Escolho as maçãs uma a uma e só trago as que gosto e me interessam. Deixo lá as outras que não me interessam. Assim também o faz Putin. Vai à História e tira um a um os acontecimentos que lhe interessam e ignora os outros.
“Em 1991, quando mais de 90% de ucranianos votaram pela independência e a URSS se dissolveu, a Ucrânia tinha um terço do arsenal nuclear soviético e o terceiro maior do mundo, bem como a capacidade para produzir tantas armas quanto a Rússia. A Rússia pediu aos países que influenciassem a Ucrânia para aderir ao «Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares» e destruir todo o seu arsenal nuclear, bem como a capacidade de produção de armas nucleares.
Em 1993, um professor de Relações Internacionais da Universidade de Chicago, John Mearsheimer, publicou um artigo que incluía a sua previsão de que uma Ucrânia sem qualquer dissuasão nuclear seria provavelmente sujeita a agressão por parte da Rússia, mas esta era uma opinião muito minoritária na altura.”
Seja como for, a Ucrânia assentiu em destruir as suas armas nucleares com condições. As condições incluíam a garantia de que a Federação Russa se comprometesse a não atacar a Ucrânia. A Rússia concordou e essas condições e garantias ficaram escritas no memorando de Budapeste que foi assinado a 5 de Dezembro de 1994, pelos líderes da Ucrânia, Rússia, Grã-Bretanha e Estados Unidos. O líder da Rússia era Yeltsin, o que lançou Putin como primeiro-ministro. Yeltsin estava lá a sossegar e garantir à Ucrânia que ficasse descansada que nunca os atacariam e Putin foi o seu delfim. Lembro-me bem da assinatura deste memorando.
O memorando tem a seguinte redacção:
“Os Estados Unidos da América, a Federação Russa, e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, saudando a adesão da Ucrânia ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares como Estado não dotado de armas nucleares, tendo em conta o compromisso da Ucrânia de eliminar todas as armas nucleares do seu território dentro de um período de tempo especificado, registando as mudanças na situação de segurança mundial, incluindo o fim da Guerra Fria, que criaram condições para reduções profundas nas forças nucleares, confirmam o seguinte:
1. A Federação Russa, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América reafirmam o seu compromisso com a Ucrânia, em conformidade com os princípios da Acta Final da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa, de respeitar a independência e soberania e as fronteiras existentes da Ucrânia.
2. A Federação Russa, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América reafirmam a sua obrigação de se absterem da ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política da Ucrânia, e que nenhuma das suas armas será jamais utilizada contra a Ucrânia, excepto em legítima defesa ou de outra forma, de acordo com a Carta das Nações Unidas.
3. A Federação Russa, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América reafirmam o seu compromisso para com a Ucrânia, de acordo com os princípios da Acta Final da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa, de se absterem de coacção económica destinada a subordinar ao seu próprio interesse o exercício pela Ucrânia dos direitos inerentes à sua soberania e, assim, assegurar vantagens de qualquer tipo.
4. A Federação Russa, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América reafirmam o seu compromisso de procurar uma acção imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas para prestar assistência à Ucrânia, como Estado parte no Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, se a Ucrânia se tornar vítima de um acto de agressão ou objecto de uma ameaça de agressão em que sejam utilizadas armas nucleares.
5. A Federação Russa, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América reafirmam, no caso da Ucrânia, o seu compromisso de não utilizar armas nucleares contra qualquer Estado parte no Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, excepto no caso de um ataque a si próprios, aos seus territórios ou territórios dependentes, às suas forças armadas, ou aos seus aliados, por um tal Estado em associação ou aliança com um Estado dotado de armas nucleares.
6. A Ucrânia, a Federação Russa, o Reino Unido da Grã-Bretanha, a Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América consultar-se-ão no caso de surgir uma situação que levante uma questão relativa a estes compromissos.
– A França e a China também deram à Ucrânia garantias semelhantes às do Memorando de Budapeste, mas com algumas diferenças significativas. Por exemplo, o compromisso da França não contém as promessas estabelecidas nos parágrafos 4 e 6 acima, de remeter qualquer agressão ao Conselho de Segurança da ONU, nem de consultar no caso de uma questão relativa aos compromissos.
O compromisso da China assume uma forma totalmente diferente, datando de 4 de Dezembro, e lendo da seguinte forma:
O Governo chinês congratula-se com a decisão da Ucrânia de destruir todas as armas nucleares no seu território, e louva a aprovação pelo Verkhovna Rada da Ucrânia a 16 de Novembro da adesão da Ucrânia ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares como Estado não dotado de armas nucleares. A China compreende plenamente o desejo da Ucrânia de garantia de segurança. O Governo chinês sempre defendeu que em circunstância alguma a China utilizará ou ameaçará utilizar armas nucleares contra Estados não dotados de armas nucleares ou zonas livres de armas nucleares. Esta posição de princípio também se aplica à Ucrânia. O Governo chinês insta todos os outros Estados com armas nucleares a assumirem o mesmo compromisso, de modo a reforçar a segurança de todos os Estados não dotados de armas nucleares, incluindo a Ucrânia. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_weapons_and_Ukraine

a Ucrânia teve
Krutchef
Chernobyl
ditado russo
«quem paga manda dançar»
Escolho as maçãs uma a uma e só trago as que gosto e me interessam. Deixo lá as outras que não me interessam.
Depende como você faz isso, mas pode ser uma atuação bastante desagradável para os outros clientes.
Há pessoas que fazem isso pegando em todas as maçãs uma a uma, apalpando-as, sopesando-as, mirando-as por todos os lados, e rejeitando a grande maior parte delas.
As outras pessoas que observam o espetáculo não podem deixar de ficar enojadas com o egoismo patente neste procedimento, e ficam com nojo de pegar nas maçãs que já foram desta forma apalpadas por outrém.
Infelizmente, é um procedimento que observo muito em Portugal, e que ilustra bem a falta de civismo da generalidade dos portugueses.
Não faço nada disso. Vou direita às que gosto só por vê-las e de resto trago as que ninguém quer por já estarem maduras, mas se toco na maçã trago-a.
Os meus parabéns. Acho que fez serviço público com este “post”. pectativa-13727239?thread=106503431#t106 503431
Eu já tinha referido esse acordo em
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ex
mas com duas erradas noções: que tinha sido assinado mais próximo de 1991, e em simultâneo com a Geórgia e a Bielorrússia.
Não valerá a pena chorar sobre leite derramado mas o progressivo afastamento da Europa dos EUA – com culpas nos dois lados – mostrou agora mais das suas indesejáveis consequências. Alemanha em especial, mas também França e Itália, optaram pela geoeconomia em detrimento da geoestratégia e a dependência em relação ao gás russo, foi a consequência.
Mas também os Estados Unidos não estão isentos de responsabilidades. O efeito combinado das sanções económicas ao Irão e à Venezuela, permitiu que os “crudes” da Rússia se tornassem quase indispensáveis para a capacidade de refinação internacional e especialmente, para as refinarias americanas na costa do golfo do México.
Assim as sanções possíveis à Rússia e as previsíveis contra-sanções desta última, terão custos brutais. E, percam-se as ilusões, as piores consequências incidirão nos países mais fracos, e em todos os países, sobre as populações mais carenciadas.
Como diria o Costa que temos, a história explica isso.
Completamente de acordo.
Bem lembrado.
Obrigada.
Quem assinou foi a CEI não a Rússia. A Comunidade já não existe.
Foi a Rússia pós-soviética, que ainda existe. E desde quando os Estados rasgam os acordos da História quando mudam de regime? Se rasgam os acordos históricos, pela mesma ordem de ideias também também rasgam a História e não vêm depois invocar a História para fazer terrorismo nos países vizinhos.
A Ucrânia não se devia ter livrado de uma única arma nuclear. Vejam lá se alguém se atreve a invadir a Coreia do Norte.
De facto, ninguém.