
Gostamos imenso de usar palavras em excesso. Vejo isso todos os dias no DELITO. Muitos comentários, assinados ou não, começam com quatro vocábulos inúteis: «Na minha opinião pessoal.» Inúteis por ser óbvio tratar-se de opinião, emitida por quem a escreve. Ainda nada foi dito e a frase já tropeça com peso a mais.
Uma variante desta, tão inútil como a primeira, abunda também por aí, sobretudo no discurso oral: «Eu acho que.» O pronome pessoal é redundante, mas cada vez mais insistente por influência brasileira, em réplica da sintaxe norte-americana. Apetece-me brincar com isto dizendo que temos muita gente com vocação para detective. É vocabulário revelador da nossa estrutura mental: “achar” como débil sucedâneo de “pensar”.
Edito textos de outros há quatro décadas. Não apenas por missão jornalística (aos 21 anos já era coordenador de secção num semanário, aos 22 era editor), mas habituei-me a “limar prosa” mesmo fora da esfera profissional, combatendo a tendência tão portuguesa para o culto do pleonasmo.
Esta tendência mantém-se. No advérbio «mesmo», semeado a torto e a direito nas frases, sem nada acrescentar no significado. Não faltando quem repita «é assim mesmo», uma vez e outra. Pode passar na fala, mas é um calhau na escrita.
Idem, para a profusão de pronomes possessivos, de novo por influência brasileira. Aponto sempre, como exemplo supremo da arte de bem escrever, a magnífica frase inicial de Cem Anos de Solidão: «Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.»
Nem uma palavra inútil. Apenas um adjectivo. Os nossos cultores de redundâncias logo enfiariam ali um possessivo a martelo: «O [seu] pai.» Tornou-se erro corrente.
O mesmo sucede com a locução «hoje em dia», exemplo muito comum de desperdício vocabular. Está tudo dito no advérbio inicial – o resto só acrescenta ruído. Ou com a partícula enfática «é que», admissível na linguagem oral, sobretudo na forma interrogativa, mas sem préstimo na escrita excepto se reproduzirmos diálogos.
«É que hoje em dia chove mesmo muito pouco.»
Nesta frase agora inventada por mim encontramos três dos erros estilísticos que anotei. Costumo encontrá-los com frequência em prosa de gente que pretende escrever bem. Até em ficcionistas muito em voga, que vão conferindo argumentos de autoridade a quem “acha” que escrever é só alinhar palavras.
Podem “achar”. Mas acham mal.

Quem fala assim não é gago.
Não é gagá-go?
“Hoje” quer dizer “neste dia”, enquanto que “hoje em dia” quer dizer “nos tempos atuais”. Não é a mesma coisa. Dizer “hoje chove pouco” não tem o mesmo significado que dizer “hoje em dia chove pouco”.
“Hoje em dia” estava a ver que você não aparecia.
Mas é que apareceu mesmo.
actuais
É um exterminador de consoantes.
A mim (que não sou profissional da escrita) incomoda-me mais aqueles que desprezam um texto (por mais assertivo que seja seu conteùdo) porque tem uma letra a mais uma virgula a menos.Sei que quando algum assunto incomoda tem de se descobrir alguma razão para o evitar (para não falar da dissonância cognitiva que grassa por aí).
Você parece adorar parêntesis. Frases dentro de frases.
Experimente usá-los menos. Verá que consegue exprimir as mesmas ideias de modo mais fácil e atraente.
Ora bem,além da letra a mais e da virgula a menos eu podia ter mencionado também os parêntesis em demasia.Mas agradeço a dica na mesma, apesar de(como disse no coment anterior) estar mais interessado no conteùdo do que na forma.
Sim, mas na escrita forma e conteúdo são indissociáveis.
Um excelente conteúdo pode perder-se numa forma deficiente. E esta, parecendo excelente, perde-se também se não tiver conteúdo.
“A mim… incomoda-me” é um pleonasmo inadmissível.
Como o sujeito é “aqueles”, o correcto seria incomodam em vez de incomoda.
E “conteùdo” escreve-se conteúdo. O acento é agudo.
Espero ter ajudado o “macaco apolítico” a escrever e falar melhor:
Às vezes a questão não tem a ver com escrever mas com teclar.
Diferente é quando ouvimos na TV contínuas alusões à “breve pausa” e ao “desfecho final”. Já sem falar do redundantíssimo “há … anos atrás”, que se generalizou como praga. Ou no “sorriso nos lábios”, também generalizado na escrita.
Ou “surpresa inesperada”. Ou “repetiu duas vezes”. Ou “entrou para dentro”. Etc. etc.
E acentuação como vai por aÍ?
Há quem não tenha acento. Nem assento, seja onde for.
Na frase construída pelo Pedro, “é que” não pode ser eliminado, porque tem o significado “é porque”. Não é redundante. Tem o mesmo significado que “naemlich” em alemão.
É que na minha opinião pessoal hoje em dia acho que não há mesmo nada melhor para escrever bem português do que trazer vocábulos alemães.
Grande verdade! Incluo-me neste lote, embora me esforce para não cair no erro, é inútil. Às vezes, escrevo como falo e sai asneira. Como na pontuação. Fazer pausas onde as não há. Semear vírgulas e não só. Penso que, às vezes, se quer tanto frisar uma ideia que o “mesmo” é irrecusável. Os “que(s)” que eu escrevo, meu Deus! O “hoje em dia” também, volta meia… e o “seu”, tal e qual. Também o uso. É isto, Pedro! É isto. Há que ter consciência que erramos e tentar ter mais respeito pela nossa língua. Muito obrigada por dizer o que deve ser dito. Um excelente dia!
Eu é que agradeço, Maria. Bom dia para si também.
Ó diabo, camarada coordenador… Temo que se siga a convocatória para a autocrítica pública, a urgente samokritika soviética. Antecipo-me já: Confesso a (…) a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por (…) palavras (…) Por minha culpa, minha tão grande culpa..
Se for preciso convoca-se o patriarca Cirilo para absolver todos os pecados. Se ele até abençoa ogivas…
Bom dia.
Continuo a achar que o facto de escrever bem não confere o direito de se arrogar de farol que dá exemplos aos petulantes e pobres ignorantes que lêem. A autoridade para ensinar advém do respeito pelos outros. Tenho consciência que se deve aprender (a escrever) com quem o faz melhor. Mas ao que vejo, muitos dos conselhos servem mais de vaidade e vontade de achincalhar terceiros do que de genuíno ensinamento, além de potenciarem outras pequenas vaidades em tantos que se limitam a alinhar palavras sem erros e não têm a menor consciência disso, julgando-se capazes de também ensinar nessa matéria.
Em suma, e perdoe-me a franqueza, continuarei a achar (isto é, a respeitar perspectiva diferente, é isso que achar representa) que todos ganharíamos se o Pedro Correia, que escreve muito bem, se limitasse a ensinar sem ofender que passa.
Estarei sempre grato a quem me ensinou a escrever – não apenas a alinhavar palavras.
E após mais de 40 anos de experiência na escrita profissional, sinto-me não apenas no direito mas no dever de ensinar outros. Sobretudo agora, quando vejo cada vez mais abastardado o uso da língua portuguesa.
Lamento que se sinta ofendida. Sem que eu perceba porquê.
Faz muito bem. Sempre fui grata a quem me ensinou (e já aprendi por aqui).
Só não gosto de arrogância. Muitos dos seus textos são ofensivos (seja estes sobre escrita, seja políticos). Não me ofendem especialmente a mim, ofendem quem tem opinião diferente.
Sei que no Delito de Opinião se privilegia a diferença de opinião, mas há formas de a expressar mais cuidadosas. É uma questão de gosto. Às tantas não terei razão. O certo é que o Delito e todos os espaços mais arrogantes têm muita saída. E é isso que interessa.
Ofensivos?
Mas fala de quê?
Se não concretizar parece conversa de surdos. Sem qualquer sentido.
Assim nem pode haver debate. Cai-se no achismo à portuguesa.
Manda-se a boca sem necessidade de fundamentar seja o que for.
Não mandei boca nenhuma. Disse rigorosamente o que penso. Já percebi que não gostou. Tanto melhor. Num mar de palmadinhas nas costas é bom haver alguém que diga algo desagradável.
Acrescento uma nota para se quiser fazer um esforço de compreensão, em vez de argumentar sem sentido. Ao ser ostensivo (ofensivo na minha opinião) nas críticas a quem escreve com erros, para lá do efeito desejável de contribuir que a língua seja melhor tratada, arranja maneira de desincentivar a escrita de gente com valor e promover a dos que cheios de si nem se apercebem das suas fragilidades na escrita. Isto não são bocas. São factos, já que gosta tanto de se arrogar no arauto dos factos.
Não o maço mais. Tenha um bom resto de dia.
Tanta linha para dizer quase nada.
Pedi-lhe o favor de me indicar onde e quando e como eu a tinha ofendido.
Voltou a não responder.
Enfim, não insisto mais.
Tenha uma boa semana. E um bom mês. E um bom ano.
Tudo de bom para si: não segmento os meus votos por horas do dia.
“arrogância”? A senhora auto diminui-se porque quer, mas ninguém pode pode criticá-la!
Sinto-me muito agradecida.
É a razão principal de andar tantas vezes aqui
pelo seu blogue. Aprender a escrever ! Já noto
uma pequena evolução, o que para mim é motivo
de satisfação. 😊💐
Não pretendo ensinar ninguém, Kika, embora já tenha contribuído para a formação de muitos jornalistas – alguns dos quais me vão lembrando isso, de vez em quando, com generosidade.
Pretendo sobretudo partilhar as minhas reflexões e anotações sobre este tema. E prometo que as irei partilhando com mais frequência.
Podia escrever um livro. Mas o livro ficará escrito no blogue.
É também uma dívida de gratidão que honro com quem me ajudou a escrever um pouco melhor ao longo dos anos.
Aos leitores também, claro. Devo muito a quem me lê, todos os dias.
Parece-me descabido o seu comentário pois não encontro qualquer tipo de arrogância no texto de Pedrro Correia. Limita-se a expor, com fundamento, a sua opinião.
Caro Pedro,
Como ajudante de caça palavras em excesso, diria que “remota” , na frase que citas, de Gabriel García Márquez está ali a mais.
Se aconteceu há muitos anos, a tarde que recorda, teria, forçosamente, de ser remota.
Discordo, Pedro.
Esse adjectivo (único nesta frase genial) cumpre uma dupla função. Física e psicológica, portanto objectiva e subjectiva.
Daí estar lá.
Neste caso tanto como física (aconteceu há muitos anos) como psicologicamente, remete para uma recordação cujo acontecimento ocorreu há muito, daí que numa análise “picuinhas” o adjetivo não esteja ali a fazer nada, literariamente, sim.
.
Seria diferente se “remota” se referisse a um acontecimento recente mas que não queremos recordar:
– Tenho do jogo com o Porto uma recordação remota, quase não me lembro que dois dos golos foram de “penalty” (recuso escrever penálti à portuguesa pela desadequação entre a grafia e a pronúncia da palavra) e que terminámos a jogar com dez
Insisto: está.
Há recordações remotas em cronologia mas não remotas em termos psicológicos ou afectivos – e vice-versa.
Daí o sublinhado, que tem toda a razão de ser.
Não por acaso, esta frase é considerada uma das melhores de sempre de aberturas de romances.
Tão boa que consegue ter apenas um adjectivo em 28 palavras. Sem achismos, sem entretantos, sem mais-ou-menos, sem parece-que…
e lá tinha que vir a bola! Arre!
Faz parte.
Obrigada, Pedro, é sempre um gosto aprender. Eu tenho muita dificuldade em compreender a chamada “escrita criativa”.
Obrgado eu, Alice.
Setubalense?
Obrrigado. Para compensar a gralha de há pouco no telelé.
Excelente postal mas na minha opinião pessoal penso eu de que hoje em dia muitos escritores são pagos por palavra e é assim mesmo que ganham a vida
Pedro Cunha
A grande maioria é mal paga, pode querer.
(Agradeço as suas palavras.)
Pode querer?
E crer.
O que escreveu deveria ser encaixilhado em quadro da melhor madeira e figurar em destaque num dos melhores museus do mundo! Assim se “fala” em bom Português” haja coragem!
Não é preciso coragem. É preciso algum tempo. E muita paciência.
Você tem de utilizar é o algoritmo e deixar de ser tão fundamentalista.
Fica a saber que cada texto tem 30% de redundância, portanto 70% são calinadas.
Eheheh. Essa é genial.
Você já me fez dar uma gargalhada.
(Faltam poucos dias para voltarmos a comer bacalhau à Brás…)
Eu ia achar…mas perdi-me!
Pode ser comentador da TV.
Metade das frases deles começam pela expressão “eu acho que…”
É o célebre achismo.
“.mas perdi-me!” É o que costuma fazer.
Olha quem fala.
Alguém que perdeu nome e apelido.
Vou arriscar-me a discordar de si – um pouco, apenas. Uma coisa é escrever mal, e “na minha opinião pessoal” é um bom exemplo (já no “hoje” ou no “hoje em dia” discordo de si); mas outra coisa é o estilo. Um romance (por exemplo) não é uma peça jornalística. Nem tudo tem de ficar definido no primeiro parágrafo e a escrita não tem de ser seca, depurada, apenas informativa. Um adjectivo a mais (no entendimento de algumas pessoas) pode não ser para outras. Onde uns veem desperdício, outros verão criatividade. Onde uns escrevem “palavroso”, outros escreverão “imaginativo”.
Não resisto a uma ligeira transcrição, de uma belíssima obra. Podíamos tirar palavras? Sim, podíamos. Mas não ficava a mesma coisa.
Peço desculpa pela extensão do comentário.
“A criança estendeu os braços pequeninos. Cristóvão com cuidado e docemente
a foi pondo ao ombro. Mas, bruscamente, os seus joelhos vergaram, tocaram a rocha,
sob o imenso peso que o esmagava, Ah! quanto pesava o menino! Com custo, se
firmou nas suas velhas pernas doridas. Desceu, arrimado ao seu bastão, o caminho
escorregadio, mergulhou na água os pés – e logo a corrente mugiu furiosamente em
redor, atirando a espuma até os pés da criança. Arquejando, Cristóvão rompeu a água.
O vento imenso silvava, e atirava-lhe sobre os olhos, que a umidade embaciava. os
seus longos cabelos grisalhos. Ele disse: “Ah! meu menino, meu menino!” A cada
passo sentia que o leito limoso do rio lhe fugia sob os pés. Todo ele tremia, firmado no
bordão. E a água, toda branca de espuma, empurrava-o furiosamente, com um
marulho medonho. Na densa escuridão, nada distinguia, nem sabia onde estava a
outra margem. Grossas pedras de granizo de repente caíram, e o menino, arrepiado,
todo se aconchegava à sua face. Já a água temerosa lhe chegava ao peito. Tropeçou
numa rocha, e, quando se susteve, sentiu a água, furiosa, gelada, correndo a roçar-lhe
as barbas.”
Você fala em textos literários, que têm liberdade criativa. E até podem ter palavras que não significam nada para o leitor.
Podem ter palavras inventadas pelo autor.
Podem ter palavras escritas de trás para a frente.
Podem ter palavras só com metade das letras.
Etc. etc.
Refiro-me a textos simples, que visam a comunicação directa e simples e eficaz.
Para isso há regras, como existem em todas as profissões e actividades.
Se você escrever uma frase com 144 linhas, sem pontos finais, ou um texto de sete ou oito páginas sem um parágrafo, ou cinco frases seguiras sem um verbo, está necessariamente a afastar leitores e a condenar ao fracasso a mensagem que pretenderá transmitir.
É só um exemplo, poderia mencionar muitos outros.
Mas julgo que este serve.
Churchill, que foi excelente jornalista, famoso repórter de guerra, um dos melhores autores de discursos de que há memória e Prémio Nobel da Literatura, ensinava algumas regras para escrever de modo claro, conciso e compreensível. E sabendo tocar a sensibilidade de quem lê ou ouve.
A primeira dessas regras, que fui ensinando aos jornalistas que fizeram estágio comigo, é pedra basilar da escrita e de muito fácil apreensão:
«Das palavras, as mais curtas. Das mais curtas, as mais conhecidas.»
Claro que pode haver quem faça ao contrário. Das palavras, as mais compridas. Das mais compridas, as menos conhecidas.
Certamente não será nenhum novo Churchill.
Nem nenhum candidato a Nobel.
Claro que pode haver quem caia no subjectivismo e diga que «tudo é escrever bem». Mesmo com erros ortográficos, erros de concordância, gritantes falhas gramaticais, clamorosas falhas de estilo.
Pode haver quem considere que escrever bem é polvilhar a escrita – como agora é moda – de expressões como “janela de oportunidade”, “novo paradigma”, “sustentabilidade”, “rating”, “despesismo”, “alavancagem”, “efectivamente”…
E haverá até quem diga que não existe boa nem má escrita: tudo é assim-assim ou mais ou menos.
Com esses, nem vale a pena argumentar.
É deixá-los seguir nesse trilho.
O tempo é um bem escasso e precioso. Tentar ensinar a quem não quer aprender, ainda por cima de borla, é tarefa que não compensa.
Resiliência.
Andamos a ser bombardeados a toda a hora com essa peça de artilharia. Agora até com chancela oficial.
AHAHAHAH & picou o bicho…Agora vai de ouvir (ler) a tremenda da “lenga-lenga” a provar que o dedicadissimo autor do textotem, sempre teve e ha-de ter para sempre, razao em tudo o que escreve ou responde…
Excepto obviamente quando, como bom moderador dos seus proprios textos, no seu / do sapo “blogue”, nao publica respostas incomodas ou para as quais ainda nao teve tempo (ou sapiencia…) para responder, por forma a que tenha razao…
Não sejas invejoso nem rancoroso. São dois dos piores defeitos, sobretudo quando andam de braço dado, como acontece contigo.
Trata dessa bílis sem demora. Bem precisas.
“Bingo” e acertei, nao sou amiguinho, nao idolatro o autor e nao pertenco ao grupinho dos “beijoqueiros costumeiros”, pronto, fiquei logo carregadinho de problemas da bilis e, pasme-se (alias, nao se pasme porque e o costume, quando nao tem argumentos, nao respondeu a nada!!!
Ah, e sou invejoso e rancoroso…
PS – “Contigo” e manifestamente pessoal e, a despeito de outros tempos e outras lides, nao andamos juntos na escola.
“Consigo” e mais indicado, da mesma forma como tambem o tratei, ou seja, a distancia…
Levas na carola e ficas sem resposta.
Não admira. A esta hora já devias estar a fazer a sesta.
Falhou a palavra “Possesivo” (possessivo) ou é propositado?
Falhou?
Ainda bem. Quer dizer que as gralhas ainda não foram exterminadas.
No teu caso falhou algo mais grave. A assinatura.
Apenas três C’s : certeiro, curto e conciso.
Chapeau !
Abraço
Um abraço grato, Fernando.
Sobre este seu post, Pedro, tenho uma confissão a fazer: concordo consigo em que menos é mais, mas na prática sou uma grande pecadora, e não vejo jeitos de me redimir. Adoro advérbios e adjectivos, e por muito que tente refrear-me, é superior a mim. Não sei porquê, acho que é uma coisa de ritmo da frase, de pormenor que ajuda à visualização, que sublinha o que quero dizer. Enfim, manias! Não se perdeu nada quando desisti do curso de jornalismo. Por outro lado, e a propósito do ritmo de uma frase, abomino o excesso de vírgulas que grassa por aí, inclusive e cada vez com mais frequência entre o sujeito e o verbo. Já os parênteses e os travessões, uso-os a gosto, e se calhar também demais. É o meu estilo de escrita (se é que o tenho…) desde sempre, e não é fácil mudar. Mas prometo que vou tentar ser mais cuidadosa, sobretudo quando escrever para o Delito 😉
Obrigada por estar também nesta cruzada a favor da língua portuguesa. Sem fundamentalismos.
Parabéns pela reportagem da ilha do Príncipe, Ana.
Aí está um exemplo de boa escrita. A vários níveis.
Também detesto essa proliferação de vírgulas que se vulgarizou. Como se os pontos finais estivessem em greve permanente. Ou custassem mais caro.
Embirro solenemente com a profusão de pleonasmos. Aparecem a toda a hora em todo o lado.
Acabo de ler um, que se tornou frequente: «Desfecho final.»
E, claro, com o vocabulário “amaricano” a introduzir-se em força no nosso idioma, sobretudo à boleia do economês – seu jargão, suas siglas, seus “paradigmas”, suas “resiliências” e “janelas de oportunidade”.
Volta e meia tenho falado disto. Mas tenciono falar ainda mais.
Obrigada mais uma vez, Pedro! Pelo elogio e pelo seu esforço em prol da língua portuguesa. Se a influência do inglês no vocabulário tecnológico se entende, porque são palavras novas que geralmente não têm tradução directa, não percebo o porquê de certos modismos – que me parecem ser muitas vezes influenciados pelo português do Brasil, país bem mais permeável à cultura, organização social e língua dos EUA do que nós. Noto esta influência desde há já bastantes anos na linguagem do marketing (sobretudo com o famigerado desaparecimento da regência do verbo gostar, entre outros casos gritantes), e o hábito está a espalhar-se para outras áreas da língua. Então na tradução, seja de livros ou filmes, o mau português e o português do Brasil misturado com o nosso são a pontapé. Respeito profundamente as diferenças linguísticas entre o português de cada país, mas uma coisa é o enriquecimento da língua e outra, completamente diferente, é o seu assassinato. O AO90 veio piorar a situação, mas creio bem que isto está a tornar-se um “problema estrutural” (que é outra das expressões agora muito em voga e serve para tudo 😉 ).
Não posso estar mais de acordo, Ana.
Aliás é tema que insistirei em trazer aqui.
Haverá sempre quem não goste. Paciência.
“Toda unanimidade é burra”, como dizia Nelson Rodrigues.
P. S. – A vontade que senti de visitar o Príncipe…
Algumas tiradas nas suas respostas aos comentários são oportunas e têm a sua piada. Quantas vezes me rio!
Quando toca a nós tem menos piada, mas amanhã é outro dia.
A sua escrita é clara e compreensível.
Serei sempre grato a quem me ensinou, Maria. Daí fazer o possível por ensinar também alguma coisa nesta matéria – sobretudo agora, quando vemos o nosso idioma tão maltratado, a todo o momento.
É tema que tenciono abordar com mais frequência. Por ser inesgotável.
Gosto muito do seu programa, sim senhor, muitos poucos a discordar.
Até dá para desconfiar ou então estão de férias.
Exemplo típico do comentário anónimo da treta. Outro, entre tantos. .
Há gente que não tem absolutamente nada para dizer. Nem para fazer.
De gracas aos ceus pelos “anonimos da treta”, ainda sao eles que fazem que tenha pao para a boca.
Infelizmente ambem peca pelo lado oposto, “morde na mao de quem lhe poe o tal pao na boca”, com a arrogancia que todos, de longe, lhe conhecemos.
Obvio e volto a citar o famoso “Coronel Tapioca” dos livros do Tintin, “Aos amigos, tudo!…aos inimigos, a morte!”
Se calhar por isso e que sao poucos e raros os “nao concordantes” que sao publicados.
Estavas tão nervoso a rabiscar estas tretas, enquanto espumavas ódio, que te esqueceste de pôs os acentos.
Dando ainda mais razão ao que escrevi.
Estes ressabiados que andam à solta na net, muitas vezes velhos sem nada para fazer, deviam ensinar e construir alguma coisa.
Mas nada têm para ensinar, nem para construir.
Só sabem lançar ódio analfabético. Como este que aqui veio espumar de raiva, deixando em casa o til e os acentos.
“por influência brasileira, em réplica da sintaxe norte-americana”
“Por influência brasileira” é redundância.
“Em réplica da sintaxe norte-americana” é dupla redundância.
Contra o AO90, sempre.
Serei redundante agora: sempre contra o AO90.
Obrigado por mais uma lição. Aprendo muito. Peço, continue.
Assim farei, meu caro. Obrigado.
Obrigada por AINDA defender a Língua, quando já tão poucos o fazem. MESMO! 😉🙌
Obrigado pelo incentivo, Isabel. Tento ser útil, ensinando o pouco que sei. Em benefício da língua portuguesa, nosso património comum – infelizmente tão desprezado.
Muito bem. O que também muito me irrita é as pessoas, (já ouvi de todas as idades) não saberem dizer os tempos dos verbos corretamente, e escrevem mal mesmo!..
Por exemplo em vez de dizerem “viste-la?” dizem “visteze-a”, em vez de dizerem “encontramo-nos em tal parte”, dizem “encontramos-se”!!! Qualquer dia terá de se alterar novamente a maneira de escrever certas palavras ou quê???!!!
Há cada vez mais pessoas sem noção do que é escrever bem ou mal, do que é errado ou certo.
Pior: há cada vez mais pessoas que nem querem saber. Exibem ignorância como se fosse uma medalha.
Convenhamos, o acordo ortográfico contribuiu e muito para se escrever ainda pior. Acrescente-se os brasileirismos que os miúdos apanham no youtube e pode-se dizer que a língua portuguesa está a definhar. Ver miúdos a pedir “balinhas” em vez de rebuçados,,,,,,,,coitado do Camões.
Serão do Clube da Balinha?
muito bem…mesmo -ok, percebi que este “mesmo” é só um calhau na minha (outro calhau ) escrita.
Agora só falta inventar um limador automatico.
Para quem supõe que nada tem a aprender, qualquer coisa serve.
Os resultados, depois, ficam à vista.
Muito bom! As palavras devem ser usadas com economia e criatividade, senão aborrecem!
Obrigado, Cristina.
“Hádem” aparecer por aqui
chatos como eu
apreciadores da redundância e do excesso da linguagem barroca, do exagero das frases rebuscadas e ornamentadas com o supérfluo, da grandiloquência geradora de emoções.
Muito bom post” que me levou a sair da hibernação, quem sabe inopinadamente.

Ainda bem que voltou. É cedo para hibernar.
E gosto que vá (re)aparecendo.
Boa noite

Obrigado pela partilha.
Feliz noite
Obrigado eu.
Seria mais eficaz se apresentasse textos alternativos para corrigir os erros que aponta. Algumas situações não são óbvias. Por exemplo, “Hoje” e “Hoje em dia” não têm o mesmo significado…
Se não percebeu à primeira, com os diversos exemplos que aponto em linguagem clara, dificilmente perceberá.
Mas experimente reler tudo, desta vez devagarinho.