A facilidade com que se editam livros, nos dias que correm, é directamente proporcional à falta de elementares cuidados nestas edições. O que se comprova nos mais pequenos pormenores. Neste livro que estou a ler, por exemplo. É Numa Pensão Alemã, da grande escritora neozelandesa Katherine Mansfield, contemporânea de Kafka, Pessoa e Thomas Mann. Tento informar-me sobre a data original da publicação desta obra nas badanas do livro. Só consigo ficar baralhado. A badana esquerda indica-me que Mansfield, falecida aos 35 anos, “ficou conhecida pelos seus inúmeros(?) livros, entre os quais Numa Pensão Alemã (1920)”. Enquanto a da direita indica que foi na Baviera que “escreveu as histórias publicadas pela primeira vez em formato de livro em 1911, intitulado Numa Pensão Alemã.”
Editar muito – e mal
Pedro Correia,
Assim vai a edição em Portugal: aumenta a quantidade, piora a qualidade. A olhos vistos.


.. dela só conheço “a cup of tea” 🙂 e a frase magnífica que lhe é atribuída .. “I want to be all that I am capable of becoming” .. me too!
🙂
Concordo inteiramente com o que dizes, compadre. Como sabes, estou cheio de tratar de edições e acho uma lástima muito do que se vê por aí.
Há edições primorosas, de uma qualidade indiscutível, mas há também outras que são feitas com os pés – cada vez mais feitas com os pés. Traduzidas com os pés, apresentadas com os pés, anotadas com os pés.
Se houvesse uma ASAE para o sector dos livros, muita chafarica seria fechada…
(não sei porquê mas volta não vira o meu registo não entra .. é meu o “cup of tea” Pedro 😉 desculpa)
Muito bem, Catarina. Gosto muitos dos contos de Katherine Mansfield, que recomendo vivamente. Falarei em breve num deles aqui.
In a German Pension ~ In einer deutschen Pension 1911!!!
Obrigado pelo esclarecimento. Do mal o menos: uma das badanas estava certa. Cheguei a admitir que estivessem ambas erradas.
Editar muito e mal acaba inevitavelmente num crime contra os livros: a guilhotina, esse moderno destino que as editoras lhes dão agora. Pelo menos que dessem as sobras a bibliotecas públicas, de cá ou dos países lusófonos… ou até que os oferecessem à Joana Vasconcelos para uma escultura original!
Ora bem. Plenamente de acordo. Aliás, sempre embirrei com guilhotinas.
És tu e a Maria Antonieta…
Mas eu, ao contrário dela, também embirro com brioches.