O PSD a votos (8)


Pedro Correia,

    

 

Debate Paulo Rangel – José Pedro Aguiar-Branco

 

José Pedro Aguiar-Branco superiorizou-se claramente no debate desta noite, na SIC N, com Paulo Rangel. Venceu-o em três etapas distintas: ao desmistificar a tese da "ruptura", ao referir que uma das principais propostas do seu antagonista lhe lembra o PS de António Guterres e ao comparar a estratégia de "vitimização" ensaiada por Rangel ao complexo de Calimero tão popularizado por José Sócrates.

Quem esperava um Aguiar-Branco cordato e contemporizador, equivocou-se. E o primeiro a equivocar-se parece ter sido Rangel, que a espaços não escondia expressões de incredulidade perante a contundência do actual presidente do grupo parlamentar do PSD, que não teve problema em invocar a condição de "militante recente" do seu ex-secretário de Estado da Justiça. "Eu vou até ao fim, como é óbvio", assegurou o antigo ministro da Justiça de Santana Lopes, desfazendo as últimas ilusões da candidatura de Rangel sobre uma possível desistência de Aguiar-Branco.

O chefe da bancada parlamentar social-democrata foi particularmente eficaz ao reduzir a pó uma das propostas emblemáticas de Rangel, que prevê a equiparação a secretários de Estado, sob a dependência directa do primeiro-ministro, dos cinco coordenadores regionais – em nome da descentralização territorial. "Isso não é ruptura nenhuma. É o regresso ao guterrismo", afirmou Aguiar-Branco, acusando Rangel de "copiar" esta proposta de Elisa Ferreira, que foi ministra de Guterres.

"Isso são larachas", replicou o eurodeputado, incapaz de articular melhor resposta. Já então Aguiar-Branco marcava o ritmo do debate, o que certamente surpreendeu aqueles analistas que o encaravam como carta fora do baralho. Lembrou, por exemplo, que foi ele o coordenador da vitoriosa campanha de Rangel às europeias – facto que o eurodeputado tem escamoteado na sua persistente tentativa de se assumir como responsável único desse triunfo eleitoral contra o PS encabeçado por Vital Moreira. "Eu não digo, ainda que de forma indirecta, que a certa altura saí do processo decisório", atirou ainda Aguiar-Branco a um Rangel que oscila entre as proclamações de fidelidade a Manuela Ferreira Leite e críticas cirúrgicas a decisões tomadas pela direcção cessante do partido.

Este foi o segundo debate perdido por Rangel. E foi, sem dúvida, o melhor momento da campanha de Aguiar-Branco até agora.

25 comentários em “O PSD a votos (8)”

  1. Também achei. Penso que as pessoas são tentadas a iludir-se com Aguiar-Branco , confundindo os sinais de rectidão e fairplay com falta de assertividade e de espírito combativo. O que anda bem longe da verdade. Aliás, para além desse erro de avaliação (que só prejudica quem o comete), aquilo que mais me confrange no eleitorado próximo do PSD é verificar até que ponto o paradigma do político está depauperado em Portugal. Só pode ser a contaminação do efeito Sócrates, contra quem as tropas de sinal contrário já só concebem opor alguém com idênticas qualidades exteriores: demagogia, fogo de artifício, festival verbal (passe o facto de que Paulo Rangel não se assemelha em mais nada).
    Parece, portanto, que o sinal externo é tudo, ao ponto insensato de se desvalorizar o que realmente pode fazer a diferença num político, especialmente na hora que atravessamos: integridade absoluta, experiência, abertura e maturidade.
    O JPAB tem outro atributo inestimável, para além dessa sua segurança natural que não precisa de ser teatralizada: é um democrata genuíno.

    1. Aprecio nele também a fidelidade às origens. Creio que JPAB é um dos raros sociais-democratas genuínos que restam no PSD, um partido «social-democrata» onde pululam liberais e conservadores que deviam andar noutras agremiações partidárias.

      1. Outra coisa que ficou claríssima: quem fintou quem na história do anúncio da candidatura. PR não desmentiu AB quanto à versão dos factos que este relatou em directo. Está tudo dito quanto a esta matéria.

  2. Este vi em directo e se me permite, Pedro dixo aqui cópia do meu post ontem no VF logo a seguir ao de bate.Abraço

    “Se dúvidas havia que Rangel era o pior preparado para este confronto, a três, para a liderança do PSD e que se precipitou aquando da sua candidatura rompendo com o acordo que tinha com Aguiar Branco, nos dois debates elas ficaram dissipadas,em minha opinião.Vi o debate com Passos Coelho na net e hoje com Aguiar Branco em directo, perdeu os dois, claramente.

    Fiquei também mais convencido que a vitória nas europeias se deveu mais ao PS que a Rangel e que ele, PR, ainda não tem “estaleca” nem competências para liderar o maior partido em Portugal e muito menos o país.Depois deste debate não me admirava que seja ele, Paulo Rangel, a desistir em favor de Aguiar Branco.Se não o fizer será o “culpado” pela vitória de Pedro Passos Coelho.”

  3. Esta guerra, claramente não é a minha. Sou uma observadora distanciada, interessada só na medida em que mais dias menos dia algum dos três será o nosso primeiro-ministro. Dos três só assisti à apresentação de candidatura do Paulo Rangel movida pelo clima de levantamento geral que precedeu uma manifestação de T-shirts brancas. Talvez isso me tenha levantado defesas inúteis, pelo desabridismo da apresentação , a rasgar tudo, a limpar e a romper. Já me estava a ver enfiada num alguidar com lixívia. Afinal não valia a pena assustar-me, o rapaz é demasiado pomposo, petulante, convencido e mal agradecido aos que o ajudaram, que é das coisas que não perdoo a ninguém. Depois é um menino prodígio, parece que desde o 6 anos de idade se interessa activamente pela política, tanto que nem se consegue lembrar em quantos partidos entrou e saiu… Quanto a carácter estamos conversados.
    Em termos pessoais, simpatizava bastante mesmo com Aguiar Branco, até que um belo dia ele estragou tudo aquando da campanha do Não à IVG. Não pela posição legitima de assumir uma posição contrária à minha, mas porque não me esqueço de um debate na TV em que eu nem queria acreditar no que estava a ouvir, de tal forma a posição que ele defendeu era reaccionária e ultramontana. Uma falta de visão, de senso e sensibilidade aterradoras Não lhe perdoo. De modo que resta PPCoelho que continua a ser uma incógnita para mim, embora ultimamente me pareça já com a lição bem estudada.

  4. Aguiar Branco surpreendeu-me positivamente, pois demonstrou que não é escravo da bonomia a que nos habituou e que, sem nunca perder a elevação, tem energias mais do que bastantes para se bater por aquilo que defende. Um senhor! Está, de longe, acima do artificialismo oco de Passos Coelho e, como demonstrou, tem uma maturidade e uma responsabilidade a que Rangel, por ora, não consegue equiparar-se.
    Desfez-me completamente as dúvidas, o Dr. Aguiar Branco, e provou ser o melhor candidato para o PSD e para o futuri governo de Portugal.

  5. Boa Tarde
    Antes de mais uma palavra á Dr.ª Manuela Ferreira Leite, deveria tentar uma conversa em off com todos os possíveis candidatos ao PSD ou melhor reunir o núcleo duro e tentarem chegar a um acordo, para haver 1 só candidato para mostrar-mos ao Pais um PSD forte, unido e coeso, mas claro não consegui ou nem sequer tentou. Quanto aos candidatos, sem duvida o mais perfilado e com melhor estrutura para Presidente do PSD e o futuro Primeiro Ministro, com ideias novas, com muita força de mudar este Pais que cada dia que passa se afunda mais, é sem duvida o Dr. Pedro Passos Coelho.

    1. Repare, Helder: a unidade deve acontecer depois e não antes. Se acontecer depois, é uma prova de força e de vitalidade do partido. Se acontecer antes, é uma prova de fraqueza. Nesta fase, quantos mais candidatos aparecerem melhor. É a fase do debate, da discussão, da escolha. Que escolha poderia haver com um só candidato?
      O PS em 2004 teve três candidatos numa corrida à liderança muito disputada. Deu assim uma prova de vitalidade não só para os militantes do partido mas para todo o País. O PSD pode e deve fazer o mesmo agora. Conseguirá? Essa é a incógnita.

  6. Concordo plenamente com a opinião expressa por Pedro Correia.
    Já tinha apreço por Aguiar Branco e agora confirmei que é de uma argúcia e acutilância muito grande. Atento e com um sentido de responsabilidade que eu creio serem qualidades muito necessárias ao líder que vamos agora escolher. A coerência, a seriedade, a educação e a serenidade, para além de uma credibilidade pessoal e profissional que se exigem ao líder do maior partido da oposição, foram, ao longo da entrevista, várias vezes demonstradas nas palavras e no comportamento do Dr. Aguiar Branco. Assisti à apresentação do livro e da candidatura de Passos Coelho em Faro, a semana passada. Tenho seguido as entrevistas aos candidatos na SIC. Acho que a de ontem foi a mais consistente e, sobretudo, a mais esclarecedora. Espero que os militantes que estão em condições de votar, reflictam e não se deixem embalar por ritmos que, afinal, o que fazem, é a ruptura…com a verdadeira melodia.

    1. Não concordo nada com a crónica de Pedro Correia. Tem uma incorrecção grave (que refiro a seguir) de quem esteve desatento ao debate e que, por isso, aparenta só ter ouvido o soundbyte. Aliás, o mal de Rangel é não estar na linha da frase fácil e “catchy” de que são tão fãs os comentadores políticos deste país, a maioria bastante mais bacocos que os nossos políticos de nível rasteiro. De qualquer das formas, a minha convicção é, exactamente, de que Rangel é diferente e o necessário para Portugal e para a revitalização da vida portuguesa. A verdade, porém, é que a comunicação social também não tem ajudado, demonstrando-o aquelas sínteses que elaboram logo a seguir ao debate, procurando apenas a retenção no espectador de frases vazias e pseudo-polémicas.
      Ora, diz Pedro Correia, que Rangel não conseguiu articular outra resposta que não a do “isso são larachas” quanto à questão da descentralização territorial. Viu mesmo o debate? Rangel disse muito mais do que isso e explicou perfeitamente que a sua ideia não era comparável ao diploma socialista de Elisa Ferreira e que o que quer não é a mera equiparação para efeitos de estatuto, mas sim torná-los secretários de Estado. Independentemente do mérito da proposta, não lhe fica bem dizer que só ouviu a parte das “larachas”: foi apanhado pelo soundbyte.

      Quanto a Aguiar-Branco, foi aquilo que lhe interessava ser na perspectiva de se promover no meio de comunicação social respectivo: não apresentou uma ideia, não discutiu verdadeiramente uma ideia sua ou da parte contrária, rebateu falsa e falaciosamente as ideias opostas, esteve sempre na atitude do pseudo-ataque que cria polémica.
      Lamento por todos que consideram que rebater, por exemplo, de uma maneira substancial e meritória, a ideia da descentralização territorial de Rangel é puxar de um diploma socialista. A isso chama-se vazio.

      Rangel é o melhor político que nos apareceu nos últimos tempos e é um motivo para apostarmos nele se querermos revitalizar a política portuguesa. Já sabemos, corre contra a maré: a comunicação social é medíocre, os comentadores da mesma estirpe e a população incapaz de análise crítica do estado de coisas e de distinguir a substância da forma. Azar o dele e, em última análise, azar o nosso que levamos com mais uns palermas nos próximos anos.

      1. Até parece que não vimos o mesmo debate. No debate que eu vi, Aguiar Branco foi claramente superior. Na parte das CCR, deixou bem evidente que se trata de uma proposta decalcada de Elisa Ferreira. Rangel, talvez por não esperar o estilo acutilante de AB, remeteu-se à defensiva. Como já tinha feito no debate com PPC. Não por acaso, hoje a imprensa já refere que PR dispensou os seus consultores de imagem. Como se a culpa da falta de chama da sua campanha seja dos referidos consultores.

  7. Gostaria de pedir a quem quer que seja, que ganhe a liderança deste partido, o seguinte:
    Assim como há reformados em tudo na vida, se mande os ” os velhos do Restelo também”.
    Funchal – Madeira
    JMAbreu

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *