DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José António Abreu: «Há as pessoas que estão caladas por não saberem ou não fazerem questão de mostrar que sabem. Há as pessoas que falam do que não sabem. Há as pessoas que falam do que sabem pelo prazer que isso lhes dá ou para esconder o que não sabem. Das pessoas que falam do que sabem, algumas sabem pouco e tornam-se chatas. Outras esforçam-se por saber cada vez mais e são fascinantes – ou, para os que não querem saber ou não sabem aceitar as capacidades alheias, incómodas.»

 

Teresa Ribeiro: «Em Amor, Michael Haneke mostra-nos o que acontece às pessoas que perdem o nome. Sempre que sou forçada pela vida ou pela imitação da vida que é o cinema a olhar para onde não quero, lembro-me da inolvidável cena de Malcolm Mcdowell em Laranja Mecânica, de olhos arreganhados por pinças e preso a uma cadeira a ver cenas intermináveis de sexo para se curar. Neste filme, Haneke também nos obriga à visualização compulsiva da obscenidade que é a perda da autonomia e da dignidade na velhice através do desempenho magistral de Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Mas a prova mais difícil de Amor tem como figura chave a personagem de Isabelle Huppert, que interpreta a filha do casal idoso.»

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