
Gui Abreu de Lima: «Gosto das lojas do meu bairro porque lá se escarrapacha a minha cidade. Gosto do Albino mulato que encontra a paz numa dúzia de minis e lembra a Angola-paraíso que deixou para trás. Pelo-me pela Cassilda voz de bagaço, que criou a neta, enterrou o filho drogado e assistiu às escaras do pai entrevado – tudo ao mesmo tempo. E pela menina Maria, que nasceu onde mora em 1920, e vem comprar um rajá porque sente tonturas e precisa de açúcar.»
José António Abreu: «Muitos adultos parecem hoje pouco mais do que crianças. Não conseguem separar o essencial do acessório, tomam notícias absurdas como verdadeiras, reagem instantaneamente, mantêm uma opinião já depois de se encontrarem na posse de dados suficientes para a perceberem errada, detestam constatar que certas coisas estão fora do seu alcance. Nesta fase de dificuldades económicas, a situação agrava-se.»
José Maria Gui Pimentel: «Portugal tem todo o direito de exigir a utilização face ao Estado português da regra que Olli Rehn afirma aplicar-se a Espanha, a qual permitiria ao Governo concentrar-se em reformas estruturais, em detrimento de aumentos de impostos apenas para fazer face ao ciclo económico.»
José Navarro de Andrade: «Quanto mais conservador é o discurso clerical, mais se assemelha às bandeiras de uma certa esquerda portuguesa. Tão arreigado quanto isto é o pior da herança salazarista que persiste em não desaparecer, tão amplo quanto isto é o arco nacional contra a livre iniciativa.»
Leonor Barros: «Querida Isabelinha, estou a pensar fazer bifes para o almoço mas não sei se não estarei a viver acima das possibilidades. Deverei fazer antes umas bifanas fora do prazo ou será preferível contentar-me com os couratos do suíno? Grata pela atenção.»
