

Gente que considero acha que Costa aproveitou o incidente com o cartaz na manifestação dos professores vitimizando-se ao jogar a carta do racismo e, de caminho, desviando as atenções das reivindicações daquela classe, que passa a ser menos bem vista, da história da TAP, dos incidentes galambescos, e das outras escandaleiras menores que vão surgindo.
Não compro essa tese. Mas despachemos primeiro o incidente em si:
Cartazes de mau gosto sempre houve, e manifestações também. Quem anda em manifestações ou é viciado na especialidade, que é tradicionalmente uma componente da democracia de rua, portanto da que fala ao coração da esquerda, ou sente-se particularmente injustiçado. Parece-me ser este o caso dos professores, sobre cujas dores não me tenho interessado muito. O direito à manifestação está constitucionalmente garantido e como a coberto da multidão pode haver exaltados ou desordeiros estas costumam ter (a CGTP, isto é, a comunistada, está atenta a essas coisas) um serviço de segurança, ou então a polícia acompanha para evitar derrapagens.
Meter-se um visado no meio duma manifestação é portanto uma imprudência. Costa imprudente e inexperiente não é, e a tese segundo a qual quis adquirir um capital de queixa não colhe porque é mais plausível que tivesse confiado na aura que cultiva de amigo dos desprotegidos e de causas.
Caricaturas representando um qualquer prócere com cabeça ou corpo de porco são uma tradição – a D. Carlos isso aconteceu, não havendo notícia de se ter incomodado com o facto, a Trump também – são inúmeros os exemplos, a alegoria é imediatamente perceptível, daí o sucesso. E Passos de porco não foi caricaturado, que eu saiba, mas foi brindado em manifestações com um coelho enforcado ou com um cartaz com um bigode à Hitler, sem que tivesse havido um clamor de protesto, antes o riso alvar de não poucos anti-passistas. De resto, o homem não podia comparecer em lado nenhum sem irem atrás camionetas de espontâneos para berrarem grandoladas e palavras de ordem.
Tenho ouvido pessoas cordatas, e amigas teóricas da liberdade de expressão, declarando amá-la muito mas que deve ter limites. Claro que deve, mas apenas no caso de difamação imputando factos falsos a pessoas concretas. Invocar limites neste caso é apenas uma manifestação do amor do respeitinho selectivo – o primeiro-ministro, se for de esquerda, deve estar acima destas coisas chocarreiras, e supõe-se que o presidente da República também, e demais autoridades.
Deixemos portanto em paz o incidente, que não tem na realidade importância alguma, e atentemos nisto: Costa queixou-se de racismo. Foi a primeira vez? Não foi, já tinha acontecido no Parlamento em resposta a uma interpelação de Assunção Cristas que não tinha, nem sequer vestigialmente, sombra de racismo.
Assunção tinha qualquer coisa que espoletava em Costa genuína antipatia, e essa mesma coisa estava presente nesta manifestação, e não era propriamente o cartaz. Era sim o que Costa considera intolerável falta de respeito, e essa consiste em não apenas não concordar com as suas políticas (com isso pode ele bem, profissional exímio que é) mas não lhe reconhecer categoria intelectual e qualquer brilhantismo. Como ele se acha um indivíduo superior, que o seu sucesso eleitoral confirma, tal falta de reconhecimento só pode ser devida a racismo porque as pessoas não, mas ele sim, atribuem nenhuma importância à circunstância irrelevante de pertencer a um etnia diferente. A Narana Coissoró, que também andou pelo Parlamento, nunca ocorreu lembrar-se do facto de ser de origem goesa para explicar alguma falta de deferência no tratamento.
Deve ter sido isso também que explica a manutenção de Galamba, que, como qualquer ministro, deveria funcionar como um fusível que protege o Primeiro: Marcelo deve ter dito uma ou várias coisas que implicavam que não tem por Costa grande consideração intelectual. E o homem, que não pode acusar o Presidente de racista, resolveu dar-lhe uma lição. E deu.
Psicólogo não sou, mas amigo da lógica sim. E esta explicação satisfaz-me. As outras não.

Finalmente alguém põe o dedo na ferida. Ando a dizer isto há anos, desde que Costa passou pela CML (da qual saiu defraudando os seus eleitores, como ele próprio afirmou há poucos dias que “não cumprir mandatos é uma desfaçatez”): é um saco-de-vento, não tem visão, é tão arrogante quanto incompetente e tem ideias erradas e ultrapassadas sobre desenvolvimento. Como é habilidoso e é protegido pelos media, apenas por parecer esperto e pertencer à burguesia lisboeta, perpetua-se nas velhas mentiras socialistas e nos números martelados de toda a maneira e dê lá por onde der. Há 30 anos que anda pelos altos cargos públicos e pelos governos a impedir que o país progrida. Parece o Paulinho no Sporting: recebe muitas bolas e falha quase todas.
Pois era a liberdade da crítica,só ofende quem pode, sentenciou a suprema magistratura.
Quanto ao senhor 1º Costa se o mestre o tem enchouriçado no cartaz,sim senhor era valor acrescentado, crítica portanto, agora reco vivo róseo e ainda todo sorrisos de promessas eleiçoeiras,pois é de bradar aos céus!