
Ana Vidal: «Em Portugal, a verba para a cultura não chega sequer a 1% do Orçamento de Estado. Dispensamos um Ministério (bah, para que servem essas esquisitices?) e mesmo a Secretaria de Estado deve estar em hibernação prolongada, porque nunca mais deu notícias. Obcecados com a austeridade, os nossos governantes parecem não perceber uma coisa tão simples como isto: um país sem uma sólida identidade cultural e um ensino de qualidade não pode evoluir, não tem futuro. Muito menos numa Europa agonizante e dominada pelos gurus da economia.»
João Campos: «Uma coisa que é interessante quando se vai a uma pizzaria é a possibilidade de nós, clientes, fazermos a nossa própria pizza. Sem termos de meter a mão na massa, entenda-se: indicamos a base que queremos, os ingredientes desejados para compor a coisa, e poucos minutos mais tarde temos à nossa frente uma pizza feita exactamente como nós queremos, prontinha a saborear. Nunca percebi o que impede os contratos de televisão por cabo de funcionar da mesma forma.»
João Carvalho: «Começa a ser cansativo. Eu sei (sabemos todos por cá) que a expressão oral (e escrita, consequentemente) anda pelas ruas da amargura, mas não entendo que seja necessário bater sempre na mesma tecla. No Parlamento, por exemplo, fartei-me de ouvir hoje (como sempre): “Senhoras e senhores deputados.” É uma gritante falta de critério e até falta de respeito pelas senhoras, comum a todos os quadrantes representados no hemiciclo. Em bom português, o masculino serve os dois géneros, quando é preciso. Por isso, o (dispensável e escusado) preciosismo obriga a dizer: “Senhoras deputadas e senhores deputados.” Quando não for assim, fica bem dizer apenas: “Senhores deputados.” Espero que aprendam de vez, mas cheira-me que estou a gastar o meu latim em vão.»
Luís Menezes Leitão: «Começa a ser evidente que a democracia portuguesa se encontra à beira de colapso, estando a ser substituída por uma espécie de governo dos bancos, que ninguém elegeu, mas que estão verdadeiramente a ditar as cartas na política portuguesa.»
Rui Rocha: «Monges admitem substituir tonsura por corte de cabelo à Passos.»
Eu: «Não suportamos o triunfo em ca(u)sa própria. Repare-se no que sucede com José Mourinho ou Cristiano Ronaldo: por mais provas públicas que dêem de talento e sucesso, encontrarão sempre detractores entre os compatriotas. O mesmo se aplica, noutros domínios, a um Lobo Antunes, um Siza Vieira, um António Damásio, uma Maria João Pires, uma Paula Rego, um Manoel de Oliveira. O futebol serve de símbolo. Ou de metáfora. De um povo que olha para o copo e o vê sempre vazio. Mesmo quando tem água.»
