O chamberlainismo de Mariana Mortágua


Pedro Correia,

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14 de Fevereiro, no programa “Linhas Vermelhas” (SIC N):

 

«Devemos ter muito cuidado a analisar este conflito e evitar interpretações simplistas. O que está em causa não é uma luta do bem contra o mal, nem do imperalismo e dos seus inimigos, nem da democracia e dos seus inimigos. (…) Certamente não são os Estados Unidos que vão impor a democracia na Rússia.»

 

«O que está em causa, para a Rússia, é a segurança do seu espaço e da sua fronteira, que considera ameaçada pelo facto de um país que faz fronteira com a Rússia, a Ucrânia, pertencer à NATO e a NATO ser um espaço de influência militarizada dos Estados Unidos. A Rússia viu o seu espaço de influência ser reduzido desde a queda da União Soviética com a NATO a entrar por países cada vez mais próximos da zona de influência russa e entende que esta proximidade da NATO é uma ameaça à sua estabilidade e à sua segurança.»

 

«Parece-me que a questão de fundo não é a invasão da Ucrânia. O que está em causa é o espaço que é dado à Rússia e o espaço de influência da Rússia perante esta chegada da NATO às suas fronteiras.»

 

«É verdade que as tropas estão lá, num movimento político de pressão, mas não falaram em invasão. Quem tem anunciado a invasão são as autoridades norte-americanas com declarações bastante arrogantes do Presidente americano.»

 

«A Rússia está a sentir que o seu espaço vital está a ser ameaçado e desloca tropas para a fronteira com a Ucrânia como forma de pressionar a não-entrada da Ucrânia para a NATO, que é um espaço militar sob a influência dos EUA.»

 

«Os Estados Unidos e o Reino Unido estão a escalar os conflitos verbais e a anunciar uma invasão.»

 

«O que está em causa é a Rússia a ser espremida no seu espaço de influência. (…) O que temos de pensar não é no que é moralmente certo ou errado fazer perante isto: é o que é melhor para a população da Ucrânia e para a paz mundial.»

 

«Putin quer subir a parada porque não quer ter a NATO na sua fronteira. (…) A neutralidade militar da Ucrânia é uma condição de paz e estabilidade.»

 

«Não sou ingénua para não achar que por detrás dum conflito e duma escalada deste tipo não há interesses económicos fortíssimos que não são só de Putin.»

 

«Putin não invadiu a Ucrânia, Putin não invadiu a Ucrânia.»

 

 ………………………………………………………….

 

Estas declarações da deputada do Bloco de Esquerda ocorreram quando Putin já ordenara a concentração de largos milhares de soldados junto à fronteira com a Ucrânia e iniciara intensas manobras militares na vizinha Bielorrússia.

 

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21 de Fevereiro, no programa “Linhas Vermelhas” (SIC N):

 

«Eu seria mais cautelosa a anunciar uma invasão e o início de uma guerra. Condenar Putin, todos condenamos. A questão é saber se as potências europeias e as potências americanas podiam ter feito alguma coisa para evitar que este conflito escalasse. (…) As sucessivas declarações ou premonições ou antecipações de uma guerra que ainda não existe não me parece ser uma boa política.»

 

«A guerra não existe. É um conflito diplomático. Pode vir a ser, pode não vir a ser, nós queremos evitá-la. E não se evita uma guerra assumindo que ela existe. Eu acredito em soluções diplomáticas, sempre acreditei, porque não se evita uma guerra fazendo a guerra. (…) O que está em causa é se a atitude dos Estados Unidos contribuiu para escalar este conflito e se a atitude da NATO foi responsável por escalar este conflito.»

 

«Num período de grande sensibilidade, num período de grande tensão, parece-me que devemos ver todos estes factos com a maior cautela e querer o caminho da solução política em vez de querer o caminho da bravata e do conflito, como se isso solucionasse alguma coisa, quer para os Estados Unidos quer para a Rússia.»

 

«A declaração unilateral de Bush em 2008 que a Ucrânia e a Geórgia deviam pertencer à NATO foi vista por uma provocação à Rússia. Há um conflito histórico entre a Rússia e os Estados Unidos. Sabemos que a partir do momento em que uma força militarizada com a influência dos Estados Unidos entra na fronteira da Rússia isso vai ter uma consequência.»

 

«A proposta de entrada unilateral da Ucrânia na NATO precipita uma tensão que deveria ter sido evitada.»

 

«A democracia ucraniana tem o problema de não ser uma democracia.»

 

«É uma irresponsabilidade andar a abanar sanções como forma de agressividade e de escalada do conflito. Os Estados Unidos vêem nas sanções uma forma de guerra económica à Rússia e de com isso enfraquecer a União Europeia.»

 

«É irresponsável anunciar uma guerra e devemos evitá-la a todo o custo. Uma invasão não dá direito à guerra.»

 

«Eu não preciso de deixar de criticar Putin ou de condenar a invasão para conseguir condenar a política dos Estados Unidos e a política da UE relativamente à Rússia.»

 

«É cedo e precipitado estar a falar neste momento pois não conheço as movimentações que estão a acontecer.»

 

«Não quero arriscar qualificar aquilo que aconteceu, nem como invasão e muito menos como início de uma ocupação. É uma irresponsabilidade antecipar tragédias.»

 

«Não sabemos o que pensam de facto os ucranianos. O que vejo é um governo de extrema-direita, com fascistas, um governo corrupto.»

 

«O fim do gasoduto russo-alemão iria enfraquecer a União Europeia.»

 

                             ………………………………………………………….

 

Estas declarações da deputada do Bloco de Esquerda ocorreram no dia em que Putin anunciou ter dado ordem para o início da agressão à Ucrânia após reconhecer as pseudo-repúblicas de Donetsk e Lugansk. 

 

Leitura complementar: A aceitabilidade vigente, do JPT.

72 comentários em “O chamberlainismo de Mariana Mortágua”

  1. Muito bem Pedro Correia, isto é que é Delito de Opinião. Qual China qual Vietname, aqui temos a opinião, aqui e na TV CNN que final até agradeceram à Mortágua (4% do eleitorado).
    Agora, para não ser igual aos outros lá dos confins, até vai agradecer com um ‘obrigado pelo seu ponto de vista, que até aqui sai publicado’.

          1. Ainda bem — às tantas descobríamos que tínhamos um comunista na família. Prefiro não saber.

      1. Há uns anos atrás esta senhora criticava Donald Trump pela forma lidava com Putin.
        Agora critica Biden pela mesma medida.
        Com Obama e o seu clã, onde se encontrava Joe e o filho Hunter, deu-se o problema da Crimeia. Agora com Joe de novo em ação, novo problema na Ucrânia.
        Será por acaso?

        1. A última coisa que me apetece é debater a demencial política interna norte-americana, com os seus loucos de parte a parte.
          Eles que se entendam.

          Preocupa-me muito mais o que está a acontecer na Europa.
          Preocupa-me que uma deputada de um partido que até há quatro meses apoiou o Governo português – e até já chegou a ser incensada ao ponto de a verem como futura «ministra das Finanças» – propale conceitos etno-raciais que evocam o nazismo, como este do «espaço vital» russófono à laia de justificação do expansionismo putinesco para os Estados vizinhos, incendiando o continente.
          Em 2022 tal como em 1939. Eis a História a repetir-se, dia a dia, defronte dos nossos olhos.

          1. “Eis a História a repetir-se”, não como farsa, mas sim como drama. Terrível drama.
            Esta senhora, apesar da sua postura empertigada, não merece que lhe dêem palco. É gente sem valor.

        2. Será por acaso?

          Não. Em ambos os casos Putin sabe que tinha do outro lado uns pacifistas do tempo em que se usava flores no cabelo em São Francisco.

    1. Não consigo encontrar melhor definição do que este neologismo – chamberlainismo – para qualificar as posições concretas assumidas pela deputada do BE nos dias 14 e 21 de Fevereiro de 2022.
      Ficam aqui transcritas para mais tarde recordar.

    2. Bater nos que andam por baixo é regra de ouro. Se um dia destes voltarem a fazer falta logo serão repescados. Sobre um palhaço que refere é de perguntar qual deles.

  2. Extraordinário o tempo de antena que o BE tem nos media, qdo dizem praticamente o mesmo que o PCP , apenas com um embrulho diferente.É bom ter amigos nas redacçoes das tv.

    1. Ainda bem que têm todo este palco. Se o não tivessem, ficaríamos privados de conhecer os excelsos pensamentos desta deputada com antolhos que não lhe permitiam ver a agressão russa já em marcha contra a Ucrânia mesmo após ter sido confirmada pelo ditador moscovita, aponta o dedo acusador aos Estados Unidos (tal como faz o PCP em piloto automático), imagina a Ucrânia como estado-membro da NATO e equipara o agredido ao agressor.

    2. O BE é a solidificação da cobardia e de complexos de culpa burgueses numa espécie de gel de cânhamo que torna as pessoas tão certas de si quanto agressivas. Nada que um bom par de tabefes ou um susto não resolva.

  3. L’assemblée parlementaire est une représentation trompeuse du peuple, et les régimes parlementaires constituent une solution tronquée au problème de la démocratie; l’assemblée parlementaire se présente fondamentalement comme
    représentante du peuple, mais ce fondement est, en soi, non démocratique, parce que la démocratie signifie le pouvoir du peuple et non le pouvoir d’un substitut… Le fait même de l’existence d’une assemblée parlementaire signifie l’absence du
    peuple. Or la démocratie véritable ne peut s’établir que par la participation du peuple lui-même et non au travers de l’activité de ses substituts. Les assemblées parlementaires, en excluant les masses de l’exercice du pouvoir et en usurpant la souveraineté populaire à leur profit, sont devenues un écran légal entre le peuple et le pouvoir
    Muamar Kadafi in le livre vert

  4. Este título é uma injustiça para Chamberlain. Ele pelo menos deu ordens para a Grâ-Bretanha se rearmar. A Mortágua está mais próxima de se alistar nos Spetsnaz…

    1. Que Chamberlain ande a ser reabilitado diz muito sobre a quebra de valores que tem vindo a ser registada nestas últimas décadas na Europa ocidental.
      O homem que se pôs de cócoras perante Hitler e foi o último a perceber os intuitos belicistas e hegemónicos da besta totalitária de Berlim vai sendo considerado quase um herói por aí. Sinal dos tempos…

      1. Não. Chamberlain merece críticas e pôs-se de cócoras perante Hitler mas por falta de coragem, não por ignorar quais as intenções de Hitler ou achar que era um tipo respeitável.

        Sim concordo que há um movimento para reabilitar Chamberlain para denegrir Churchill.

  5. É a primeira vez que comento neste blog, que venho seguindo há algum tempo.
    Apesar de não suportar bloquistas, comunistas e afins estalinistas, preocupa -me a forma cega como se lhes denega a interpretação dos factos.
    Em todas as opiniões se podem retirar ideias pertinentes.
    Relativamente à negação de guerra, esta negação não é de todo descabida.
    Uma guerra não é isto. É parecido, mas muito mais mortífera e sangrenta.
    Se a Rússia invadisse a Ucrânia numa posição de guerra declarada, as coisas não ocorreriam assim. Seria mais destrutiva, mais rápida e mais mortífera. Será ingénuo aquele que pensa que o terceiro maior exército do mundo não aniquilaria rapidamente umas forças armadas depauperadas.
    A pretensão da Rússia em manter a NATO longe das suas fronteiras, é tão válida como a NATO pretender o mesmo.
    Não creio que seria diferente a atitude dos EUA, se a Rússia regressasse a Cuba, como o fez nos anos 60.
    Mas nessa altura não foi preciso chegar a este ponto de invasão, porque os russos retiraram, algo que não aconteceu aqui, apesar dos vários avisos nos últimos anos.
    A desmilitarização da Ucrânia é ponto essencial da Rússia. Ser legítima esta exigência é outro assunto. E se fosse ao contrário?
    Depois temos este endeusamento de Zelensky. O que me faz muita confusão.
    As manobras de propaganda pessoal, de culto de uma imagem que vende, tem toldado muitas mentes.
    Zelensky não é nenhum puro, cheio de virtudes. Zelensky tem no seu currículo uma péssima gestão da crise do Donbass. É responsável por muitas mortes e por esta aproximação à Rússia de uma parte significativa do seu povo.
    Foi ele quem violou o acordo de Minsk e deu origem a um conflito armado.
    A alusão ao nazismo não é descabida de todo. A Ucrânia utilizou nesse conflito o recurso a destacamentos paramilitares de extrema direita, com contingente armado pelo governo no Donbass.
    E esta vitimização vai acabar por trazer a Ucrânia para a UE, desrespeitando as mais básicas regras de adesão, as mesmas que foram aplicadas aos estados que aguardam há anos por isso.
    A Ucrânia não é o poço de virtudes que tanto se quer transmitir.
    É um dos países mais corruptos do mundo, apenas a dois ou três lugares da própria Rússia.
    E não é difícil perceber que a adesão à UE é um não assunto para os russos. Já à NATO, é diferente.
    E no final, a Ucrânia acaba na Europa, contra todas as premissas de adesão, a NATO vai acabar por lhes fechar a porta, pois não pretende continuar com este risco e Zelensky consegue aqui uma mediatização inimaginável.
    Os ucranianos espalham -se pela Europa, com apoios nunca dados a outros que sofrem em conflitos muito mais sanguinários e longos.
    Por isso, a culpa deve ser repartida. Pela Rússia em ter invadido um estado soberano, pela Ucrânia e pela NATO por não terem sido ponderados e por revelarem muita subvalorização daquilo que os russos são capazes.

    1. Conclusão de todo esse seu arrazoado: as culpas devem ser repartidas… entre o agredido e o agressor.
      Pilatos não diria melhor.

      O equivalente, nas relações internacionais, àquela tese troglodita das relações domésticas: «ela apanhou mas estava mesmo a pedi-las por ser uma desavergonhada».

      1. Não é bem isso, mas está visto que não vale a pena explicar.
        Os motivos para um conflito armado nunca deveriam ser analisados da perspectiva do bom contra o mau, porque o bom é sempre bom e o mau é sempre mau.
        Não estando a discutir legitimidade, apenas quis trazer o debate para uma perspectiva diferente. Mais abrangente do que aquela mais afunilada.
        Podemos não concordar com os motivos ou com a forma como se pretende atingir um objetivo.
        Mas pensar no porquê de se querer determinado objetivo é fundamental.
        E sim, pensar no que seria feito, se acontecesse ao contrário, como já aconteceu, pelo menos de forma semelhante, é pertinente.
        Bom fim-de-semana

        1. Aplicado às relações domésticas, essa tese equivale ao velho brocardo “entre marido e mulher não metas a colher.”
          Não há bons e maus. Não há moral.
          Quem dita a lei é o mais forte, é o que está armado até aos dentes.
          Entre Hitler e Anne Frank, venha o diabo e escolha.

          Bom fim-de-semana também para si.

      2. Isso mesmo, não há mas nem meio mas.
        Passaram 48 anos a aguentar com eles à solta, agora é caçá-los e Peniche com eles. E não esquecer os que ainda há meses diziam coisas bonitas do Jerónimo.

        1. A Rússia do vosso querido Putin está cheia de Peniches e de Aljubes e de Caxias e de Tarrafais.
          Vocês aplaudem os carcereiros e os torturadores.
          Não vos resta um pingo de vergonha.

          1. Adoro estes debates. Há uns anos, Trump era o diabo e ai de quem o tentasse o tentasse perceber, por mais ténue que fosse essa tentativa. Era logo racista, fascista e mais uns quantos nomes.
            Com o ventura, a mesma coisa.
            Agora é com Putin.
            Isto é demasiado fundamentalismo. Mas do bom. Daquele que se pode ter.

    2. Se a Rússia invadisse a Ucrânia numa posição de guerra declarada, as coisas não ocorreriam assim.

      Claro que não! Provavelmente trariam tanques, carros blindados, colunas militares, bombardeariam alvos militares e bairros civis bairros indiscriminadamente. Atacariam em várias frentes para dividir as forças opositoras. Cercariam durante dias as cidades bombardeando-as a partir da periferia e as pessoas teriam de abrigar ou fugir. Isso sim seria uma guerra a sério.

      1. Mesmo assim ainda não seria uma guerra a sério.
        Para mim uma guerra a sério tem de lá ter o Stallone ou o Schwarzenegger ou os dois ao mesmo tempo, isso sim é que era. Ou então aquelas guerras com os índios em que os gajos tiravam os escalpes aos caras pálidas.

        1. Não há guerra.
          Há um morticínio em curso.
          Há um êxodo gigantesco, que já fez 1,2 milhões de ucranianos abandonarem os seus lares e procurarem refúgio nos vizinhos do Ocidente.
          Há uma invasão de um Estado pacífico por outro Estado, com um exército muito mais poderoso e munido de arsenal nuclear.

          Considerar isto guerra é o mesmo que chamar “guerra” à invasão de Timor-Leste pelos indonésios em Dezembro de 1975.
          Alguém de boa-fé chamou “guerra” a isso?
          Claro que não.

          1. ‘uma invasão de um estado pacífico’, seria assim e não havia invasão.
            O problema foi querer passar a estado pacífico a estado com forças militares da NATO.

          2. Se fosses juiz e tivesses de julgar um caso de violência doméstica, com o marido a dar um enxerto de porrada na mulher, ilibavas o gajo usando esse mesmo argumento que invocas agora para ilibar a Rússia no crime de agressão à Ucrânia.
            «Ela apanhou mas estava mesmo a pedi-las por ser uma desavergonhada.»

          3. Se fosses juíz saberias que em todos os crimes existem atenuantes e agravantes. A culpa continua lá, mas a pena é aplicada mediante estes dois fatores.

          1. Aquilo é tanto “guerra” como uma mulher ser agredida ao pontapé e à estalada por um troglodita, alegadamente seu companheiro, debaixo do mesmo tecto.
            Enquanto um vizinho (pró-Moscovo) vai ouvindo e pensa com os seus botões: «Entre marido e mulher, não metas a colher.»

    3. A Ucrânia não é o poço de virtudes que tanto se quer transmitir.

      Isto é quase inqualificável — como se Portugal não fosse digno de ajuda por ter também grupos de extrema-direita. No caso da Ucrânia, há muitas considerações sobre o seu papel na 2ªGG há quase 100 anos (os tais “banderistas” por exemplo) mas… naquela zona da Europa… diga-me lá que povo é virtuoso? Ou que não é virtuoso? Qual deles é que nunca atacou os vizinhos? Como é que se generaliza a culpa por países que até têm tido fronteiras variáveis? Como é que os alemães são todos culpados por Hitler ter existido e os russos não são culpados por Estaline ou Putin terem existido? Explique lá como é que isto funciona para a gente saber.

      1. Mas em Portugal ninguém legaliza grupos paramilitares neonazis para matar alguém. Muito menos os condecora com altas recomendações de estado, tal qual este presidente fez em 2019 e 2020.
        Recordo-me que quando o kosovo foi reconhecido e protegido pela NATO, todos bateram palmas, porque aqueles tinham o direito à sua autodeterminação. A Rússia mostrou-se contra.
        Agora na Ucrânia, inverteu-se. A NATO não aceita autodeterminação dos povos de leste da Ucrânia, a Rússia apoia.
        E lá vamos nós do alto da nossa arrogância, achar inaceitável, porque a nossa verdade é que é boa e a dos russos é que é má. A nossa é cheia de boas intenções e a dos russos é cheia de interesses.
        E lá está, até eu falo em nós e eles. Os bons e os maus. Mas os russos pelos vistos não podem olhar para o ocidente assim. Porque o ocidente é que o bom. No matter what.

        1. A maior financiadora da direita mais radical e de grupos neonazis um pouco por toda a Europa é precisamente a corte do czar Putin.
          Só um imbecil acredita que os fuzis de Moscovo estão na Ucrânia a combater o “nazismo”. Precisamente quando Putin decalca a táctica de Hitler passo a passo no “direito de pernada” tornado terrorismo de Estado.

        2. A NATO não aceita autodeterminação dos povos de leste da Ucrânia

          Mas qual NATO? A OTAN não tem nada a ver com o assunto. O que se passa ali é que a União Soviética deslocava populações inteiras para criar estes enclaves (precisamente para criar estas situações no futuro) e o que existe é uma minoria que está a ser instigada por Moscovo para reclamar uma independência que, se fosse a votos por aquelas bandas, nunca passaria de uma vontade marginal. Aquilo é Ucrânia, mas Moscovo como sempre quis o acesso ao Mar Negro tem feito trinta por uma linha para abrir caminho por ali. E vale tudo. Até mandar cassetes para o PCP para eles depois virem para os blogs livres cantar a cantiga do costume.

          Párem lá com a merda da NATO. A NATO não tem nada a ver com isto. E, infelizmente, parece que nem quer ter nada a ver com isto tudo.

        3. O Ocidente não é bom nem mau, a Rússia presumo que também não é boa nem má. O que existe é um sarilho provocado pelos comunistas (especificamente a criação de enclaves de populações da república X nas repúblicas Y e Z) e que se arrasta há dezenas de anos.

          E o que também existe é um tipo chamado Putin que já arrasou dois ou três países para recuperar um império impossível que já ninguém quer. Nem os Russos.

          Eu que não sou a favor do multiculturalismo, nem me importo que a Rússia pretenda manter o seu “espaço vital” — mas acho que não precisa da Ucrânia para isso. Nem de outra terra nenhuma. Já tem 1/8 do planeta. Aquilo de que Putin tem medo é que a EU, que se vai afundando por causa do politicamente correcto e dos wokismos (que não são mais do que movimentos supremacistas de culturas periféricas) contamine a Rússia. E é por isso que ele não quer deixar que a Ucrânia seja europeízada pelos os “gays” de Bruxelas (que por cá tomam conta de coisas como a Gulbenkian, etc).

          E se a Ucrânia é assim tão nazi e ultramontana como dizem, duvido que fossem assim tão colonizáveis pela brandura das democracias.

    4. “A pretensão da Rússia em manter a NATO longe das suas fronteiras, é tão válida como a NATO pretender o mesmo.”
      Esta questão não é razoável: a NATO não é um país, mas uma aliança entre países da Europa e os EUA, onde as decisões são tomadas colegialmente. Além disso, é uma aliança apenas para efeitos de defesa. E os países devem ser livres de aderirem ou não.
      Aceitar a posição de Putin, ao considerar uma afronta à Federação Russa, a eventual adesão da Ucrânia à NATO, não é aceitável.

  6. A Mariana Mortágua condenou a invasão da Ucrânia e é apenas isso que importa. A responsabilidade da invasão e dos crimes de guerra do exército russo é de Putin e apenas dele. Isso não impede que haja ampla margem para muito desacordo e debate para conseguir iluminar e desintrincar os os processos que nos trouxeram até esta trágica situação. Para já a única coisa certa é que é uma história muitíssima complexa e muitíssimo suja, como habitualmente aliás.

    A História é sempre complexa e o contra-factual não pode ser testado. Por exemplo, quem nos garante que com a Nato arrumadinha para cá da «cortina de ferro» não haveria agressão russa? A tua hipótese é tão boa como a minha e a resposta está no segredo dos deuses. A prudência é boa conselheira.

    Tomo a liberdade de transcrever abaixo as palavras sensatas que Francisco Seixas da Costa deixou hoje escritas no seu blogue. Meditemos nelas.

    Tolerância
    Sei que é impopular, nos tempos que correm, estar a afirmar isto, mas quero lembrar que há que preservar a tolerância e deixar exprimir todas as opiniões, mesmo aquelas que indignem e choquem o sentimento maioritário. Chama-se a isto democracia e deu muito trabalho a criá-la.

    1. No próprio dia em que Putin anunciou ao mundo que iria invadir a Ucrânia com o objectivo de a riscar do mapa, pois não lhe reconhece o direito a existência autónoma, a deputada Mortágua declarou – horas mais tarde – num canal televisivo de grande audiência:

      «Eu seria mais cautelosa a anunciar uma invasão e o início de uma guerra.»
      «A guerra não existe. É um conflito diplomático.»

      Coitada, foi a última a saber…

      E que mais?
      Justificou a agressão russa pelo facto de haver «um conflito histórico entre a Rússia e os Estados Unidos»
      Justificou a agressão russa pela alegada «proposta de entrada unilateral da Ucrânia na NATO», que não sei qual seja.
      Alvejou Joe Biden e as instituições europeias com palavras expressas de «condenação da política dos Estados Unidos» e «da política da UE relativamente à Rússia.»

      Mas fez pior.
      Desancou a Ucrânia afirmando: «A democracia ucraniana tem o problema de não ser uma democracia.»
      Não disse nada sequer vagamente semelhante em relação à Rússia. Quando teria incomparavelmente mais motivos para falar assim do ditador de Moscovo.

      Pior ainda:
      Fez coro com a cartilha oficial russa dizendo que em Kiev existe «um governo de extrema-direita, com fascistas».

      E foi ao ponto de disparar contra o actual Governo alemão, que – hélas! – se atreveu a declarar fim à dependência energética que mantém dos russos. Declarando esta barbaridade: «O fim do gasoduto russo-alemão iria enfraquecer a União Europeia.»

      Tudo isto aconteceu há poucos dias. Está documentado com registo áudio.
      Não foi há 82 anos, quando Hitler e Estaline decidiram dividir a Europa, com o aplauso de boa parte dos intelectuais do continente – à esquerda e à direita. Uma nódoa que os manchou para sempre, tornando-os cúmplices de regimes homicidas.

      Se quer meditar em alguma coisa, medite nisto.

      1. O Pacto Hitler-Estaline, está escrito por toda a parte, só veio atrasar a operação barbarossa que veio a acontecer com milhões de soldados russos.
        As Conferências de Yalta são mais modernas, fale antes disso.

  7. IL PERSONAGGIO
    Il mistero sulla sorte del super generale Andrey Sukhovetsky: «Ucciso da un cecchino in Ucraina»
    di Guido Olimpio
    Il generale, veterano dei conflitti in Abkhazia, Nord Caucaso e Siria, sarebbe stato ucciso: i media statunitensi non hanno però confermato. In una vecchia intervista aveva spiegato la necessità di stare in prima linea: «Lì vedi, lì distruggi»
    Corrière della sera

    com o domínio da central nuclear os ucranianos perdem metade da sua capacidade energética

  8. Quando ela a 14 de fevereiro afirmou que “Putin não invadiu a Ucrânia”, isso era verdade nesse momento.

    1. A verdadeira política é prever antecipar. Ela jogou no presente sem prever o futuro que já estava programado há muito com as tropas Russas na fronteira. Só não viu quem não quis. Mortágua falhou em toda a linha, só disse asneiras e devia de ter vergonha. Se tivesse ouvido analistas militares talvez tivesse compreendido alguma coisa. Esta menina do Bloco é muito pretensiosa com um ego putinesco do tamanho do mundo.

      Anabela Santos

  9. Covid é uma mentira !!!
    A guerra da Ucrânia é imaginação e alucinação colectiva!!!
    O mundo está paranoico numa espécie de transtorno delirante, penso que devo ser a única pessoa racional que existe a face da terra.

    Maria Adelina

  10. O Bloco de Esquerda não faz parte do governo (nem fará até 2026 por causa das eleições que foram não só desastrosas para os partidos à esquerda do PS mas que também provocaram uma azia enorme à direita portuguesa) criticou Putin milhares de vezes, é contra os vistos gold que foram dados aos oligarcas russos… Mas na mente brilhante do Pedro Correia a culpa é da Mariana Mortágua. Eu nem me rio porque começo a achar que é doença. As melhoras.

    1. Milhares a morrer na Ucrânia, o país a ferro e fogo, mais de um milhão de pessoas a procurarem refúgio no Ocidente, o ex-tenente-coronel do KGB ameaça disparar ogivas nucleares sobre a Europa e vem este idiota anunciar que não se ri…
      Que gente miserável.

      1. Já vai em milhares de mortes? Isso é entre os soldados russos e do lado ucraniano?
        Os refugiados são pela primeira vez principalmente mulheres com filhos pequenos.
        Os conterrâneos que os recebam têm de ter muita cautela, as máfias (calhando algum visto gold) devem estar a esfregar as mãos para arranjar negócios de aluguer de mão de obra barata e até novas casas de alterne que é o que está a dar.

        1. Claro que já vai em milhares de mortos.
          Os primeiros actos de agressão da besta totalitária de Moscovo ao território ucraniano aconteceram em 2014.
          Aí na célula do teu partido nunca vos falaram disto?

  11. Chamberlain queria profundamente evitar outra guerra mundial. Terá sido complacente, naif, terá confundido desejo com a realidade, são questões que podemos colocar, mas o que não queria seguramente era destruir a ordem liberal. Daí que só discordo do teu título Pedro. De resto o BE e os seus dirigentes têm de ser desmascarados e o país precisa que a desonestidade com fazem política seja exposta.
    Fossem as eleições agora e o PS ainda teria mais votos…

    1. Chamberlain foi o último dirigente europeu a perceber os intuitos belicistas e hegemónicos da besta totalitária de Berlim, Paulo.
      Tinha todos os motivos para proceder ao contrário. Pela idade, pelo currículo, pela experiência, pelas funções que desempenhava. Mais que não fosse, bastar-lhe-ia ter dado ouvidos ao que Churchill vinha dizendo desde meados dessa década trágica.

      Também Mariana Chamberlain Mortágua foi a última a perceber o frenesim belicista e terrorista do antigo tenente-coronel do KGB.
      Ouvidas hoje, novamente, as declarações que fez a 14 e 21 de Fevereiro são patéticas. Para dizer o mínimo.

      Alguns talvez suponham que ela deu todo aquele benefício de dúvida à besta totalitária de Moscovo por ingenuidade ou candura.
      Mas tenho dificuldade em chamar-lhe ingénua ou cândida. Algo me diz que ela não é nada disso.

  12. Já por aqui desabafei sobre “culpa” da NATO, EUA e UE e também sobre as causas da invasão do Iraque. Agora será vez dos acordos de Minsk.
    Além de minudências e, sobretudo, falta de calendarização, os acordos de Minsk previam basicamente duas coisas. A Ucrânia asseguraria a defesa de todas as suas fronteiras, isto é, avançaria para as zonas que não controlava, e concederia uma ampla autonomia ao Donbass.
    Todos conhecemos a cartilha que vingou: a Ucrânia não cumpriu. Ora a versão contrária é um pouco diferente mas tem a virtude de ser verdade ou, pelo menos, uma verdade mais completa.
    Como hoje já é genericamente aceite, logo em 2015 Putín enviou forças especiais para o Donbass, forças essas que, municiadas e apoiadas pela Rússia, permitiram aos separatistas opor-se eficazmente ao exército ucraniano, aqui bem reforçado por milícias armadas que não eram nem são flor que se cheire(*) . Despida a farda, nada os diferenciava dos russos do Donbass
    Sendo evidente que os pormenores, o avanço do exército ucraniano até à fronteira e a amplitude prática da autonomia teriam de ser negociados entre o governo de Kiev e os separatistas, o que se passou foi que o governo de Kiev detectando e bem que os separatistas nem sequer tinham autonomia negocial, recusou-se a reconhecê-los como interlocutores credíveis, o que congelou a aplicação dos acordos.
    Faço notar que, durante mais de 5 anos, a Rússia, único país que poderia – por si ou interposta pessoa, p.ex. Lukashenko – ter mediado a execução dos acordos, nunca o fez. A outros não sei mas a mim parece-me premeditação.
    (*) São estas forças, em particular o “batalhão Kazov” depois algumas integradas na Guarda Nacional Ucraniana,
    https://en.wikipedia.org/wiki/Azov_Battalion
    o suporte das acusações de neo-nazis ao governo ucraniano, recorde-se, chefiado por um judeu e que tem um ministro muçulmano. Em particular, são eles ou parte deles ou substitutos deles que estão a defender Mariupol, há dias sem água, electricidade ou comida. Uma defesa heróica, talvez porque sabem que, para eles não haverá rendição. A única opção é a morte, porventura depois de tortura.

  13. Triste é esta gentinha que se faz de coitada mas é privilegiada estar no parlamento a representar o povo.

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