
Eu: «Refaço mentalmente a planta da casa que vejo incinerada nas dolorosas imagens televisivas e nas fotos publicadas no Jornal do Fundão (e que aqui reproduzo, com uma vénia comovida). Há tantos anos deixei de morar ali e mesmo assim, ao ver estas imagens do pequeno prédio agora sem tecto nem parte do telhado, sinto que me arrancaram um órgão vital. É a primeira casa de que me despeço não com um até já ou um até sempre, mas com um até nunca mais. Amanhã regressa a rotina adulta, hoje volto a ser criança pela última vez, subitamente devolvido àquelas manhãs em que todos estavam vivos quando eu fazia anos e toda a gente sorria nessas fotografias que num dia muito distante a poeira do tempo apagará.»
