DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «A tal deputada que conduz com valentes copos em cima já se demitiu?»

 

José Navarro de Andrade: «É aqui que a porca (com o devido respeito) torce o rabo, porque se confunde a dor, que é um sistema de alarme fisiológico proporcionado pelo sistema nervoso, com “crueldade” que é o acto de provocar dor intencionalmente. “Intencionalmente” é de facto a palavra-chave: quando o leão ferra as suas mandíbulas no esófago e na carótida do búfalo, matando-o muito devagar por asfixia e exaustão, estará a ser cruel? Presumo que não, por uma simples razão: ele não é racional, logo não delibera em termos éticos, logo sabe o que é a dor mas ignora o que é a crueldade.»

 

Leonor Barros: «O belíssimo relatório do FMI, recebido com um sorriso acolhedor por um tal de Carlos Moedas e aclamado como um bom relatório pelo roedor-mor, baseia-se afinal em pressupostos errados, diz agora o  Ministro Mota Soares. Vejam se se entendam antes que tenhamos fugido todos a esta cambada e não tenham mais ninguém a quem extorquir euros e pagar a crise ou o empréstimo ou seja lá o que for em que empregam o que nos sacam.»

 

Eu: «Acho um absurdo ver mais pessoas a mobilizar-se por um animal do que por um ser humano. Desde a difusão mundial dos filmes produzidos por Walt Disney com as suas personagens antropomorfizadas, criou-se a convicção que os animaizinhos, coitadinhos, são iguaizinhos a nós. Rejeita-se a natureza em função da dimensão “cultural” dos bichos, fecha-se os olhos a essa evidência que é o instinto primário, faz-se de conta que nunca foi sequer inventada a palavra feroz – algo que soa a um inaceitável primitivismo.»

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