
Toby Keith – Don’t Let the Old Man In
Esta canção é do músico country Toby Keith, que a compôs após uma conversa com Clint Eastwood – tendo-lhe perguntado a razão da sua energia e constante azáfama cinematográfica, ele, então com 88 anos, respondeu-lhe que todos os dias o velhote lhe batia à porta. E que ele não o deixava entrar.
Foi uma amiga, também colega e companheira de andanças em Moçambique, que me deu a conhecer – a canção e o episódio que a originou. Isto porque eu lhe confidenciara que o tal velhote não me larga a porta, decerto porque aqui há atrasado dele me condoí, em dia agreste acolhi-o junto à salamandra, ofereci-lhe um Queen Margot (o gajo é da pinga, bebeu-me quase a garrafa toda), e agora anda sempre a rondar-me. Vagabundo que é – sem-abrigo, deve-se agora dizer destes sem-poiso – apercebeu-se assim das brechas na minha blindagem, e logo se deixou acampar com os seus pertences aqui nas cercanias, vai acenando e até saudando num “ó vizinho!”, na expectativa de alguma cálida sobra ou mesmo, temo-o, refúgio constante. Tanto que já me esgueiro, lesto, à entrada de casa, feito de ouvidos moucos, atrapalhado angustiado.
Por isso aqui deixo o meu alerta, para este 23 que daqui a bocado começa, urge seguir o conselho do Clint. Tomai pois atenção, dizei-lhe, ao sacana do velhote, “Arrede-se, Senhor” ou “Vai-te f…, velho do c…!”. Consoante a vossa disposição, retórica, auto-imagem, seja lá o que for.

o último parágrafo pode ser dedicado aos dirigentes
tal como Buona parte, lula coroa-se a si próprio
Excelente conselho. Sou um admirador confesso do Clint E. e tb do T.Keith. Sendo a vida um conjunto de histórias e aventuras só temos que viver as melhores. E a história de vida do Clint E vale a pena. Um bom ano.
Que tal oferecer-lhe uma garrafinha todas as semanas e deixar-se de ser sovina.
Sou grande apreciadora do Clint Eastwood, mais como realizador, mas a tiradas do Dirty Harry fazem parte integrante do meu léxico. Nos westerns spaghetti também era o maior, mas discurso não era tão interessante. Os filmes dele são todos bons, com um por outro cuja excelência me custa a admitir, mas a verdade é que sou capaz de rever.
Só lhe aponto um defeito, ter sido apoiante de Trump em 2016. Corrigiu com a integridade que lhe conhecemos, mas fica a mágoa. Bom Ano Novo jpt.
Maria Dulce Fernandes, nós temos sobre isto ideias algo diferentes. Explico-me: estou ciente (e disso certo) de que Clint Eastwood é o único avatar da actualidade, e isto desde há já várias décadas (e nisso preocupa-me, pois me parece que o relativo absentismo palpável da Entidade denota algum desinteresse no nosso rumo e, quiçá, destino). Quanto ao pequeno caso que refere gostaria de esmiuçar – Clint referiu-se a Trump através de uma parábola (típica metodologia discursiva avatariana), nisso decerto querendo convocar os seus compatriotas a uma reflexão mais funda. Não se tratou de um “apoio”, mas sim de um diagnóstico (https://www.reuters.com/article/uk-fac tcheck-eastwood-biden-idUSKBN27D2O7 )
Sabe jpt eu creio que CE influenciou e muito a opinião pública, afirmando que não votaria na Hillary Clinton. Isto é claramente para bom entendedor diagnosticar. Mas como lhe disse, também ao último avatar, temos que “forgive the Unforgiven”.
Pois, até porque “tortuosos são os caminhos da Entidade”
Isso da Entidade assim de repente tráz- me um fugaz vislumbre de Mad Max.
Pois, aí a Entidade veio agora a assumir a forma (mas não o conteúdo) Charlize
É no que dá ser velho, jpt. Eu estava a pensar na Tina Turner.
Tenho que ser explícito, acima referi a escassez de avatares nas últimas décadas. A Tina é anterior a este período de potencial ateísmo…
Muito bom. Meu caro, um abraço amigo com os melhores votos para o ano novo. Que não faltem os cinco sentidos em 2023 – visão, audição, olfacto, paladar e tacto. Tudo o resto vem por acréscimo.
Avante