Como é evidente, não faço a mais pequena ideia a que propósito vem este "PS" de Emídio Rangel (que li neste post de Helena Matos, no Blasfémias). Quando o li, ocorreu-me um pensamento engraçado: antigamente alguns jornalistas começavam como "paquetes" – diz-me o dicionário que o termo, no contexto, traduz-se por "moço de recados" (não me parece que os significados aqui sejam "navio de comércio" ou "menstruação"). Não vejo qual é o problema, sobretudo se compararmos com o nosso tempo. Os jornalistas de amanhã são (quase sempre) estagiários não remunerados hoje. Se calhar os "paquetes" de outros tempos ainda ganhavam ao "recado" – o que me faz pensar que a profissão andou para trás, e não para a frente.
Podia ser pior
eventhorizon,

Antes até havia uma categoria, reconhecida pelo sindicato, que era a de candidato a estagiário e que tinha direito a remuneração fixada em tabela. O tempo que se estava à experiência se não me engano não podia exceder os dois meses, período findo o qual a pessoa ou era dispensada ou passava directamente ao primeiro ano de estágio, com correspondente aumemto de salário. No segundo e último ano de estágio o ordenado voltava a subir. Eram, de facto, outros tempos.
Essa observação do Rangel é simplesmente abjecta.
Está ao nível do berbequim.
Começo de “Que Faz Correr Sammy” de Budd Schulberg::
“A primeira vez que o vi, Sammy não podia ter mais do que 16 anos. Era um rapaz franzino, espécie de fuínha, vivo e manhoso. Sammy Glick estava encarregado de levar e trazer material entre a minha secretária e a do chefe de redacção. Mas sempre a correr, sempre com o ar de quem tem sede.
– Bom dia sr. Manheim – cumprimentou ele no dia em que nos conhecemos. – Sou o novo contínuo da redacção, mas não pense que vou aqui “secar” durante muito tempo.
– Não digas “secar” – respondi-lhe – ou então ficarás aqui para o resto da tua vida.
– Obrigado, sr.Manheim. Foi para aprender que aceitei este emprego, sobretudo para lidar com as pessoas que escrevem. E também para aprender gramática e boas maneiras.”