DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Eram um casal tão romântico, tão romântico, que só tinham de seu o amor e uma cabana. Passaram meia vida a gastar o amor, e outra meia a dividir a cabana.»

 

Bandeira: «O problema com as fotos de miradouro é serem tão… bom… fotos de miradouro, não é? Para se conseguir uma panorâmica verdadeiramente original de uma cidade há que encontrar um ponto de observação virgem, e todos sabemos o quanto eles são raros nos dias que correm. Arriscar a sua vida (ou pior ainda, a sua câmara) subindo a árvores altas ou atravessando rios tumultuosos não é verdadeiramente uma opção após os 45 (querendo com isto dizer que os seus entes queridos iriam sentir a sua falta durante pelo menos um dia ou dois, e se não tem entes queridos aos 45 é porque não está vivo, de qualquer forma).»

 

José António Abreu: «O que nos devia preocupar é a hipótese de a Constituição estar a funcionar não apenas como garantia de direitos inalienáveis mas também como garantia de empobrecimento colectivo – ajudando a tornar, numa ironia que, não fosse trágica, seria deliciosa, cada vez mais difícil o cumprimento das suas próprias exigências. Infelizmente, pouco há a fazer. Necessitado de provar que ainda é de esquerda e de aproveitar tudo o que não conste do memorando de entendimento para fazer oposição, dificilmente o Partido Socialista aprovará uma revisão digna desse nome.»

 

José Navarro de Andrade: «Desde 1974 que Varosha está à espera. No stand de automóveis do centro da cidade ainda estão os carros daquele ano prontos a serem vendidos e entregues. Nos armários continuam pendurados os vestidos de noite e sobre algumas mesas espalham-se as sobras do último pequeno-almoço. À beira mar ergue-se o casco oco dos hotéis aguardando os seus hóspedes. Há 38 anos que ninguém pode entrar em Varosha. Na Europa.»

 

Rui Rocha: «Diz-se por aí que na escaramuça entre o monarca e o elefante estiveram em confronto duas espécies em vias de extinção. É, sem dúvida, um exagero. Ao que parece, o Botswana até tem excesso de elefantes.»

 

Eu: «Comprador compulsivo de livros, mantenho a promessa de não gastar um só euro em obras que pervertam a nossa ortografia. Felizmente na Barata não faltam outros títulos, mais antigos ou mais recentes, escritos de acordo com a norma ortográfica que considero válida. E, como eu, tantas figuras relevantes das nossas letras – de António Lobo Antunes a Manuel António Pina, de Manuel Alegre a Baptista-Bastos, de Pedro Tamen a Vasco Graça Moura, de Inês Pedrosa a Miguel Esteves Cardoso.»

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