
«A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma.»
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2005)
No dia em que faria 103 anos

«A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma.»
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2005)
No dia em que faria 103 anos
Eusébio mal acompanhado
Não entendi minimamente este comentário. Mas se calhar nem era para entender.
Acho que o entulho se refere ironicamente à camarata comum onde os republicanos os enfiaram para passarem a eternidade — como se fosse tudo a mesma coisa, pé na bola, mão nos tremoços, poesia abrilesca.
Há lá de tudo – incluindo o túmulo do Presidente-Rei Sidónio Pais.
A minha noção de heroísmo inclui os vendedores de castanhas. Não percebo como os republicanos podem ser tão elitistas.
falta o velho abutre nesta choldra a preto e branco.
quando não intender mim isplicar
O Velho Abutre
O velho abutre é sábio e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas
Vá, o entulho não leva sarrafadas.
Gasset meditaciones
Es, por ventura, demasiado oneroso este imperativo de la comprensión?
¿No es, acaso, lo menos que podemos hacer en servicio de algo, comprenderlo? ¿Y quién, que sea leal consigo mismo, estará
seguro de hacer lo más sin haber pasado por lo menos?
EN este sentido considero que es la filosofía la ciencia general del amor: dentro del globo intelectual representa el mayor ímpetu hacia una omnímoda conexión.
Tanto que se hace en ella patente un matiz de diferencia entre el comprender y el mero saber. ¡Sabemos tantas cosas que no
comprendemos! Toda la sabiduría de hechos es, en rigor, incomprensiva, y sólo puede justificarse entrando al servicio de una teoría.
Jà só faltam 77!
Virão devagarinho, dia após dia.
Espero encerrar com chave de ouro.
Essa matemática…
Isso é o menos. Pensei que ia falar do acento ao contrário 🙂
Já vi que é daqueles dias em que mais valia estar calado.
O Tareco tinha olho, fisgou-a.
Peço imensa desculpa mas não. É sem dúvida uma grande poeta portuguesa do século XX. Mas não chega. Tem alguns poemas excepcionais e muitos outros como muitos outros.
Posso estar enganado, mas beneficiou muito do nome de família. Francamente, é uma poeta menor. Daqui a cem anos talvez sobre um poema. Não mais. Compare com Pessoa, Kavaffy (desculpe a ortografia) ou o seu querido Elliot. O mesmo se pode dizer de Hoffmanstahl, com uma tonalidade maravilhosa. Haja juízo. Era mulher, era educada, era de boa família, era uma excelente poeta, mas daí não passou.
Sua opinião.
Outras, como a minha, opinam em sentido oposto.
Tudo bem.
Alguma da sua prosa é do melhor que há na literatura portuguesa… (mas estou com o comentador, se o Nobel é consagração universal – coisa de que discordo mas que é o tom com que o referimos habitualmente e que esta provocatória série adopta – não a incluiria)
Não é inferior a Gabriela Mistral, Nobel de 1945, por exemplo. Ou a Juan Ramón Jiménez, Nobel de 1956.
Direi mesmo: Sophia está num plano superior. E atinge o universal ao cantar como poucos o mar em obras magníficas como ‘Coral’ ou ‘Livro Sexto’. Mar português, mar do mundo inteiro.
Também escreveu para ser cantada – porque os seus versos têm música dentro. Nesse aspecto pede meças a Bob Dylan, Nobel de 2016.
Não vou contestar: 1) nunca li Mistral nem Jimenez; 2) de facto o que me apeteceu foi realçar que a escritora foi não só uma excelente poetisa (o que é comum reconhecer) como também uma grande prosadora; 3) ainda assim, e repetindo que não dou ao Nobel o estatuto que se lhe dá (qual velha taça Jules Rimet) quando vejo escritores que aqui lembraste aos quais não foi outorgado o Nobel – alguns entende-se pela época ou pela biografia editorial (London ou Kafka, por exemplo) – não os ponho no mesmo pedestal – Borges ou Broch, para falar nos mais óbvios que referiste recentemente (“o Broch não levou o Nobel?”, pensei, e fui confirmar ao google…). Enfim, eu acho que isto não é mais do que a Liga Sueca, com todos os limites (acima de tudo linguísticos e ideológicos – aquilo de os escritores propagandearam “valores humanísticos” ou lá como lhes chama). Mas ainda assim há coisas um bocado exageradas (“o velho costume sueco” a que Borges atribuiu o não ser premiado…)