Galamba? (1)


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colombia

Estive um mês na Colômbia. Nos meus (talvez demais) desiludidos 58 anos nunca esperei encontrar em mim ainda tamanha capacidade de me encantar, face a um país magnífico sobre o qual pouco, quase nada, sabia. Lá fui a propósito da enorme Feira do Livro de Bogotá – falando sobre um escritor moçambicano, João Paulo Borges Coelho, que afianço credor dos maiores encómios e de imensas leituras, e sobre o qual escrevera já breves recensões sobre dois dos seus livros (“Ponta Gea” e “Namacurra“)   e um mais longo sobre a sua obra global (O programa ficcional de João Paulo Borges Coelho), para além de múltiplos curtos postais sobre a sua actividade literária. Falei ainda sobre a língua portuguesa em África (numa curta elaboração partindo deste meu texto, “O Olhar Português em África“), a propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa. E tive ainda, no 25 de Abril, a oportunidade de apresentar o conteúdo dessa data a uma plateia de ouvintes colombianos (aqui o esboço que preparei para tal comunicação). No restante tempo procurei conhecer a impressionante urbe Bogotá e viajei por algumas parcelas do esplêndido, enorme e tão diversificado país.

Regressei ontem, já para além da meia-noite, após uma patética odisseia de três dias provocada pela Iberia. À hora de almoço, ainda algo estremunhado, sentei-me com amiga, verdadeira mana, indagando como estão as coisas reais por cá. Ela, acabrunhada, conta-me que o seu homem, que padece de um cancro daqueles violentos, está à espera de um tratamento com um medicamento. O hospital público que o acompanha não o tem – pois o Estado não pagou aos fornecedores, e por isso os hospitais vão emprestando uns aos outros os disponíveis. E a ele ainda não chegou. E que está à espera de encetar uma radioterapia, para o qual precisa de uns exames radiológicos. Mas a lista de espera é enorme.

É minha amiga há mais de 40 anos. Muito. Tanto que, in illo tempore, me convidou para seu padrinho de casamento. Como tal diante de tudo isto que me diz, enorme, não derivo para quaisquer ditirambos políticos nem análises sistémicas.

Mas agora, já à noite, sozinho, desabafo: 22/28! Entenda-se bem, esmiuço para os distraídos: nos últimos 28 anos o PS (a tal “esquerda”) esteve no poder 22 anos, a promover o que se passa.

Entretanto, recordo, outros amigos que se chegaram à esplanada, até para saberem novas minhas após este mês de ausência, não resistem e elaboram sobre… o Galamba. Está visto, mesmo que assim andamos distraídos.

10 comentários em “Galamba? (1)”

  1. Que quer, os portugueses amam distrair-se a atirar culpas para cima uns dos outros. É que não há coisa que mais lhes agrade. E alguns, se bem calha, até julgam que essa é a forma de se salvarem. Inocentes ou irresponsáveis, contentam-se com a superfície.
    Bom dia

  2. Os tugas estão mais interessados em saber se o Benfica vai (ou não) ser já campeão em Alvalade – eu até sou do Benfica mas acho tudo isto uma tristeza! É uma tristeza a displicência dos tugas no geral face à política e a quem nos governa ou a “clubite” que outros em particular demonstram a este nível. Tudo isso levou ao que se está a assistir, a um governo que tresanda a esquemas e más práticas por todo o lado, assim como à bancarrota de Sócrates, à cauda da Europa que está já ali ao virar da esquina e, ao colapso e miséria generalizada dos serviços públicos prestados por um estado que, ainda por cima, nunca nos retirou tanto rendimento como nos dias de hoje (via impostos). Tento perceber o que se passa com o nosso povo para aceitar tudo isto de ânimo leve mas não consigo compreender, não consigo mesmo e só me resta ficar triste!

    1. Confúcio escreveu ,entre outras coisas, o seguinte: ” Não me importam as respostas,preciso de compreender as perguntas”. Enquanto não soubermos fazer as perguntas certas não vamos obter respostas conclusivas.

  3. Quando o meu filho teve cancro, que também era daqueles violentos (tecnicamente designado “cancro agressivo”), ou seja, daqueles que aumentam de tamanho e enviam metástases muito depressa, começaram a tratá-lo (quimioterapia) ainda antes de terem a certeza experimental de que o cancro que ele tinha era mesmo aquele que suspeitavam. Diziam que cada dia contava, com um cancro assim.
    Mas lá está, isso foi no tempo do governo Passos Coelho. Nesse tempo, o país andava sobre rodinhas.
    Ou então foi porque sabiam que, tendo o meu filho 10 anos, valia a pena tratá-lo. Uma coisa é tratar uma criança, que se recuperada viverá uma vida inteira, outra é tratar um velho, que mesmo que tratado cairá de lado uns anos mais tarde.

  4. Exacto. “…nos últimos 28 anos o PS (a tal “esquerda”) esteve no poder 22 anos,…”.
    Nasceram para a vida nos partidos, o partido é a vida, é o mundo deles. O País só serve para lhes pagar benefícios e chatear (poucochinho) na AR. Roma na decadência. Nos gabinetes -preenchido por “girls and boys” dos aviários partidários- todos se acotovelam e se aponhalam, pelas costas…e pelo Costa.
    A gota de água foi uma chefinha de gabinete que não conseguia ser obedecida por um atleta político. Elementar. Uma gota de água que transvasou graças a um Ministro sem calo nem mister, que só tem estatuto por fidelidade ao dono disto tudo.
    Este pessoal mimetisa a queda do Império de Roma à escala do bairro, claro.
    O desenho político é o mesmo, poder imperial, curiosamente “constitucional”.
    César, tem cuidado com os idos de Março. Está na calha.

    1. Março já lá vai, e homens em quantidade suficiente para fazer outro 28 de Maio não existem mais,agora só alienados da bola e dos festivais/ arraiais.

      1. Porra!!! Tem de ser, logo, um 28 de Maio.
        Quem tem este ponto de vista deve ter 70 ou mais anos de idade, em que é que tem sido prejudicado ou o país para haver necessidade de uma revolta com uma ditadura militar ?
        Basta dar apenas dois exemplos iguais aos que foram levados em conta em 1926.

        1. Se não gosta do 28 trocamos pelo 29,e eu também não sou adepto de ditaduras,nem militares nem civis camufladas de democracia. Sabe que as datas em questão não são responsáveis por nada do que veio depois,assim como houve homens decentes e com boas intenções no dia 25 abril que queriam mudar o sistema para melhor(que depois foram ultrapassados por outros personagens e agendas) . O meu ponto é questionar se há homens capazes e sensatos(não vendidos aos interesses estrangeiros e aos dos seus amigos) de meter o país na ordem, e goste-se ou não dos meios usados em 1926 o país (em relação ao que era antes) foi posto na ordem. Agora, é claro, há sempre os que preferem a bandalheira à ordem(não vão é ver a História que nos diz que da bandalheira sai sempre a ordem,por norma à força, e não é preciso ter 70 anos para entender isso) .

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