Houve a rábula do pavilhão escolar de Beja, onde chove como na rua. Houve a deixa do "miniclima" da ministra da Educação. Seguiram-se as atabalhoadas, e já clássicas justificações das entidades responsáveis. A culpa, dizem, foi do tempo. Naturalmente: se não chovesse cá fora, não chovia lá dentro. Óbvio. Deixemos de lado os factos mais (mal) pré-fabricados que aquele pavilhão: o Alentejo não é "quente" todo o ano. De Inverno é frio, e – pasme-se! – até chove de vez em quando. Tornamos esta história cómica porque a ministra e a Parque Escolar se puseram a jeito (há sempre alguém a por-se a jeito para a paródia neste país), mas a história é, a meu ver, um exemplo muito bom para algo que venho a dizer há algum tempo: em Portugal não se sabe construir. Seja o que for: pontes, estradas, casas, pavilhões, galinheiros. Não sabemos construir. Fazemos tudo mal, da forma mais ineficiente (leia-se, da forma mais cara e mais demorada), e sem considerar uma carrada de factores. Como o clima, por exemplo. Vivemos com a permanente desculpa de que "Portugal tem um clima temperado", e por isso fazemos casas que, passe a expressão, não são nem pão nem bolo. Na prática: são fornos durante o Verão e frigoríficos (húmidos, frequentemente) durante o Inverno. Por isso, e apesar de o "miniclima" ter tornado a história do pavilhão desportivo de Beja numa comédia, a história nem é nova. É apenas mais um (frio) capítulo na nossa longa história de má construção.
A chuva, o “miniclima”, a construção
eventhorizon,

Em Portugal não se constrói, brinca-se às casinhas. Sob a eterna ideia de que somos um país com um clima ameno, as nossas construções nunca têm estado, ao longo de décadas, verdadeiramente preparadas para nada. São frias no Inverno, são quentes no Verão, são húmidas quando chove, enfim, uma verdadeira desgraça. E isto decorre de um facto singular: quem são os nossos construtores civis e operários do ramo?
Os primeiros são os antigos operários da arte que, por uma qualquer oportunidade, conseguiram algum balanço para se tornarem ‘patrões’. Os segundos são aqueles que nunca tiveram a oportunidade de se tornarem ‘mestres’ e que, por isso, são os empregados dos primeiros. Uns e outros têm, porém, quase sempre um traço comum: são indivíduos com um muito baixo nível de escolarização e um baixíssimo nível de qualificação técnica, só conseguindo obter alguma através da prática da profissão que se torna, assim, no seu ‘laboratório’, ou seja, depois de fazerem durante anos e anos experiências e erros em construções a sério. No tempo em que ainda havia emprego para toda a gente, era amplamente sabido que quem ia para a construção civil, vulgo ‘trolha’, era quem não encontrava lugar em mais nada, ou seja, toda a mão de obra sem qualquer qualificação, todo o refugo, ia parar à construção civil. O resultado dessa impreparação técnica de décadas, está agora à vista.
“Em Portugal não se constrói, brinca-se às casinhas.” Frase lapidar, meu caro. Estivesse eu assim inspirado!
Esta ministra não tem culpa da má construção do pavilhão; só tem — e não é nada de desprezar — culpa de não fechar a torneira. Sabe fazer olhinhos e promessas vagas e mal formuladas. Medidas? Aguardo ainda pela primeira. Quanto ao resto, uma espécie de navegação à vista — dos media.
A ministra não é responsável pela construção (montagem?) do pavilhão, de facto. Só é responsável pelos disparates que diz. Mas eu agradeço-lhe (à ministra) a gargalhada.
oh!Então não foi mais uma malfeitoria do malandro do Sócrates???
Se calhar foi um “miniSócrates”…
Foi “trapalhada” do Santana.
Será o único pavilhão made in Parque Escolar a meter água? Espere-se pelo próximo Inverno. Eu cá digo que haverá pelo menos outro, mais para cima….
Ter um clima temperado (ou ameno) não é um problema, até porque o é, de facto. O problema é as pessoas não compreenderem o que isso significa. E uma das grandes culpas com a construção em Portugal está do lado dos utilizadores que não exigem climatização, materiais de qualidade, manutanção, etc.
Por outro lado em Portugal talvez não se construa tão mal assim. Na Holanda, onde vivo, a construção é atroz. Casas desniveladas (não estou a brincar), desalinhadas e desproporcionadas (um quarto supostamente rectangular torna-se frequentemente num paralelogramo com dimensões resultantes de caprichos, suponho). A grande diferença está no facto de as pessoas, aqui, compreenderem o que é o seu clima: chuvoso, húmido e frequentemente frio (sem ser gélido). Dessa forma acabam por exigir casa que cubram essas necessidades. Os governos fazem o mesmo.
Em Portugal isso não sucede. Uma casa é húmida e fria? Ligam-se os aquecedores em Outubro. Um edifício fica danificado por causa de um temporal? Pede-se dinheiro ao governo, que é mais barato que fazer seguros. No meio desta falta de exigência toda, a construção civil vai fazendo as coisas sempre da mesma forma. Afinal de contas, qualquer obra de reconstrução ou melhoria acaba por ser mais trabalho (e mais dinheiro) para eles.
Contrói-se mal? Não. Exige-se pouco.
Sim, isso é verdade. Exigimos pouco. Nem sabemos exigir, diria eu.