O grau zero do jornalismo não passa, para mim, por nenhum dos "casos" que os recentes escândalos políticos revelaram. O grau zero do jornalismo revela-se, sim, em casos como este que o Vasco Lobo Xavier descreve no Mar Salgado. Porque colocar perguntas daquelas requer, mais do que a total ausência de inteligência, uma total ausência de bom senso.
O grau zero
eventhorizon,

Assino por baixo.
Isto já é grau abaixo de zero, João. Mas não é invulgar, infelizmente. Pelo contrário, ouvimos frequentemente estes pretensos “jornalistas” apontarem uma câmara e perguntarem a vítimas das mais diferentes catástrofes, ainda em pleno estado de choque: “E diga lá, o que é que está a sentir agora?”
Eu lembro-me disso, de ver “jornalistas” em directo da Serra de Monchique durante os fogos do início da década. “Como se sente” perante uma vida reduzida literalmente a cinzas.
Mas vi um melhor, muito melhor. Uma “jornalista” a entrevistar um ex-camionista que adormecera ao volante e colidira com um carro numa auto-estrada, matando os cinco ocupantes do carro (uma família). O homem passou a entrevista de lágrimas nos olhos, e mal conseguia falar. A dada altura a “jornalista” pergunta-lhe “e nunca ponderou suicidar-se?”
Isto nem lá vai a tiro.
Melhor fôra a repórter perguntar-lhe: Nunca ponderou suicidar-me?…
Isto é na verdade o grau zero do jornalismo, se é que é se pode chamar a isto jornalismo.
O que se conclui, é que na citada entrevista se encontravam não apenas um, mas três anões. Dois deles com a pior espécie de nanismo que existe – a da inteligência.