Conselhos para um bom 2023


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Toby Keith – Don’t Let the Old Man In
 
Esta canção é do músico country Toby Keith, que a compôs após uma conversa com Clint Eastwood – tendo-lhe perguntado a razão da sua energia e constante azáfama cinematográfica, ele, então com 88 anos, respondeu-lhe que todos os dias o velhote lhe batia à porta. E que ele não o deixava entrar.
 
Foi uma amiga, também colega e companheira de andanças em Moçambique, que me deu a conhecer – a canção e o episódio que a originou. Isto porque eu lhe confidenciara que o tal velhote não me larga a porta, decerto porque aqui há atrasado dele me condoí, em dia agreste acolhi-o junto à salamandra, ofereci-lhe um Queen Margot (o gajo é da pinga, bebeu-me quase a garrafa toda), e agora anda sempre a rondar-me. Vagabundo que é – sem-abrigo, deve-se agora dizer destes sem-poiso – apercebeu-se assim das brechas na minha blindagem, e logo se deixou acampar com os seus pertences aqui nas cercanias, vai acenando e até saudando num “ó vizinho!”, na expectativa de alguma cálida sobra ou mesmo, temo-o, refúgio constante. Tanto que já me esgueiro, lesto, à entrada de casa, feito de ouvidos moucos, atrapalhado angustiado.
 
Por isso aqui deixo o meu alerta, para este 23 que daqui a bocado começa, urge seguir o conselho do Clint. Tomai pois atenção, dizei-lhe, ao sacana do velhote, “Arrede-se, Senhor” ou “Vai-te f…, velho do c…!”. Consoante a vossa disposição, retórica, auto-imagem, seja lá o que for.

14 comentários em “Conselhos para um bom 2023”

  1. Excelente conselho. Sou um admirador confesso do Clint E. e tb do T.Keith. Sendo a vida um conjunto de histórias e aventuras só temos que viver as melhores. E a história de vida do Clint E vale a pena. Um bom ano.

  2. Sou grande apreciadora do Clint Eastwood, mais como realizador, mas a tiradas do Dirty Harry fazem parte integrante do meu léxico. Nos westerns spaghetti também era o maior, mas discurso não era tão interessante. Os filmes dele são todos bons, com um por outro cuja excelência me custa a admitir, mas a verdade é que sou capaz de rever.
    Só lhe aponto um defeito, ter sido apoiante de Trump em 2016. Corrigiu com a integridade que lhe conhecemos, mas fica a mágoa. Bom Ano Novo jpt.

    1. Maria Dulce Fernandes, nós temos sobre isto ideias algo diferentes. Explico-me: estou ciente (e disso certo) de que Clint Eastwood é o único avatar da actualidade, e isto desde há já várias décadas (e nisso preocupa-me, pois me parece que o relativo absentismo palpável da Entidade denota algum desinteresse no nosso rumo e, quiçá, destino). Quanto ao pequeno caso que refere gostaria de esmiuçar – Clint referiu-se a Trump através de uma parábola (típica metodologia discursiva avatariana), nisso decerto querendo convocar os seus compatriotas a uma reflexão mais funda. Não se tratou de um “apoio”, mas sim de um diagnóstico (https://www.reuters.com/article/uk-factcheck-eastwood-biden-idUSKBN27D2O7 )

      1. Sabe jpt eu creio que CE influenciou e muito a opinião pública, afirmando que não votaria na Hillary Clinton. Isto é claramente para bom entendedor diagnosticar. Mas como lhe disse, também ao último avatar, temos que “forgive the Unforgiven”.

          1. Tenho que ser explícito, acima referi a escassez de avatares nas últimas décadas. A Tina é anterior a este período de potencial ateísmo…

  3. Muito bom. Meu caro, um abraço amigo com os melhores votos para o ano novo. Que não faltem os cinco sentidos em 2023 – visão, audição, olfacto, paladar e tacto. Tudo o resto vem por acréscimo.

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