Grande entrevista


Pedro Correia,

  

 

– Temos esta noite entre nós o Senhor Primeiro-Ministro, que vai responder a todas as nossas perguntas. Muito obrigado por ter acedido ao nosso convite. Começo por perguntar-lhe por que motivo um administrador executivo da PT, que foi seu colaborador directo enquanto organizador do seu site eleitoral, se terá envolvido na venda da TVI àquela empresa.

– Boa noite. Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Mas as transcrições das escutas telefónicas legais já divulgadas parecem confirmar alegados indícios de interferência directa do poder político na principal empresa cotada na Bolsa em Portugal…

– Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Recordo-lhe que existem suspeitas de tráfico de influências e até de atentado contra o Estado de Direito. Foi esse pelo menos o entendimento do magistrado de Aveiro que é titular do processo Face Oculta. Há quem acredite que havia a intenção de pôr uma empresa que o Estado controla através de uma golden share ao serviço de objectivos políticos.

– Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Não pensa que esta aparente tentativa de interferência do poder político em empresas de comunicação social pode condiconar seriamente a liberdade de imprensa em Portugal?

– Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Foi o senhor que três meses antes, no congresso do PS, transformou a TVI em arma de arremesso político ao elegê-la como alvo principal das suas críticas…

– Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Em Novembro de 2004, quando houve pressões do Governo PSD para afastar Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, o senhor disse o seguinte ao então primeiro-ministro Santana Lopes: "Este episódio é inaceitável e é indigno de um Governo democrático. Este facto mancha o nosso regime democrático. E lembro que o primeiro-ministro se refugia permanentemente na ausência de resposta. É uma nódoa que o vai perseguir." Recorda-se?

– Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Tem condições políticas para continuar em funções?

– Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Este tempo tem andado muito chuvoso, Senhor Primeiro-Ministro. Não está já farto de tanta chuva?

– Isso é jornalismo de buraco de fechadura. Resulta da violação do segredo de justiça, que é crime.

– Agradeço todos os esclarecimentos que nos prestou, Senhor Primeiro-Ministro. Muito obrigado.

18 comentários em “Grande entrevista”

  1. Também quero sugerir uma hipótese de pergunta: o senhor primeiro-ministro acredita que o povo português é parvo ao ponto de acreditar que um administrador executivo da PT, que foi seu colaborador directo enquanto organizador do seu site eleitoral, não lhe deu conta, em tempo oportuno, do negócio que (aquele fiel e destacado colaborador) tinha em mãos?

  2. Muito bem!
    Magnífica entrevista!
    As respostas do sr. Primeiro-Ministro convenceram-me!
    É de facto uma execrável campanha negra que anda a ser movida contra ele!
    Por Zeus! Parem com isso de o andar a denegrir!

    Cumprimentos.

  3. Se voce pudesse entrevistar Socrates as respostas que obteria nao seriam essas. E ainda bem para si que essa entrevista nao vai acontecer. Ver outro jornalista humilhado em directo na TV nao seria nada bom para “classe”

    1. Convinha lembrar o senhor Primeiro Ministro que foi o “jornalismo de buraco de fechadura” que deu origem a casos como o Watergate.

  4. 1- Isso vai ter q lhe perguntar a ele. Mas, sabe, a função de um administrador é justamente essa: fazer negócios. Onde é que está o espanto, afinal?

    2- As escutas parecem confirmar, mas não confirmam. Entre o parecer e o ser vai uma grande distância. Volto a repetir o que disse: o governo nunca deu quaisquer indicações para a realização de qualquer negócio com a TVI.

    3- Haverá sempre quem acredite que havia a intenção de pôr uma empresa que o Estado controla através de uma golden share ao serviço de objectivos políticos. Mas suspeitas há muitas, e para todos os gostos. O importante são os factos e provas. E neste particular não há nada que se possa imputado a mim ou ao governo.

    4- Diz bem: esta aparente tentativa. Não passa disso mesmo. aparencia. A liberdade de imprensa depende tanto da independência do poder politico como do poder económico.

    5- o jornal da sexta era um vómito. qualquer jornalista digno desse nome sabe que assim é. Jornalista que o não reconhecem são uns cobardolas.

    6- as pressões para afastar MRS são factos comprovados. Actualmente tudo se resume a “suspeições” “alegados” e “aparentes”. Uma diferença abissal, portanto.

    Pedro Correia, Pedro Correia…….mascarar-te de entrevistador não foi lá grande ideia.

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