
Ivone Mendes da Silva: «Sou suspeita. Amiga de anos, vizinha da frente. Isso não me impede, porém de considerar, sem exagero, que este texto do Jorge Carreira Maia no seu Kyrie Eleison é um dos melhores da blogosfera de hoje sobre a temática da renúncia papal.»
Patrícia Reis: «A rapariga do brinco de pérola de Vermeer, 1665, decidiu ir ao brunch da Bica do Sapato. Vestiu as calças de ganga, a camisola e, sem reflectir muito, deixou um parco pequeno-almoço pronto para o companheiro. Para quando tiver fome. Assim não precisa dela. Talvez não precise dela em momento algum, mas agora pouco importa. Quando desceu as escadas, muito devagar, mirando as suas sabrinas novas, agarrada a um livro, sentiu-se mais livre.»
Eu: «Vi, ao vivo, três Papas. Paulo VI em Roma (1978), João Paulo II em Lisboa (1982), Bento XVI também em Lisboa (2010). Sempre associados a um magistério que só terminaria com o desaparecimento físico de qualquer deles. Nunca imaginei que fizesse sentido a expressão “Papa demissionário”. Já faz, desde esta manhã. Num tempo em que qualquer irrelevância se torna manchete, eis-nos perante uma verdadeira notícia. E se o romance As Sandálias do Pescador, de Morris West, antecipou em década e meia o pontificado de Karol Wojtyla, o homem que emergiu da igreja do silêncio, a renúncia de Joseph Ratzinger era de algum modo prenunciada há dois anos num filme visionário: Habemus Papam, de Nanni Moretti. Ficção e vida entrelaçadas, tornando ainda mais insondáveis os desígnios de Deus.»
