Da Felicidade


André Couto,

Hoje é um dia feliz para a felicidade.

Passará a ser uma palavra mais abrangente, justa e cheia de si olhando nos olhos mais uma minoria sem mudar de passeio. Cresceu-lhe o ego.

Fico feliz por ela e por sentir que vivo numa sociedade que amadureceu libertando-se das teias de aranha do antigamente.

 

 

14 comentários em “Da Felicidade”

  1. A imagem foi mal escolhida: eles nunca se casaram nem pretenderam casar-se um com o outro, mas cada um com a sua…
    Preferiam o fruto proibido – que, como se sabe, é o mais apetecido.

    1. A ideia era jogar com isso. Não foi escolhido ao acaso. Tentei também através da imagem do Ledger afastar os comentários homofóbicos ressabiados que mancham o dia.

  2. Com o devido respeito, caro André, isso parece-me wishful thinking. Sobretudo esta parte:

    “Fico feliz por ela e por sentir que vivo numa sociedade que amadureceu libertando-se das teias de aranha do antigamente.”

    A sociedade não se libertou de coisa alguma. A sociedade – as pessoas em geral – vão continuar por muitos e bons anos a “olhar de lado” para a homossexualidade. Vamos continuar a ouvir os epítetos “paneleiro” e “fufa”. E os homossexuais vão continuar a ter as mesmas dificuldades em se assumir, sobretudo perante as suas famílias quando estas são mais “conservadoras”. Ao contrário do que muita gente parece pensar (e do que muita gente gostaria…), as mentalidades não mudam por decreto, ou por obra e graça da nossa Assembleia.

    De resto, o projecto-lei do PS é muito sacaninha, diga-se de passagem (para não usar palavra pior). Uma união homossexual vai continuar a ser uma união de segunda categoria, visto verem a adopção negada. Eu percebo a estratégia. É salvar um “tema fracturante” para servir de cortina de fumo mais tarde (depois da euforia do futebol, imagino). Como diz o velho ditado inglês, if you can’t dazzle them with brilliance, baffle them with bullshit.

    Sou plenamente a favor de que uma união homossexual tenha os mesmos direitos (do ponto de vista jurídico) que uma união heterossexual (coisa que este “casamento” não vai ter). Se a solução para isso passa por alargar o conceito de casamento, já tenho algumas dúvidas (sobretudo semânticas). De qualquer maneira, espero que tudo isto se resolva depressa. Há outras prioridades (ou devia haver) e, de resto, as pessoas deviam ter liberdade de se “unir” a quem quisesse, sem ter o Estado a meter a colher.

    1. Jonh diz isto: “…as pessoas deviam ter liberdade de se “unir” a quem quisesse, sem ter o Estado a meter a colher.”
      Plenamente de acordo, excepto no facto do Estado não ter de meter a colher.
      Ou seja, se o Estado tem o direito a meter a colher nos impostos (por exemplo) de um cidadão homossexual, o cidadão homossexual não terá também o direito de usufruir de direitos que o Estado concede a cidadãos casados legalmente?
      Se esta lei vem realmente contribuir para a igualdade de todos os cidadãos, só peca por tardia, quer se chame casamento, registo civil, seja o que for, desde que haja realmente igualdade.

      1. Meu caro, não vejo onde é que afirmei o contrário. Como é evidente, um cidadão homossexual deve ter os mesmos direitos que um cidadão heterossexual. O que não deixa de ser irónico: para o PS, um cidadão homossexual pode casar-se, mas não pode adoptar. Ao contrário de um cidadão heterossexual que se case. Pelo que importa perguntar: onde está a igualdade?

        No que o estado não deve “meter a colher” é naquilo que os cidadãos querem fazer. No que diz respeito aos “direitos”, eu por exemplo não compreendo porque um casal (duas pessoas casadas) têm direitos que um solteiro não tem (ou alguém que escolhe não se casar). Por exemplo.

        1. Talvez me tenha expressado mal. Mas estou a concordar com o que diz. Eu faço o que quero, desde que a minha vontade, não colida com a vontade dos outros e não admito que alguém, neste caso o estado, interfira na minha vontade. Mas na sociedade há regras e se vivemos nela, temos que as cumprir.
          E o estado, mal ou bem, tenta disciplinar essas regras.
          E as regras que sejam para todos. Para o melhor e para o pior.
          Mas nisto tudo há uma coisa que é básica e que infelizmente está em desuso.
          RESPEITO. O respeito pelos outros deveria ser um dos princípios de uma sociedade moderna e a nossa, quanto a isso, está pelos dias da amargura. É pena.

      2. Sr. TOZE, pode dizer-nos quais os “direitos que o Estado concede a cidadãos casados”?
        É que sou casado há largos anos e ainda não dei por nada… Pelo contrário, acho que, no tocante ao IRS, só ganhava em ter ficado solteiro.

        1. Há muitos casais, com rendimentos baixos, que têm vantagens, como sabe. Portanto, nas mesmas condições, é legitimo que todos possam ter vantagens.
          Na compra de casa, um empréstimo de um banco sobre um ordenado, baixo, é de certeza recusado, assim, com a junção de dois ordenados, já não serão tantos os casos a recusar.
          E há muitos mais exemplos como sabe.
          Não acha que todos temos de ter as mesmas oportunidades?
          Aqui não se trata de achar bem ou mal, se é natural ou anti-natural, se repugna ou não repugna.
          E olhe que eu até nem sou o melhor exemplo de receptividade neste assunto. Mas há homossexuais. Todos os dias nos aparecem nas televisões. Conheço alguns. Lido com alguns.
          Então porque raio temos de os marginalizar?
          Não é um caso consensual, claro que não é.
          Daqui a uns anos, já é normal e já (quase) ninguém estranha.

  3. Estou contigo, André. Ainda que a discriminação não acabe por causa disso, é um passo importante na igualdade de direitos.
    E espero que se arrume este assunto de vez, para se poder falar agora de outros problemas do país, bem mais abrangentes.

    1. Isto foi apenas uma andorinha, Ana.
      Muito há a caminhar neste campo. Acho que é o primeiro passo para que lentamente as mentalidades mudem e se possa avançar para outras realidades. Acho que a felicidade ainda tem muito para encher.

  4. É pela “igualdade de direitos” que eu também me congratulo. A partir de agora poderão escolher entre casar ou não casar. Quanto ao resto…O tempo dirá.

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