Ana Sá Lopes é uma jornalista conhecida da imprensa escrita, assim como de programas de rádio e de frequentes aparecimentos televisivos. Actualmente é redactora-principal do Público. Quem já leu o que escreve e já ouviu o que diz, sabe que é uma pessoa de esquerda, frequente defensora do poder socialista assim como de muitas propostas mais à esquerda. Nada de novo de baixo do sol.
Com esta informação como pano de fundo, confesso que fiquei surpreendido com a sua crónica de ontem no Pùblico, quando, no que respeita às suas convicções sobre a superior capacidade do estado em gerir a saúde, assume ter atirado a toalha ao chão.
Reconhece que, por experiência pessoal, pode afirmar que nos hospitais Beatriz Ângelo e das Caldas da Rainha, o fim das PPP’s correspondeu a um serviço muito pior.
Ao contrário do que certamente faria se deles não necessitasse, o que é sempre um mau motivo, reconhece que “os serviços de excelência dos tempos da PPP, que cobria uma faixa enorme de população, não necessariamente a mais favorecida, desapareceu”. Mais à frente reconhece que o SNS está à beira da implosão.
Lamento que tenha sido necessário lidar com a necessidade de assistência médica para deitar para trás das costas a ideologia, mas vergo-me à honestidade intelectual que lhe permitiu escrever esta crónica.

‘não há nada como realmente’
«O experiencialismo, princípio condensado na frase de Duarte Pacheco “a experiência é a mãe de todas as coisas”, emergiu na época renascentista, altura em que o Humanismo obrigou à descoberta das realidades relacionadas com o Homem e o seu contexto. »
Duarte Pacheco Pereira in Esmeraldo de Situ Orbis
É um princípio que ainda hoje, tantos anos depois, ainda tem um longo caminho a percorrer. Pelo meio sofre-se, e morre gente.
Infelizmente, é preciso que as figuras de esquerda sofram na pele aquilo que a maioria dos portugueses sofrem ,para mandar às malvas as ideologias.
A senhora deputada Alexandra Leitão, que até foi responsável pela educação, tem os filhos no colégio alemão.
A hipocrisia desta gente é obscena.
É verdade. A realidade aleija.
Essa senhora, que para mim era a ministra metáfora do anterior governo, foi sempre a mais aguerrida opositora das escolas com contrato de associação. É a total falta de noção.
penso que o hospital de caldas nunca foi ppp , mas quanto à qualidade do serviço , que horror…é mal gerido até dizer basta. os médicos não fazem equipas , não se conhecem uns aos outros , muitos são contratados á hora , o restante pessoal é demasiado numeroso , andam a passear de um lado para o outro , vão para a rua fumar ..nem vos passa.e nem falo nas instalações , a cair de podre.
e efectivamente , há uns anos não era nada disto.
quanto ao hospital ser no bombarral , é a solução mais justa , mesmo que a ana não goste: há bons transportes públicos entre caldas e bombarral , e de carro são 10 minutos.
o que não acontece entre caldas e torres. tive um problema ortopédico e tinha que andar sempre a pedir boleia para ir ás consultas ( ortopedia só em torres) transporte unicamente comboio e horrível.
Este dois hospitais aqui referidos são apenas dois de entre muitos por esse país fora.
Assumir o que a Ana Sá Lopes aqui assume, é um passo de gigante para a resolução do problema.
Faz-me lembrar os tempos da Covid quando fecharam hospitais privados por medo, precisamente, da Covid
.
Lembro-me nos tempos da Covid quando grávidas co Covid iam a hospitais privados e eram despachadas para os hospitais públicos.
Acha que é assunto para rir, mas nem sequer explica de concorda que haja ou uma complementaridade do público e do privado.
Imagine que para fazer uma análise ao sangue tinha de ir para um centro de saúde. Ache que os laboratórios que se dedicam a este serviço, e que competem entre eles, funcionam mal?
Não. Acho que é assunto para chorar.
Acho péssimo que os hospitais possam fechar em situações de crise. E acho que um hospital não pode chutar os doentes para outro hospital. Ou isto é alguma novidade para si?
Entendeu tudo o que eu disse, excepto o que não quis entender.
Entendi. E também entendeubo que eu quis dizer.
“Eu era contra as parcerias público-privadas, até [me ter tocado a mim o SNS]”
“Estou a falar em interesse próprio”
“A vida de todos nós [tradução: a minha] seria melhor se a PPP tivesse sido renovada”
“Já aconteceu [adoecer nas Caldas] e fiquei num lugar que mais parecia uma oficina de automóveis”
“Se não for possível contar com o Estado, como parece que não é…”
“Faço um apelo aos privados: por favor, abram um hospital decente nas Caldas [cidade onde passo a maioria dos fins-de-semana]”
“Era capaz de ser boa ideia alargar a ADSE a todos”
O que desejar a quem passou a vida quentinha nos bons hospitais privados, ou geridos por privados, a ver aquelas reportagens regulares dos velhinhos à espera à porta dos centros de saúde desde as 3 da manhã, ao frio de Inverno, para garantir uma consulta, e que sempre elogiou as maravilhas do SNS (para os outros) até esse SNS lhe ter tocado em sorte?
Pois é isso que se deseja ardentemente para a escriba e em dobro.
Cuidado com o efeito Karma.
Penso que o que Ana Sá Lopes diz não representa honestidade intelectual. Representa constatação de factos e completa ignorância do que são estudos estatísticos (e outros).
Aceitar a realidade, ou deitar a toalha ao chão segundo ela, é um passo de gigante para se poder resolver o problema. Não descuro o detalhe da metáfora da “toalha ao chão”. Parece que estamos num ringue de boxe a debater o que se passa no SNS. Talvez não fosse uma metáfora deliberada a esse ponto, mas interpreto-a por adequada também por isso.
“é um passo de gigante para se poder resolver o problema.”
Para resolver o problema, não estou certa. Mas é de certeza um passo de gigante para pensar como você.
A Manuela não sofre de nenhuma doença crónica como a que padece Ana Sá Lopes. Sorte a sua que assim pode continuar a lutar contra uma ideia. Ainda não deitou a toalha ao chão. Continua em combate. Os seus adversários são os que necessitam do SNS. Um sistema se saúde como o alemão seria inaceitável.
Também dou os meus parabéns à Ana Sá Lopes por mudar a sua opinião frente aos factos que estão à sua frente. A maioria limita-se a não ver os factos quando esses vão contra à sua ideologia prévia. É preciso coragem para mudar de opinião e a maioria não a tem.
E já agora, até Adalberto Campos Fernandes, anterior ministro socialista, sugere agora que alargar o sistema ADSE à maioria da população!
Adalberto Campos Fernandes existe num patamar de honestidade diferente. Tão diferente que há muito deixou de merecer a confiança política da situação.