
Adolfo Mesquita Nunes: «A traição não nos acontece. Nós é que a chamamos, primeiro ao de leve, como quem finge que não quer, depois quase aos berros, como quem finge que resiste. Ainda que dependa da oportunidade, a traição é sempre um exercício de vontade. É por isso que, nesse momento em que nos sabemos presos, apenas nos resta abraçar a liberdade do arrependimento. Só ele respeita a traição enquanto aquilo que ela é: uma opção.»
Helena Sacadura Cabral: «Este ano a Feira do Livro ajudou-me muito a voltar ao mundo real, apesar de ter sido muito estafante devido ao calor. Mas recebi tanto, mas tanto, carinho das pessoas que me procuraram, que não tenho o direito de me queixar. Foram esses abraços carinhosos, esses beijos sentidos que me devolveram a uma certa forma de vida quotidiana.»
José Maria Gui Pimentel: «Quem tem fome não vota em partidos de protesto, vota em partidos de acção.»
José Navarro de Andrade: «Para estes eméritos juristas a qualidade de uma legislação afere-se em abstracto. A lei é em si mesmo de uma bondade inapelável, o problema é essa coisa abjecta e contingente chamada realidade à qual ela, desgraçadamente, se vê obrigada a descer. A santidade intrínseca da lei é conspurcada pela malvadez inata dos homens.»
Leonor Barros: «Este primeiro-ministro conseguiu um feito único: ser o primeiro-ministro mais vaiado em menos tempo de governação e digamos que em termos de comunicação difícil é pior. Alguém que o aconselhe que o rapaz anda desgovernado. Como nós, de resto.»
Luís M. Jorge: «As caixas de comentários dos grandes blogs colectivos recordam-me sempre uma boutade do Eça de Queirós em que se explicava a alguém que nos bordéis de Lisboa todas as meninas eram miguelistas.»
Rui Rocha: «António Seguro garante que é a cara do emprego. Isto preocupa-me. Confesso que vi o emprego poucas vezes. E há muito tempo. Mas estava capaz de jurar que tinha um aspecto muitíssimo diferente. Por isso, das duas uma. Ou sou mesmo um péssimo fisionomista e não o consigo reconhecer quando dou de caras com ele, ou Seguro não se tem visto ao espelho. Nenhuma das alternativas é, convenhamos, muito agradável. Em todo o caso, uma coisa é certa. Se Seguro tiver razão, está na cara que se trata de emprego precário.»
Eu: «Para um democrata, nunca é de mais sublinhar a importância destas rotações de poder ditadas pela soberania do voto popular. Num continente onde crescem de modo alarmante as forças extremistas “anti-sistémicas”, indiferentes às lições da História bem evidenciadas nas décadas de 20 e 30 do século passado, um democrata convicto tem o dever cívico de proclamar esta sua condição. Que implica a aceitação dos resultados eleitorais, sejam eles quais forem. O exercício do direito de voto torna as sociedades mais fortes contra as investidas de todos quantos pretendem suprimi-lo invocando para esse efeito palavras tão apelativas e tão manipuláveis como povo, pátria, nação ou classe.»

“… já viste país que se leve mais a sério do que o nosso?
Hoje fui almoçar a casa de uma amiga que celebrava a entrada nos sessenta. Eram nove mulheres inteligentes e com apurado sentido de humor. Não eram intelectuais. Se as tivesse de classificar colocá-las-ia, massivamente, no jet set de Cascais. Esta circunstância que, por petulância, me afastaria de imediato da reunião não teve, neste caso, qualquer importância. Justamente, porque a maioria delas trabalha e todas sabem rir de si próprias!
Divorciadas? Bastantes. Excepto quatro, duas das quais em segundo casamento. Não calculas o que rimos de todas nós.
Sábado, irei almoçar à Comporta para comemorar o aniversário do marido da aniversariante de hoje. Nesse dia, o meu filho Miguel também faz anos. Desde a sua adolescência que não consigo estar com ele nesta data. Nem ninguém da família. Porque as festividades do Dia do Trabalhador passaram a ser as suas. Queres maior sadismo?
Já pensaste no psicodrama que eu poderia fazer, se não fosse, justamente, o meu sentido de humor?
Ás vezes, gosto tanto de mim e do meu posicionamento na vida que acabo a rir-me de quase tudo à minha volta, incluindo eu. E esta, hein?!
Saudades da amiga louca,
Helena