
A 6 de Junho celebra-se O Dia da Região Autónoma dos Açores
“O Dia dos Açores foi instituído em 1980, destinado a comemorar a açorianidade e a autonomia do arquipélago. É a maior celebração religiosa e cívica dos Açores. A escolha da Segunda-Feira do Espírito Santo (também conhecida por Dia do Bodo ou Dia da Pombinha), isto é a segunda-feira imediatamente após a festa religiosa do Pentecostes, alicerça-se no facto da comemoração do Espírito Santo – em que se entrelaçam as mais nobres tradições cristãs com a celebração da Primavera, da vida, da solidariedade e da esperança -, constituir a principal festividade do povo açoriano.
Formado por pequenas comunidades isoladas durante séculos, o povo dos Açores manteve cultos e práticas profundamente populares, totalmente enraizadas no quotidiano e que, apesar da crescente globalização, mantêm um profundo significado, sendo um dos traços da açorianidade. Entre essas práticas insere-se esta comemoração, cuja vitalidade se alarga a todos os núcleos de açorianos espalhados pelo mundo e se reflecte em celebrações que são tão espontâneas e tão vividas quão intensas”.
Nunca fui aos Açores. Tantas vezes planeei, outras tantas adiei. Quem conta de lá, deixa-me gulosa. Pela beleza, pelas gentes, pela comida. É uma falha a colmatar sem falta.

Hoje celebra-se O Dia Mundial da Ortóptica
“Por ser a primeira segunda-feira de Junho, assinala-se o Dia Mundial da Ortóptica. Esta celebração foi criada em 2013 pela Associação Internacional de Ortóptica.
A data pretende ser uma oportunidade para todos os ortoptistas aumentarem a visibilidade da sua profissão e promoverem actividades relacionadas com as suas áreas de desempenho, tanto a nível local como nacional e internacional.”
Nunca fui “caixa de óculos” até há cerca de oito anos. Óculos para ler e ver tv, implantes inteaoculares para ver ao longe. Ao contrário da minha família, e segundo o médico, não tenho miopia ou astigmatismo, apenas a vista cansada, talvez porque gosto de ler à noite, ou porque gosto de ver TV, ou porque os laptops e os tablets dão conta da vista, ou porque a idade tem destas coisas.

No dia 6 de Junho celebra-se O Dia da Língua Russa
“Em 2010, a ONU instituiu o Dia Internacional da Língua Russa, uma das suas seis línguas oficiais de trabalho (a par do Árabe, do Chinês, do Espanhol, do Francês e do Inglês), a ser celebrado a 6 de Junho. Esta data foi escolhida para divulgar o russo como um dos dez idiomas mais falados no mundo e homenagear o criador do padrão clássico da língua literária russa, o “Camões Russo”, o grande poeta nacional Aleksandr Serguéievitch Púchkin que se tornou a personificação da cultura russa, cujo aniversário se comemora neste dia.”
A língua russa pode ser áspera quando ouvida, mas foi em russo que alguns dos melhores romances do mundo foram escritos. Quando lá estive nos anos 80, levei um livrinho que falava sobre Moscovo e Leninegrado e tinha no final algumas páginas com as expressões mais importantes para o dia a dia escritas no nosso alfabeto, com transcrição fonética e em cirílico. Usei todos os dias no trivial, mas mais para entender o que estava escrito no metro, na estação de comboios, nos museus. Por vezes era gratificante fazer-me entender. Um motorista de táxi ao perceber que éramos portugueses e ficando feliz com a gratificação, gritou em plenos pulmões “Eusébio! Benfica!”. Nunca se pode ficar aborrecido quando Portugal é reconhecido em russo!

estive em S.Miguel onde encontrei pela última vez o meu Amigo Zé Medeiros.
do meu tempo de Coimbra
‘ ó velho Gonçalo Velho,
ó rei dos navegadores
quem te partisse um chavelho
ao descobrires os Açores’.
por falta de tempo abandonei o meu curso de Russo. gosto de línguas com declinações.
em Paris fui aluno da Russa Mademoisele Tchubar, que bebia as batatas.
os Russos de invadidos passaram a invasores.
pequeno trecho do Diário do Conde de Ciano
« nella nostra posizione geografica, si può e si deve detestare la massa di ottanta milioni di tedeschi, brutalmente piantata nel cuore dell’Europa, ma non si può ignorarla.
Quando está desentulhado , escreve coisas interessantes, vê?
Pela beleza, pelas gentes, pela comida.
Tenha calma, não exagere.
Eu quando fui aos Açores (mais do que uma vez), foi das épocas em que pior comi na minha vida. Nesse tempo, por lá, nas mercearias só se vendia queijo, marmelada e pouco mais. A escassez e pobreza qualitativa da comida era gritante. Fruta, só velha, mirrada e meio podre.
As gentes são muito boas, mas em São Miguel não se percebe muito daquilo que dizem (nem eles nos percebem a nós).
Se a Dulce fôr, aconselho o mês de junho (é aquele de melhor e mais fiável clima, lá) e a ilha das Flores, que é por larga margem a mais bonita de todas. Não menos do que 4 dias lá, mas de preferência mais.
Pois olhe que as minhas filhas não se cansam de lá ir, comeram sempre bem, as pessoas são uma simpatia e a beleza natural um deslumbre. Eu tirei um curso de açoreano com os meu funcionários
As suas filhas vão lá, agora. Eu fui lá, há quase 40 anos (e por diversas vezes). Nesse tempo, arranjar um restaurante onde comer nos Açores era difícil – geralmente, só nas sedes de concelho havia um, e era se houvesse. E as mercearias, como digo, estavam pessimamente abastecidas.
Há 40 anos era difícil comer bem em todo o lado. Os restaurantes bons tinham fila e listas de espera e os supermercados eram escassos. Os comércios tradicionais também não os havia em grande quantidade . Havia as mercearias que normalmente tinham taberna, os talhos, a mulher da Costa que vinha vender peixe e os Lugares, para a fruta e hortaliça. As Praças serviam duas ou três freguesias.
Mas sabia tudo melhor, verdade seja dita.
Uma sugestão (que suspeito desnecessária): não se fie na opinião, lapidar e sentenciosa, muito sentenciosa, de quem produz diárias afirmações peremptórias sobre tudo e todos. E sobre o que conheceu – ou onde esteve – há quarenta anos, como se de lá tivesse regressado ontem. Como se nada entretanto se tivesse passado. Só posso dizer que conheço, e mal, S. Miguel (onde de bom grado envelheceria, se me desse a vida essa possibilidade), de uma boa mão cheia de visitas; estive também uns dias na Terceira; outros no Faial (onde fui bafejado pela especialíssima sorte de acordar e adormecer perante a sublime visão do Pico, ora cristalinamente recortado ora quase invisível – ou de todo ausente – em valente, muito valente, borrasca).
Não conheço ainda as Flores; e todos me dizem ser essa uma grave lacuna. Os Açores não são, definitivamente, o local de eleição para quem se encerre em casa, maldizendo o mundo, assim que do céu tombam uns pingos e a temperatura esteja abaixo de trinta graus. Nem, talvez, para quem vá de férias para comer e nada mais (mas come-se bem, lá, muito bem), ou tenha do lazer a ideia das Baleares ou de Cancun. Ou da desgraça suburbana – com meritórias excepções – do tão gabado Algarve.
Mas, isso assente, são coisa imperdível. Creia.
Por certo que não me fio, Costa. Acredito que será uma viagem inesquecível, pelo menos para nós que gostamos de caminhar e conhecer.
Obrigada pelas imagens escritas.
A língua russa pode ser áspera quando ouvida
Todos os estrangeiros confundem facilmente o russo com o português (de Portugal), que aparentemente têm sonoridades muito similares. Se o russo é áspero, imagino que o português também o seja…
“Todos os estrangeiros confundem facilmente o russo com o português”
Todos, quais ? É que é tal e qual!
Tive um funcionário russo, o Sergiy, que me disse que o português era difícil de aprender. Ele repetia muitas vezes uma expressão e eu pela transcrição fonética consegui descobrir que era um palavrão.
OK, não são todos. Mas já diversos estrangeiros me disseram, ao ouvir falar português, que lhes parecia russo.
Não me parece idêntico, nem nunca lhe apanhei inflexões semelhantes, mas como eu não sou estrangeiro, não ateimo.
Eu estava com uma prima numa casa de chá, em Londres, corriam os anos 70. Conversávamos conversávamos sem parar como só sabem conversar duas raparigas e notámos que um senhor já muito velhote(um idoso dir-se-ia agora) não tirava os olhos de nós, e cada vez mais, e punha a cabeça de lado como se quisesse ouvir o que dizíamos sem se dar ao trabalho de disfarçar aquela indiscrição. O tempo passava, o velho sempre a olhar e a escutar, nós devíamos ir fazendo uns comentários enxofrados. Quando entendeu, levantou-se, abeirou-se da nossa mesa e disse: “Minhas senhoras devem ter notado o enlevo com que as ouvia e peço desculpa se fui incómodo mas ouvindo-as por minutos julguei estar na minha terra a ouvir o som da minha língua, eu sou russo, assim falavam os russos.” Sorrindo acrescentou “The nice ones”.
Como contribuição para o diálogo, apeteceu-me contar esta história.
Muito obrigada pelo vosso blog
Conte sempre as histórias que quiser , Margarida, adorei! E vem fundamentar a teoria do balio e tudo.
Obrigada!
Dizem que os açorianos não apreciam a beleza das paisagens, doutra forma nunca teriam saído aos milhões para os EUA. Afinal são como os irlandeses que a fome e a miséria os fez sair das belezas da sua ilha.
Interessante, na região de Boston haver muitos apelidos “Enes” na lista telefónica e serem todos de pessoas com origem açoriana. O que aconteceu, na chegada de açorianos aos Centro de Emigração nos EUA teriam de ser registados com o seu apelido e um diminutivo americano, e assim apareceram os Tom, Ted, John ou Bill Enes.
A razão do “Enes” é por ter sido mal percebido que se tratava do nome “Inácio” e não do apelido. A corruptela de Inácio para Enes é explicada com o sotaque açoriano de Inácio…Ináss. Enass….Eness… que deu Enes (pronunciado Enesse).
Quando vivi nos Países Baixos confundiam-me com marroquino fisicamente e com russo no falar. O mesmo tinha acontecido muitos anos atrás, quando em adolescente namorei uma semana com uma bela universitária americana da Universidade Flutuante “Seven Seas”, com estadia no Tejo.
Como diz, são dos mais belos romances de sempre os escritos na língua russa.
Mas, agora com esta russofobia à la mode haverá quem puxe a fasquia para uma “noite de cristal” que nem o “Guerra e Paz” escapa. Ignorantes Bas de oportunistas caceteiros.
A língua estrangeira que melhor prenuncia o português é o hebraico. Um israelita, provavelmente de origem sefardita, diz correctamente as nossas palavras.
Curiosidade interessante, o Enes. Gostei de saber.
Eu que já trabalhei com russos não consigo entender as similaridades da língua, mas tenho que acreditar que quem ouve entenda assim. Curiosamente tínhamos um amigo na El Al que nos entendia perfeitamente, apesar de nunca ter aprendido português. A russofobia é mais Putinofobia, porque Putin não é a Rússia nem representa todos os russos e o mundo seria um lugar inóspito e triste se se confundisse a cultura de um país com a loucura do seu líder.
A língua estrangeira que melhor prenuncia o português é o hebraico.
Talvez. Mas já ouviu romanche, uma língua de origem latina que é falada no cantão dos Grisões (Graubuenden), no nordeste da Suíça? Falado, é igualzinho ao português!! Um português ouve aquilo e parece tal e qual a nossa língua. A pronúncia é a nossa, sem tirar nem pôr!
Até o romeno tem muita sonoridade nossa.
Sim, sim, andei por esses lados com cinco notas de mil escudos a tentar cambiar por francos suíços, mas tá bem, tá bem…, só em Genebra numa Loja de portugueses a um preço muito abaixo.
E temos a pronúncia do Alto Alentejo/Beira Baixa com mistura de romanche (povoamento de D. Sancho I) e de langue d’oc, ou com outra gente fugida da sul da França (cátaros?) que fundaram a localidades como Nisa (Nice), Tolosa (Toulouse), Arez (Arles), Montalvão (Montauban) e até no rio Tejo as Portas de Rodão (rio Rodano).
Os alentejanos de Nisa, Gavião, Alpalhão e, até, da outra margem do Tejo, Belver, Malpica, pronunciam o “u” como os franceses.
É isso mesmo. Apitado
Nunca se pode ficar aborrecido quando Portugal é reconhecido em russo!
Reconhecimento futebolístico não é específicamente russo. Tendencialmente é universal.
Há poucos anos desembarquei com a minha mulher, já de madrugada, no aeroporto do Líbano.
Porque sou surdo, peguei nas duas bagagens de mão e deixei-me ficar para trás, seguindo a minha mulher à frente com os dois passaportes. O controlo estava a demorar e, atrás de mim, a fila era já enorme. Receando algum problema e porque falo melhor francês do que a minha mulher, aproximei-me e com estupefacção, percebi que o funcionário estava a desfiar o nome dos jogadores da selecção portuguesa de futebol e a dar a sua opinião sobre cada um. Isto ainda durou uns minutos e o mais extraordinário é que ninguém na fila protestou.
Mas é isso mesmo. Reconhecerem Portugal lá fora pela sua grandiosidade, acredito que só no futebol. Comigo foi em Moscovo nos anos 80, quando o Eusébio e a Amália eram a referência máxima do nosso país no mundo. Provavelmente agora seria o Ronaldo e a selecção, como se passou consigo.