Gostava de ficar surpreendido


Paulo Sousa,

Para os que acusam este governo de não ser capaz de agir, nem de saber o que quer, a conferência de impressa de há dias, motivada pela divulgação do relatório da Inspecção Geral de Finanças, retira a base para esse tipo de acusação.


Imagem Observador

A destituição, com efeitos imediatos da CEO e do presidente do Conselho de Administração, mostra exactamente como os membros deste governo conseguem decidir e agir rapidamente. Precisam é de estar motivados para isso. E para eles, a melhor motivação é a necessidade de se escaparem às responsabilidades. Sem novidade. Aliás todo este caso da TAP, não é mais do que um arrastar de uma sequência acontecimentos mais ou menos previsíveis, salpicados aqui e ali, por algumas pequenas pérolas.

O artigo de David Neeleman, publicado hoje no Expresso, é interessante e explica bem como é que, desde há bastante tempo, não há qualquer forma de o assunto TAP, a empresa das caravelas do sec. XXI, alguma vez correr bem para os contribuintes portugueses.

Dito isto, e esse será o motivo do presente postal, uma semana após o grande número mediático em que assistimos ao sacrifício dos referidos bodes expiatórios, o Jornal Económico revela que a TAP informou a CMVM que afinal a CEO e o presidente do Conselho de Administração continuam em funções, uma vez que a empresa “não dispõe de informação sobre os concretos procedimentos” para a destituição destes gestores.

Este jornal revela ainda que só depois do anúncio da destituição em directo, é que o ministro Medina procurou sustentar juridicamente a decisão.

Na altura andaremos envolvidos com outras notícias bombásticas, mas quando chegar a hora de ter de se pagar uma choruda indemnização à ex-CEO, ou futura ex-CEO (?) e ao ex-presidente do Conselho de Administração, ou futuro ex-presidente do Conselho de Administração (?), as responsabilidades deverão ser assacadas aos mesmo que já incineraram mais de 350€ a cada português.

39 comentários em “Gostava de ficar surpreendido”

  1. Trabalho hoje numa empresa com cerca de 250 colaboradores. Não tenho a mínima memória de alguém alguma vez ter sido demitido com justa causa antes de sequer se verificar se ela realmente existe. No fundo os RH duma PME são incomparavelmente mais competentes e responsáveis do que o nosso ministro das finanças e companhia. É bem esclarecedor do porquê da cauda da Europa estar já mesmo ali ao virar da esquina.

    1. A imagem não foi sugerida por mim, mas como se pode ver nos documentários sobre vida selvagem, a cauda pode ser útil para enxotar as moscas. No nosso caso nem para isso servirá, porque as moscas são sempre as mesmas. Costa, Medina e Galamba… já os vimos representar tantos papéis. Não haverá ninguém competente em Portugal?

      1. Haver há mas uns são rejeitados pelos eleitores porque falam verdade e não vendem ilusões, outros porque não interessam às máquinas partidárias sempre tão necessitadas de gente desta ao leme que dê de comer a toda a boyada, outros porque simplesmente não estão para se expor ao lodaçal que é a política nem tão pouco têm jeito para os joguinhos de poder e punhaladas pelas costas de bastidores (eis onde Costa dá cartas), outros porque sendo mesmo competentes, não precisam de CVS artificiais criados em aparelhos partidários/políticos para nada, outros porque de tão desiludidos que já estão preferem ir embora do país para paragens onde o mérito ainda sirva para alguma coisa,… No fim de contas “sobram” os Costas, Medinas e Galambas desta vida, 3 supostos “líderes” que envergonham qualquer verdadeiro líder – afinal que líder nunca viu, nunca ouviu, nunca pensou, nem nunca suspeitou de nada sempre que algo corre mal? Lá está, isto não são líderes, são oportunistas e nada mais!

        1. Paulo Sousa é uma moda chamar colaborador por não querer parecer ser comunista.
          E trabalhador pode ter sarna.
          Vá você por qualquer razão ter um problema laboral que entre tribunais e logo vê qual é a diferença entre colaborador e trabalhador.
          O trabalhador de uma empresa, vulgo tpco, tem o dever de ser colaborador, colaborar, ou seja se for vendedor não pode dar a mercadoria, ser empregado bancário não pode dar o dinheiro, se for empregado de um restaurante não pode dizer não é nada sem autorização da entidade patronal.
          Tá a ver.

        2. Sabe-me dizer onde posso consultar o Código da Colaboração? E em que artigo da Constituição da República Portuguesa diz que todos têm direito à colaboração?

          1. “…que artigo da Constituição da República Portuguesa diz que todos têm direito à colaboração?”
            Percebeu mal, leia o Código do Trabalho e dever de colaboração não é o direito de colaboração.
            “Guardar lealdade ao empregador, nomeadamente não negociando por conta própria ou alheia em concorrência com ele, nem divulgando informações referentes à sua organização, métodos de produção ou negócios.” , é um dever de colaboração.

    2. “…cerca de 250 colaboradores.” ?
      A empresa não tem TPCO trabalhadores por conta de outrem? Colaboradores são os vigilantes da empresa de segurança que prestam serviço numa empresa p.ex., ou, então, são todos profissionais liberais (vulgo recibo verde) e como tal colaboradores sem vínculo contratual de um horário de trabalho e obediência disciplinar.
      Os membros da Administração de uma empresa não são TPCO, por serem os acionistas (donos) da empresa.
      Este caso, a Administração de uma empresa com capitais públicos não sei, mas haveria sempre lugar a um processo disciplinar para haver justa causa do “despedimento”, ou rescisão das funções para que foi contratado.

      1. Pronto, cerca de 250 trabalhadores, funcionários, ou o que lhe queira chamar pois o cerne da questão nem sequer era esse. O cerne da questão é a forma completamente aberrante e não profissional como o sr ministro das finanças decide demitir pessoal pois só depois de o fazer é que tenta arranjar um enquadramento legal para o justificar. Depois não esquecer que a IGF é dependente do próprio ministro, que a CEO nem sequer foi ouvida e que Medina tinha todo o interesse em sacudir a água do capote, pelo que todo este processo cheira a esturro e a encomenda para salvar a pele do sr Medina e do sr Costa. Enfim mais uma vez eles não viram, não ouviram e nem sequer suspeitaram de nada, que líderes meu Deus, estamos mesmos com líderes fantásticos no governo.

        1. Vá chamemos funcionário, que comichão trabalhador, mesmo não sendo funcionário público, ‘o meu funcionário está a descarregar tijolos’ diz o patrão de uma obra.
          Não sei como é em relação à TAP, empresa pública, e, também, em relação à Administração que terá um vínculo contratual bem diferente de um piloto de avião.
          Não conhecemos, não sei se Luís conhece, as cláusulas da contratação da CEO.
          p.ex. no que diz respeito a cláusulas de motivos de justa causa de denúncia do contrato, “despedimento”, a forma de como é feita a denúncia e os valores de indemnizações.
          Julgo que estará tudo bem definido no contrato assinado pelas parte.

          1. Já lhe disse chame-lhe o que quiser pois isso vale zero para a questão em causa.
            Quanto à situação em discussão que realmente importa pelos vistos não conhecemos nós nem tão pouco o sr Medina (as tais condições que refere) e isso é que é grave pois se conhecesse teria tido toda a justa causa fundamentada e arrumada na hora do despedimento. Umas questões muito diretas apenas, acha normal que se anuncie nas tvs o despedimento por justa causa de pessoal e que só depois se vá tratar de encontrar a dita cuja? Que objetivos teve este anúncio? Não terá sido o tentar sacudir água do capote!? Repito esta atuação é uma vergonha e cheira mal a léguas.

  2. “…as responsabilidades deverão ser assacadas aos mesmo que já incineraram mais de 350€ a cada português.”

    A esses e aos outros que inceneraram muito mais do que 350€ de cada português no BPN.

          1. Ora bem, mas esses são os mesmos, não são os outros.
            Estranho, o carlinhos não reagiu! Deve ter alguma coisa metida na boca, e não só.

    1. “O empresário norte-americano David Neeleman garantiu que os termos das negociações com a Airbus no âmbito do processo de privatização da TAP sempre foram do conhecimento dos governos de Pedro Passos Coelho e António Costa.”

      https://observador.pt/2023/03/10/tap-david-neeleman-assegura-que-passos-coelho-e-costa-estavam-a-par-do-negocio-com-a-airbus/

          1. “Lembra-se de quem é que nacionalizou os prejuízos do BPN?”

            Por acaso não, lembro-me é de quem fez os prejuízos do BPN.

          2. Pois, é igual à outra memória selectiva que tenta ignorar a responsabilidade do PSD.

          3. O Delito de Opinião é um blog da direita. Naturalmente para eles o PSD nunca terá culpa de nada.

          4. O Anónimo faz parte dos palermas que insistem em classificar um partido social-democrata como sendo de direita… enfim.
            Espreita o mundo através de um funil. Experimente virar o funil ao contrário e, mesmo apontando na mesma direcção, irá ficar surpreendido com o que vai descobrir.

          5. Um partido social-democrata? E a Coreia do Norte é uma república popular democrática? A direita e o PCP têm níveis de ignorância semelhantes.

  3. Bem, do mal o menos. Se a D. Christine afinal acabar por permanecer na TAP, ainda bem, porque assim evitamos ter que lhe pagar a enorme indemnização que ela (com justa causa) iria exigir. E ficamos com uma gestora competente na TAP, evitando que a SATA perca o gestor competente que lá tem.
    Portanto, não nos queixemos: recuperamos a indemnização da D. Alexandra e evitamos ter que pagar indemnização à D. Christine. Festejemos, pois.

    1. E ela, depois de passar por incompetente e culpada, de lhe ter sido negada até uma audição para que pudesse alegar algo em defesa própria, regressará ao trabalho como se nada tivesse acontecido… mais fácil era o Costa assumir que está realmente mais preocupado com a sucessão no PS do que com o país.

      1. Deixe estar, o xor balio deve pensar que todos se comportam como a horda de boys e girls do PS (os outros também a têm diga-se), pessoal que não se importa minimamente de ser enxovalhado desde que o tacho regresse ou permaneça pois sabem bem que sem ele iam cavar batatas. Esta malta lá no fundo sente-se dorida também mas sabe que fora do partido não é nada nem ninguém e, por isso, engole todos os sapos que forem precisos. Esquecem-se que há gente competente que não precisa de ser um eterno serviçal e pau de cabeleira dos interesses instalados para ser alguém na vida, coitados.

  4. Para compôr o ramalhete só falta agora o Governo, ou a TAP por ele, pôr um processo em tribunal à sociedade de advogados (a tal do irmão do Presidente) que tão mal assessorou a TAP, levando-a a cometer uma (alegada) ilegalidade. Com um bocado de sorte, força-se essa sociedade a indemnizar a TAP pela merda de assessoria que lhe prestou.

    1. E depois disso a TAP ia começar a jorrar dividendos suficientes para sermos reembolsados do que lá fomos obrigado a derreter. Nesse dia à tarde, acabava a guerra e a fome do mundo.

      1. Ahahahah, essa é boa realmente! Tão boa como a patranha de que a TAP deu lucro de 30M…então uma empresa que devorou + de 3000M e que ainda não devolveu (nem vai devolver) 1 tusto apresenta um resultado de 30M positivos? What? Não seria antes um saldo negativo de cerca de 3000M?? Pois não é porque já se percebeu que nunca irão devolver um tostão, foi tudo a fundo perdido, uma vergonha quando depois temos o que temos no SNS, educação, habitação, etc, etc e quando constatamos que nenhuma outra companhia que operava em Portugal deixou de o fazer mesmo sem receber um tostão. Aliás até quiseram ganhar slots que a TAP tenta bloquear a todo o custo. E, mesmo as outras de “bandeira” que supostamente foram ajudadas de igual modo por outros estados, como a Lufthansa por exemplo já devolveram o dinheiro aos seus contribuintes. Enfim, esta gente é incapaz de assumir que errou ou de contar a verdade seja do que for, é impressionante a falta de carácter!

  5. O Paulo Ferreira, do Observador, chamou a atenção para alguns pormenores menos claros deste relatório da IGF. Por exemplo, a CEO da TAP não foi ouvida porque a IGF, para “poupar recursos”, optou por recorrer ao testemunho dela no parlamento. Já o CFO da TAP foi ouvido pela IGF mas, parece, não há qualquer acta dessa conversa. Mentes maldosas seriam capazes de pensar que a IGF, que depende hierarquicamente do Ministro das Finanças, já sabia as conclusões deste relatório antes de começar o trabalho.

    1. E que raio de CFO é que não sabe/não responde pelo pagamento de quase 500 mil euros de uma indeminização?
      A resposta nas entrelinhas é que mesmo que ninguém o assuma, o CFO é necessário para continuar a levar a cabo o processo de venda da empresa das caravelas do sec. XXI. Se ele saísse o processo iria sofrer um atraso significativo. Mas isso só confirma que os dois sacrificados foram escolhidos anteriormente à inspeção da IGF. A independência da IGF relativamente ao Ministro que a tutela é um luxo reservado a democracias evoluídas.

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