DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Gui Abreu de Lima: «Noite, noite, fica noite até ser dia. Com as tuas horas sem pressa, sem que nada lhes aconteça. Lentas, mudas, belas, surdas. És um presente do céu. O melhor que alguém me deu. Sabes noite, o que eu gostava? Ao teu colo voava, no prenúncio da aurora. Sim. De ir aos lugares onde te metes. Por aí fora. Saudades? De noite não se é o mesmo. Pensei que sabias isso. Na noite, noite, pouco ou nada quer o dia.»

 

José António Abreu: «Na esquerda [a caridade] também existe. Só que, como tudo o resto, tem de passar pelo Estado.»

 

José Maria Gui Pimentel: «A Esquerda – a Extrema-Esquerda – tem uma característica identitária tão irritante quanto perversa: coloca a antipatia à frente da empatia. Por outras palavras, para a Esquerda conta mais “o que nos separa” do que “o que nos une”. Daí ser normalmente tão faccionada. Por isso não hesita em defender ditaduras horrendas desde que estas se oponham aos EUA, que veem como a personificação da sociedade capitalista, não percebendo que, mais importante do que isso, é a democracia, que nesses países é normalmente uma miragem.»

 

Leonor Barros: «Presumo que sejamos todos belos, esbeltos, magros, sem rugas, jovens e um primor na vestimenta, o supra-sumo do bom gosto. Podem acusar a Merkel de quase tudo, agora este exagero na aparência dela é muito triste. A política não é um concurso de beleza, senão o Passos Coelho não teria aquele cabelo ralo nem o Gaspar aquele semblante de Mr. Bean.»

 

Eu: «Não havia então “redes sociais” a proclamar indignações portáteis subscritas por revolucionários de sofá. Nem a difusão de imagens tinha a facilidade de um clique cibernético, tão comum nos nossos dias. O tempo passa, veloz. Parece ter sido ontem mas decorreram já 21 anos. A brutalidade indonésia liquidou naquela data várias dezenas de jovens timorenses que se limitavam a reclamar para o seu povo, por meios pacíficos, aquilo que nenhum de nós dispensa em qualquer quadrante onde se erga uma voz humana: liberdade.»

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