A violação do segredo de justiça é crime, diz ele. E logo os papagaios de serviço, mais papistas que o papa, repetem por todos os cantos: é crime, é crime, é crime, é crime, é crime, é crime…
Pois se é crime só têm uma coisa a fazer: accionem as competentes queixas-crime. Os tribunais servem para isto mesmo: para avaliar, entre uma possível colisão de direitos, qual deve prevalecer. E pode ser que se repita o que ainda agora sucedeu no Tribunal de Oeiras: a absolvição de vinte jornalistas acusados de "violar o segredo de justiça" no caso Casa Pia. Jornalistas da SIC, TVI, Expresso, Visão e Grande Reportagem. Entre esses jornalistas figuravam Alcides Vieira, Ana Leal, António Costa, Felícia Cabrita, José António Saraiva, José Eduardo Moniz, Lourenço Medeiros, Manuela Moura Guedes, Mário Moura e Pedro Camacho.
Os mesmos que falam em "crime" – sonhando ser simultaneamente acusadores, juízes e executantes de pena, como se Portugal fosse o Zimbábue – desta vez ficaram calados. Mas a absolvição de vinte jornalistas devia ser notícia no país de José Sócrates, o primeiro-ministro que até hoje levou mais profissionais do jornalismo a tribunal.
ADENDA: A proposta da procuradora-geral adjunta Cândida Almeida de pôr os magistrados sob escuta para melhor desvendar os alegados crimes de violação do "segredo de justiça" foi acolhida por um coro quase unânime de críticas. Nada de admirar. Pelo menos nenhum jornalista se espantará.


Não serão todos é claro!… mas temos neste país como em outros, os bons jornalistas e os jornalistas da treta. Uns fazem bom jornalismo com pés e cabeça, outros são os arautos da liberdade de imprensa e confundem liberdade com libertinagem.
Berlusconi não diria melhor.
Mas não se acanhe. Pode sempre chamar isto aos jornalistas que ousam beliscar o poder político: «corruptos, traidores, comunas, súcias, fascistas, tolos, incapazes, incultos, vingativos, desonestos, gente reles, mentes recalcadas, bastardos, exóticos, incumpridores de estatutos editoriais, ralé que não toma banho».
Tem é de pagar direitos ao autor. Alberto João Jardim.
Não sou jornalista, mas estou revoltado com a proposta de Cândida Almeida, pelo seu primarismo e pelo desprezo que revela pela dignidade das pessoas.
A proposta é primária e pouco inteligente, para não dizer coisa mais forte, porque qualquer pessoa com dois dedos de caco sabe que não é preciso telefone nenhum para violar o segredo de justiça – pôr sob escuta os telefones de certos profissionais só porque têm contacto com matéria delicada é fundamentalista e não é especialmente útil ou eficaz, limita-se a ser um achincalhamento das pessoas sem sentido.
Mas o que é mais estarrecedor é o tremendo desprezo que a Procuradora revela no que toca à dignidade das pessoas e aos seus direitos de personalidade consignados ao mais alto nível, desde logo ao nível constitucional; e ainda é mais assustador se pensarmos que ao Ministério Público incumbe como tarefa primeira a defesa da legalidade democrática.
É o cúmulo – e não é o cúmulo jurídico, é o cúmulo da indignidade.
Sócrates também acaba de anunciar que vai ser alterada a lei que penaliza o “segredo de justiça”, para ficar com a malha mais apertada. Parece que o único crime que preocupa o poder político e algum poder judicial em Portugal é o do “segredo de justiça”. Que escrevo sempre entre aspas, já que não existe segredo algum. Como é público e notório.
Este comentário provavelmente não tem a ver com o teor do artigo, é um panfleto de um cidadão indignado.
O que é preciso é compaixão Cristã. Vai aqui um exemplo da mesma compaixão:
« …Esta proposta, sublinhou, é “perfeitamente possível” de ser executada “cortando 50,5 milhões de euros numa prestação onde o abuso é uma vergonha, chamado rendimento mínimo garantido”. » Paulo Portas
O partido dos «com a boca cheia de dentes» que fazem terapia quando lhe morre o gato, e fazem peregrinações a Fátima equipados de roupa desportiva “griffé” e são católicos porque ser católico é tradição e ser tradicional é fino e aristocratico , vivem à séculos de rendas e de não participar no desenvolvimento (fugindo aos impostos em larga escala) têm o desplante de fazer bandeira dos abusos das classes populares. Estes cristãos, os tais do “ao outro como a si mesmo”, (tem-se visto ao longo dos séculos), quando as classes populares já embrutecidas pela pobreza, enraivecidos pela miséria fizerem correr sangue clamarão pela dureza policial. O que esta gente propõe é a “sul-americanização” da vida.
P.S. Não nego que haja abusos mas serão mais graves que os outros abusos que TODOS conhecemos? E havendo abusos serão na ordem de 50,5 milhões?