Acordo burrográfico (40)


Pedro Correia,

– O seu nome é Dior?

– Sim. Dior da Musgueira.

– Está preso.

– Porquê?

– Por fato ilícito.

35 comentários em “Acordo burrográfico (40)”

  1. Quer dizer, foi preso por andar vestido com roupa falsificada: um fato Dior ilícito.
    O que é que isto tem de burrográfico?
    Mas, parece que foi solto por saber dizer o nome das cores: amarelo, verde, vermelho,
    castanho, cor-de-rosa, grená, cor de vinho, beje, branco, azul.
    Falta a cor do burro, quando foge.
    Isso é conforme a cor que pretenda sem ser muito esquisito.
    Tá bem pensava que isso queria dizer ‘corre do burro, quando ele foge’

    1. Constituição da República Portuguesa, artigo n.º 124, n.º 3:
      «Em caso de morte de qualquer candidato ou de qualquer outro FATO que o incapacite para o exercício da função presidencial, será reaberto o processo eleitoral, nos termos a definir por lei.»
      No sítio oficial da Assembleia da República [sublinhado em maiúsculas meu].
      https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

      A título de exemplo, entre centenas ou milhares de outros.

        1. Erro são as “facultatividades” e a “heteronormalidade” do famigerado “acordo” que vinha para “unificar” e só diversificou mais ainda, espalhando o caos ortográfico.
          Espelho desse caos é cada edição do Diário da República.

          1. Antes divulgar frases em inglês do que em acordês. Faz muito bem.
            Até porque o inglês não precisa de “acordo” algum nem de “unificação ortográfica” alguma para ser uma língua em expansão contínua.

          2. “..o inglês….. uma língua em expansão contínua”
            Pois, pois, mas só na escrita, na oralidade cada um fala, logicamente, como quiser. Com imigrantes de todos os cantos do mundo forçosamente não pronunciavam da mesma maneira.
            Os americanos dizem água que parece guerra, não gostam dos t, e a mesma palavra pronunciada em Nova Orleans é diferente das cidades do Texas.
            Com os nossos conterrâneos dos Açores até lhes mudaram o nome de Inácio para Enes, pela razão dos açorianos em vez de se chamarem Inácio diziam chamar-se Enass com sotaque açoriano e ….Eness, e Enes ficou.

          3. Com as pronúncias é mesmo assim.
            Em Portugal, por exemplo, dizemos anónimo abrindo claramente o primeiro O.
            Já os brasileiros pronunciam (e escrevem) anônimo.
            Não há unidade na pronúncia nem no vocabulário nem na sintaxe entre portugueses e brasileiros.
            Por que raio haveria de haver unidade na ortografia?

          4. Não tenho a certeza absoluta, como é que um americano de origem irlandesa, galesa ou escocesa dirá factuality (factualidade), sabendo-se que em galês se diz ffeithiol, em escocês firinn e em irlandês firinneacht. Também não sei dizer desde quando factuality é utilizada na língua inglesa, mas de certeza há séculos e nunca lhe foi alterada a grafia.
            O quanto ao facto, os brasileiros continuam a dizer factualidade, mas dizem fato, e para vestimenta dizem terno.
            Encontrei quando o facto começou a perder o c, por já não se prenunciar:
            “Aquelle auctor vae ha varios annos áquella matta, onde tem escripto á sombra d’uma arvore sobre sciencia, machinas, cyclos astronomicos e outros assumptos.
            Estes c em auctor e p em escripto e assumto, como em muitas outras palavras, não eram pronunciados, mas foram mantidos na escrita, quer em Portugal quer no Brasil, por razões etimológicas. No Brasil antes de 1943 já se encontra fato, mas facto é de longe mais frequente. Quando é que o c de facto deixou de ser pronunciado no Brasil é naturalmente uma questão mais difícil de responder. Mas já em 1798 encontramos a palavra escrita sem o c nos estatutos de um seminário episcopal de Olinda, Pernambuco”
            É interessante verificar que em crioulo da Guiné fatu é a roupa usada nos casamentos, que é traduzida para terno e não para fato, que julgo tratar-se de uma edição recente do dicionário crioulo.

        2. Começaram a aparecer “fatos” e outras anomalias em barda depois da adopção do AO90, mas ainda há alminhas que acham que o “coiso” não tem nada que ver com isso. Lá agora. Erros sempre houve, é o que dizem. Mas destes não, não havia.

          1. Eu vivo no mundo real, onde as pessoas se preocupam com o tangibilidades e não com delirios inúteis. Isso é que é uma bolha!

          2. Quando não há argumentos, parte-se para a discriminação etária. Há que salvar o coisinho a todo o custo. O desespero, o desespero.

  2. Unificar o que começou a divergir há cinco séculos é tão possível como unir outra vez os continentes.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *