o dos Cantuária de Chaucer e do mesmo Pier Paolo e travo senão passo às Mil e Uma Noites.
        Boa noite.

        1. Pasolini tinha uma abordagem muito própria e muito incompreendida nos seus filmes, que
          chegou a ser considerada pornografia e posta no mesmo saco com películas menores do género. Do que vi, há cerca de 30 anos, não me encantou demasiado, apesar de lhes reconhecer valor cinematográfico. Provavelmente viveu na época errada.

  6. Trouxe aqui a recordação duma obra-prima de Gabriel Garcia Marquez. As vezes que voltava atrás para reler e me deliciar (os tais os momentos que sublinha).
    Maria

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