
Helena Sacadura Cabral: «Hoje houve eleições em dois países europeus. Um, a Grécia, mergulhado numa crise como não há memória, deu ao partido socialista uma derrota da qual vai ser difícil sair. O outro, a França, a caminhar para uma crise cujos contornos são ainda pouco claros, deu ao socialista François Hollande o seu voto para que ele ponha em prática as sessenta medidas com que se comprometeu.»
José António Abreu: «Maupassant terá possuído numa só hora, perante uma testemunha, seis mulheres num bordel parisiense. Mas relações envolvendo troca de dinheiro dificilmente representam a realidade ou a sensibilidade de uma época. Por outro lado, convém evitar dar excessivo crédito a declarações de machos com tendência para o priapismo – ou para a gabarolice. É por esta razão que os relatos do divino Marquês de Sade também não nos servem para caracterizar o que quer que seja. Podíamos ainda recorrer à Bíblia, que nos fala de Sodoma e Gomorra, ou a relatos gregos e romanos mencionando bacanais mas continua a ser difícil fazer comparações com os tempos actuais (como determinar se Calígula participava em mais ou menos orgias do que José Castelo Branco?).»
Luís M. Jorge: «Vasco Pulido Valente dedica a sua crónica de hoje à tentativa frustre e atordoada de persuadir o leitor que Hollande “não mudará a Europa”. Como se Hollande não tivesse mudado a Europa no próprio minuto em que venceu: bastou-lhe não ser Sarkozy. Nesse minuto, a cumplicidade entre os Governos francês e alemão acabou. Merkel está só. A segunda potência europeia escolheu outro caminho. Nenhuma birra, nenhum azedume altera a realidade.»
Rui Rocha: «Com Hollande, a França pode tornar-se num dos países baixos.»
Eu: «Em todas as capitais da União Europeia as forças extremistas, nacionalistas e populistas vão ganhando terreno. Não só em Atenas, não só em Paris. Por uma espécie de lenta implosão das famílias políticas tradicionais, incapazes de escutar a voz da rua. Sinais que devem fazer meditar seriamente os políticos com responsabilidades governativas. Para que a união não se transforme em desunião e o sonho europeu não naufrague. Só ele possibilitou a paz prolongada na Europa, de longe o continente com maiores cicatrizes de guerra. Como a História nos ensina.»

Maupassant terá possuído numa só hora, perante uma testemunha, seis mulheres num bordel parisiense.
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