DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Ainda sobre o revoltante caso de Amina Filali, que é o mesmo que dizer, sobre o revoltante caso das mulheres árabes: uma lei que “castiga” um violador obrigando-o a casar com a sua vítima, não o castiga: premeia-o. Castigada é a vítima, uma vez mais. Muitas vezes mais, melhor dizendo, já que passa a ser legitimada e “abençoada” a agressão. Perpetuar esta monstruosidade é a suprema humilhação. É o mesmo que dizer a uma mulher que nunca mais serviria para ninguém.»

 

José António Abreu: «A mais difícil é continuar a lutar convictamente. A mais deprimente é deixar de lutar. A mais exasperante é possuir todos os motivos para deixar de lutar e não conseguir deixar de o fazer.»

 

Rui Rocha: «Amina Filali morreu. Dizem que se matou. Não é verdade. Mataram-na. Matou-a, primeiro, o animal que a violou pela primeira vez. E que a voltou a violar e a maltratar depois de casarem. E matou-a o artigo do Código Penal marroquino que permite que os autores de violação possam escapar a uma pena de até 20 anos de prisão se casarem com as vítimas. E mataram-na o pai e a mãe, incapazes de se interporem entre a sua filha e a bestialidade de um homem, da lei, dos usos e das tradições. O acto final a que chamam suicídio tem, neste caso, apenas o valor de uma autópsia que Amina fez a si própria.»

 

Teresa Ribeiro: «As moscas enlouquecem-nos. A ele porque lhe invadem o território e a mim porque se tornaram uma séria ameaça à integridade das  minhas cortinas e objectos de decoração.»

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