As semanas mais recentes trouxeram-me um ligeiro travo aos anos trinta e quarenta.
As imagens da libertação de Kherson, das ruidosas manifestações de alegria dos seus habitantes e da visita de Zelensky trouxeram-me de imediato à memória as da libertação da França, em 1944, e da chegada de De Gaulle a Paris, recriada na tela e com alguns testemunhos fotográficos. O presidente da Ucrânia tem sido comparado a Chrchill, mas naqueles momentos transfigurava-se mais como a voz da liberdade e da libertação dos ucranianos, aquele que parecia perdido na início da invasão mas cujas palavras soam a esperança diante do temível Inverno que está a chegar. E tal como a libertação de Paris não significou o fim da guerra, a de Kherson está longe do termo do conflito.
Entretanto decorre o criticado Mundial do Qatar (embora seja exagero chamar-lhe “o Mundial mais controverso de sempre”, se recordarmos o que decorreu na Argentina em 1978, sob o infame regime militar que despejava corpos para o mar a partir de aviões, e que até levou à história, apesar de falsa, de que Cruyff não comparecera em sinal de protesto). Os estádios no meio do deserto tiveram a autoria, entre outros, como Zara Hadid, de Albert Speer. Sim, o filho com o mesmo nome do célebre arquitecto de Hitler e co-autor do estádio Olímpico de Berlim. O descendente não seguiu definitivamente as preferência políticas do pai, apesar de algumas controvérsias, explanadas neste artigo da New Yorker. Mas não deixa de causar algum frisson que um evento tão criticado pelo tratamento local dos Direitos Humanos tenha tido o dedo do filho, com o mesmíssimo nome, de um dos autores dos Jogos Olímpicos de Berlim e do projecto da demencial Germania.

Ninguém duvida que as areias do Qatar foram, são e continuarão a ser ” Killing Fields”, assim como ninguém poderá condenar um homem por seguir os passos do pai que, foi o seu padrão e a sua referência de vida. Aquele velho ditado ” não foste tu, foi o teu pai”, é coisa do passado, e este Speer Jr, tem projectos espectaculares. A escolha do arquitecto das construções do Mundial poderia ter recaído sobre outra pessoa, que isso não teria impedido o morticínio .
Zelensky não é Churchill como político ou como estratega, mas ultrapassa-o na acção. Vai lá, seja lá onde lá for. Muitas vezes é quanto basta para moralizar uma nação.
Churchill combateu em guerra. Foi prisioneiro dos Boers e conseguiu escapar para Moçambique…
Zelensky e o apoio de Boris Johnson pouco depois foram essenciais para dar moral à resistência. E a incompetência Russa…
Entretanto nas noticias censuradas::
Russia’s Gazprom will supply Azerbaijan with up to 1 billion cubic metres of natural gas this winter, Moscow’s Kommersant reports, saying the deal will relieve domestic demand and help Baku meet its commitment to export more to the EU and other Western nations.
Lucklucky, afinal tu és a favor ou contra o Putin? Não te esqueças que ele era (e se calhar ainda é) o dono do Trump.
Leio todos os dias os jornais americanos on-line (repito: todos os dias).
Dão porrada no Trump a tempo inteiro, como sempre o fizeram, mas não se vê uma linha sobre o Putin ser dono do Trump.
Portanto 330 milhões de habitantes dos EUA , que são quem vota lá, fariam melhor em falar consigo, pois andam pelos vistos a ser enganados e a enganarem-se uns aos outros, quando era tão fácil serem esclarecidos.
Mesmo como referência de vida pareceu-me que o pai não influenciou muito o filho. Como disse no texto, a influência política é nula, ainda que Speer Junior não pudesse fugir às suas recordações. Mas a coincidência familiar e de nome nestas circunstâncias é espantosa.
É verdade, João Pedro.