DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Helena Sacadura Cabral: «Sou uma privilegiada. Possuo um curso, tenho trabalho, pertenci e pertenço a um certo meio cultural e até tive um palmito de cara, que, ao fim e ao cabo, me prejudicou mais do que facilitou. Mas sei que uma parte significativa das mulheres portuguesas não dispõe disto. É certo que trabalhei muito para chegar até aqui, porque nasci numa época em que o meu género ou era propriedade do pai ou do marido. Mas, a verdade é que cheguei e há quem não consiga.»

 

João Campos: «A imprensa portuguesa online aderiu quase em massa a uma campanha publicitária da Vodafone e cobriu hoje os seus portais de vermelho. No caso do Expresso, do Correio da Manhã e do Diário Económico, apenas as partes exteriores dos respectivos sites aparecem a vermelho – mas o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e o Público foram mais longe e decidiram “pintar” as suas páginas principais de vermelho, colocando o texto a preto ou a branco – o que é irrelevante, pois em ambos os casos é praticamente ilegível e quase doloroso para a vista (para além de ser pavoroso de um ponto de vista estético). Que os meios de comunicação portugueses precisem de receitas publicitárias como de pão para a boca não duvido (e esta campanha não terá sido barata), mas não me parece boa política comprometerem a visibilidade dos seus conteúdos noticiosos – que, para todos os efeitos, são aquilo que os leitores procuram. Depois admirem-se.»

 

José António Abreu: «Pergunto-me sempre se ele [Marcelo Rebelo de Sousa] teria atingido níveis de fama e respeito similares com um primeiro nome mais comum (tipo António, Carlos ou João) ou fora de moda e, por isso mesmo, ligeiramente incongruente (tipo Anacleto, Barnabé ou Frutuoso). Imagine-se Judite de Sousa dizendo: «É altura do comentário semanal do Professor Anacleto. Boa noite, Professor Anacleto. Que livros nos traz esta semana?»

 

Luís Menezes Leitão: «Estas declarações de Ferro Rodrigues de que as PPP foram “resposta às necessidades do país” demonstram bem a forma irresponsável como os políticos conseguiram afundar o país. Segundo ele, no Governo de António Guterres, “estavam apenas 1000 quilómetros de auto-estrada em serviço. Faltavam construir 2000 quilómetros de auto-estrada”. Traduzido por miúdos: mais de 1% do território do país, que tem 92.000 km2, já correspondia a auto-estradas e os nossos governantes achavam necessário subir essa taxa para mais de 3%, triplicando as auto-estradas já existentes. Aí temos o grande desígnio nacional: transformar o país num jardim de auto-estradas à beira-mar plantado.»

 

Teresa Ribeiro: «Se o mau gosto fosse lixo tóxico, a yorn estaria agora em dificuldades.»

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