Uma voz contra o relativismo bélico em Portugal


eventhorizon,

Sou insuspeito de nutrir alguma simpatia pelo actual Governo e pelos seus vários elementos – Augusto Santos Silva incluído – mas não posso deixar de aplaudir a sua resposta ontem, no Parlamento, à vergonhosa intervenção do deputado comunista João Oliveira que o Pedro já destacou mais abaixo. Ponderada, eloquente, sem meias-palavras e sem as insuportáveis adversativas que tanta gente usa para tentar “justificar” ou “compreender” a agressão de Putin à Ucrânia. A última frase, lapidar, será sem dúvida um justo e adequadíssimo epitáfio à passagem do ainda líder parlamentar do PCP, não reeleito nas últimas Legislativas, pela Assembleia da República.

(Aliás, nos últimos dias o Governo tem estado especialmente bem, tanto na condenação inequívoca da agressão russa como na solidariedade estendida ao povo ucraniano)

26 comentários em “Uma voz contra o relativismo bélico em Portugal”

  1. É só para inglês ver. Deitaram se com eles desde sempre e só não falam com o Chega. É essa a resposta de um Governo que se diz democrático?…..querem dialogo na Ucrania e cá em casa portam se como o Putin.

    1. Se acha que o Governo não dialogar com um partido da oposição o faz equivaler à forma como Vladimir Putin trata a oposição na Rússia, não tenho absolutamente nada para lhe dizer. Pode ir pregar para outra freguesia.

    2. “É só para inglês ver. Deitaram se com eles desde sempre e só não falam com o Chega. É essa a resposta de um Governo que se diz democrático?…..querem dialogo na Ucrania e cá em casa portam se como o Putin.”

      Precisamente. Parece que não há mal algum no Marxismo-Leninismo em Portugal enquanto em todo o mundo onde passou fez matanças de pessoas dos próprios países – nem inimigos- atingindo milhões em alguns casos.
      Mostra pessoas ligeiras que se indignam pelo que passa pela TV no momento.

  2. Ao “Desconhecido”, sugiro que abra um blogue – é simples e gratuito – para tecer as loas que quiser ao seu querido Putin e para fazer as rezas que bem entender. Eu não tenho a obrigação de o aturar nesta caixa de comentários. Passe bem.

  3. Para evitar ofender, não se lhe pode chamar ao PCP sequer de partido democrático. A versão oficial é que aceitam (apenas) o jogo democrático. Isto não é um detalhe.
    A normalização dos radicais e os cordões sanitários não são para aqui chamados.

    1. Não, não é um detalhe: é utilizar as regras de uma ” democracia ocidental” para a vencer. É gramsciano, apenas. E como último recurso, pois já é uma grande maçada.
      E por isso mesmo talvez o tempo presente imponha, muito que custe à consagrada intelligentsia pós-1945, um cordão sanitário à esquerda. Que, em todo o caso, não acontecerá.

      1. O PCP é uma vergonha por ser o PCP. O Marxismo Leninismo é uma ideia Totalitária.
        Todos indignados por o PCP apoiar a violência à Ucrânia mas nada indignados por o que a violência Marxista Leninista faria aos Portugueses.

        1. Então, como é que é essa?
          Violência na Ucrânia?
          Isto tudo começou por causa da Ucrânia querer uma força militar, a NATO.

  4. “solidariedade estendida ao povo ucraniano”.
    Este governo é conhecido pela solidariedade com o “povo” ucraniano; para ser mais específico, este governo é conhecido pela solidariedade com o cidadão ucraniano assassinado no aeroporto de Lisboa.
    Menos palavras e mais acções é o que se pede nestas alturas.

    1. Para quem está tão preocupado com o caso do “cidadão ucraniano” é curioso que nem seja capaz de o mencionar pelo nome.

      Sim, o Governo esteve horrivelmente mal no caso de Ihor Homeniuk. E este muito bem agora, tanto nas palavras – que podem não ser muito mas sempre são qualquer coisa – como nos gestos de mostrar disponibilidade para acolher cidadãos ucranianos e de simplificar a obtenção de vistos. É perfeitamente possível defender as duas posições.

      Passe o “whataboutism”, claro.

      1. Caro João Campos,
        Não mencionar ou não ser capaz de mencionar são coisas diferentes.
        Não mencionei (mas seria capaz de mencionar) da mesma forma que não mencionei os cidadãos ucranianos assassinados por Putin (esses sou incapaz de mencionar).
        Um assassinato para mim é igual em Kiev ou em Lisboa.
        Subscrevo as suas palavras: “o governo esteve horrivelmente mal no caso de Ihor Homeniuk” e fico por aqui.

  5. Excelente discurso, sem dúvida, e certeiro. Santos Silva, com aquele seu ar mefistofélico quando quer, é capaz de encontrar as palavras mais acertadas para cada situação. E o “epitáfio à passagem de João Oliveira pela AR” é bem adequado.

  6. Muito lindo. Claro que ficaremos sem saber se estas verdades teriam sido ditas se este cavalheiro continuasse a precisar dos deputados do PCP para distribuir tachos aos camaradas e irmãos, como sucedia até há um par de meses. O facto é que o PCP bolça as mesmas barbaridades há 40 anos (na verdade, há 100), ainda que, por volta de 2015, um surpreendente número de pessoas nos tenha tentado persuadir que não.

  7. É extraordinário como as pessoas se indignam por aquilo que o PCP apoia que se faça aos Ucranianos. mas não por aquilo que o PCP faria aos Portugueses.

    Não sabem o que é Marxismo Leninismo e o que aconteceu em todos os sítios onde existiu?

    1. ‘bora atirar com essas tretas agora, dá um jeitão para confundir os ‘não sabia isso’.
      Os avanços civilizacionais que conhecemos só foram possíveis por ter existido a confrontação capitalismo/marxismo-leninismo. Como sempre aconteceu, nas grandes alterações sociais da história foi a confrontação entre os habituais poderosos e as outras classes sociais.

  8. Eu, que tenho um ligeira aversão a este governo e, mais ainda, a um governo de maioria do PS, tenho que concordar que o Governo está a portar-se exemplarmente bem nesta guerra. Contudo, não consigo deixar de concordar com os vários anónimos, ao mencionarem o Chega a ser deixado de fora e a vergonha que é, no Parlamento Português, sentar-se um Partido como o Comunista.

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