
Sei que os meus amigos têm acompanhado com interesse os meus postais sobre temas gastronómicos. [Adenda para o Delito de Opinião: postais que coloco principalmente no meu mural de Facebook e alguns também no meu blog individual]. Assim sendo aqui regresso a essa matéria. Hoje com uma receita de maionese retórica, bem do agrado dos comensais… “alternativos”.
“Os Princípios e as Práticas”
… comecei a analisar a crescente prevalência e maior visibilidade do poder cru em relação ao poder cozido [eu, jpt, detesto esses ditos “emoji” e por isso prefiro assinalar esta grosseira “apropriação cultural” da dicotomia do grande Lévi-Strauss com uns valentes !!!] tendo-me centrado numa das manifestações deste fenómeno, da vitória sobre o adversário ao extermínio do inimigo. Continuo agora a análise, centrando-me na segunda manifestação, a híper-discrepância (sic) entre princípios e práticas.
Uma Híper-Discrepância (sic)
A discrepância entre princípios e práticas é talvez a maior especificidade da modernidade ocidental. Qualquer que seja o tipo de relações de poder (capitalismo, colonialismo e patriarcado) e os campos do seu exercício (político, jurídico, económico, social, religioso, cultural, interpessoal), a proclamação dos princípios e dos valores universais tende a estar em contradição com as práticas concretas do exercício do poder por parte de quem o detém. O que neste domínio é ainda mais específico da modernidade ocidental é o facto de essa contradição passar despercebida na opinião pública e ser mesmo considerada como não existente. (…)
Este mecanismo de supressão das contradições reside no que designo por linha abissal, uma linha radical que desde o século XVI divide a humanidade em dois grupos: os plenamente humanos e os sub-humanos, sendo estes últimos o conjunto dos corpos colonizados, racializados e sexualizados.
Se é verdade que a contradição entre princípios e práticas sempre existiu, ela é hoje mais evidente do que nunca. (…)”
Boaventura Sousa Santos, “Os princípios e as práticas”, Jornal de Letras, 17 de Novembro de 2021, p. 30.

Aproximei-me cauteloso,com máscara e luva,náo acontecesse na distância meta e ia/ai cometer algum pecado ou e infracção racializada etc,duramente penalizável.
Com muita humildade,autocrítica e arrependimento ouso concordar com o último parágrafo.
E de novo regresso à já longa vida , nascido com o pecado original e ferrete de tão pouca melanina,culpado portanto,arrastando todas as culpas de todas as gerações que me precederam,originaram e não conheci.
Arrependam-se pecadores,ide a Coimbra,ao perdão e à benção.É a nova Terra Santa.
os valores deste tempo depositam-se no banco
Fiquei super desanimada com a notícia. É certo, não conhecia o senhor senão de alguns escritos e esses pareceram-me bons. Admirava-o pelo que dele li; ainda lhe admiro a inteligência – sem pedestal. Como pessoa, e a ser tudo verdade (ou mesmo só parte), concluo agora: não é boa rês.
São seguros de vida,carreiras e votinhos garantidos.
Começam as dissenções,os cismas,os herejes.Luteros,calvinos,escandalizados com o papa e
cardeais.Novas seitas,protestantes.A dogmática já foi estabelecida e o discurso balizado também.No Clima não andam longe,o carbono é o diabo.
Ai de quem não pertencer a uma igreja,fora só há trevas,choro e ranger de dentes.
conheço bem este e outros poemas de Jorge de Sena
Metamorfoses.Arte de Música.
“e os campos do seu exercício (político, jurídico, económico, social, religioso, cultural, interpessoal)”
Acrescente-se: académico.
“divide a humanidade em dois grupos: os plenamente humanos e os sub-humanos, sendo estes últimos o conjunto dos corpos colonizados, racializados e sexualizados”
Onde se lê humanidade, leia-se: universidade.
Esta maionese esta cortada; ovos a dar para o podre e azeite rancoso…
Citando Boaventura Sousa Santos “Se é verdade que a contradição entre princípios e práticas sempre existiu, ela é hoje mais evidente do que nunca. (…)”” eu acrescentaria “embora essa evidência demore por vezes alguns anos até acabar por ser revelada”.
Nem era preciso ele tentar meter a pila de fora: basta ler qualquer texto do Boaventura para uma pessoa se sentir violada.