DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Campos: «Na pior das hipóteses, um livro sobre Salazar pode ser educativo. O que, nos dias que correm, já não é nada mau.»

 

José Navarro de Andrade: «Qualquer médico que vá à televisão predispõe-se a dizer coisas como “foi diagnosticada no paciente uma patologia de índole cutânea” só para complicar a frase “o doente tinha comichão”. Quando ele assim fala não é a nós leigos e abstractos que se dirige mas aos seus colegas de serviço que não o levariam a sério se se exprimisse doutro modo. Um dia numa viagem com um emérito gestor ele propôs que “consolidássemos as malas num dos quartos” antes de fazer check out no hotel. Pobre prisioneiro do seu linguajar, que já dele não se libertava mesmo em situações profanas.»

 

Leonor Barros: «Um dos problemas do Sócrates, e eram alguns, era a sua arrogância. Ficou bem claro quando se aventurou numa língua que não era a sua e expôs ao mundo a incapacidade em comunicar em inglês e posteriormente em castelhano. Tendo tradutores/intérpretes ao seu dispor ter-nos-ia poupado a todos o vexame de ver o seu inqualificável discurso escarrapachado na página oficial da Casa Branca e, uma vez público este episódio de má memória, poderia ter-se calado. Poderia ter admitido que era um incapaz no que se refere a línguas estrangeiras e não reincidir.»

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