
Ana Vidal: «Quem dá o que tem, a mais não é obrigado. À falta de obra que fique para a história, [António José] Seguro deixará ao partido e ao país… um telemóvel.»
Helena Sacadura Cabral: «Devo confessar que me não entusiasmava muito ir ver o Lincoln. Mas como todos estavam interessados e eu adoro deslocações em bando familiar lá fui. O filme, baseado no romance Team of Rivals: The political genius of Abraham Lincoln, de Doris Goodwin, é realizado por [Steven] Spielberg e centra-se nos últimos quatro meses de vida do Presidente, nomeadamente na sua luta pela 13.ª Emenda que ilegaliza a escravatura e fim da Guerra Civil Americana. Conta com um belíssimo naipe de actores de que destaco em particular uma Sally Fields espantosa, um Tommy Lee Jones no seu melhor e um David Strathairn impecável.»
José António Abreu: «Não foi a União Europeia que escolheu, delineou e implementou os projectos de investimento (as auto-estradas, os estádios, o Magalhães, as obras da Parque Escolar) nem que multiplicou observatórios, institutos e fundações, nem que autorizou prejuízos cada vez mais elevados nas empresas públicas, nem que fechou os olhos aos excessos do poder local e regional, nem que subiu prestações sociais e salários do sector público acima da taxa de crescimento económico.»
Luís Menezes Leitão: «A situação no PS começa a parecer-se cada vez mais com um drama de Shakespeare. A questão começou com a ascensão de António José Seguro a líder, o qual sempre foi considerado pelos socráticos como um usurpador. Na verdade, como na altura foi salientado, Seguro não esperou sequer que o cadáver político de Sócrates arrefecesse, anunciando a sua candidatura à liderança na própria noite da derrota eleitoral. Os órfãos de Sócrates não lhe perdoaram nunca essa traição, esperando que o fantasma político do seu querido líder regressasse para denunciar a odiosa usurpação.»
Eu: «Com um ritmo trepidante, uma notável fluência narrativa e uma meticulosa reconstituição daqueles dias de som e fúria que marcaram a transição entre um trono milenar convertido em inaceitável símbolo do despotismo e uma revolução que prometia ser fiel à voz da rua mas não tardou a silenciá-la por sua vez, Argo é um daqueles filmes que sabem o que querem e para onde vão. Rodado com mão segura por Ben Affleck, que aqui se confirma como cineasta de mérito e actor de gama muito mais vasta do que sugeriam as comédias românticas em que se vinha enredando com excessiva frequência.»
