
«Assim como a velha civilização já lá vai, a nova também passará. Pode levar cinquenta mil anos a ser construída, mas vai passar. Todas as coisas passam. Permanece apenas a força cósmica e a matéria, sempre em fluxo, sempre agindo, reagindo e configurando os eternos tipos sociais… o sacerdote, o soldado e o rei. Da boca destes garotos vem a sabedoria de todas as épocas. Uns lutarão, outros governarão, outros ainda rezarão; e todos os restantes vão labutar e sofrer ferimentos enquanto sobre os seus cadáveres sangrentos será criada de novo, e uma vez mais, sempre e sempre, a beleza surpreendente e o esplendor insuperável do estado civilizado.»
Jack London, A Praga Escarlate (1912), pp. 109/110
Ed. Antígona, 2021. Tradução de Ana Barradas. Colecção Livros Vermelhos

Tenho este livro, mas não o li.
É um livro que se lê em poucas horas.
Tenho a certeza de que vai gostar.
Aí está como se descreve o mundo sem ser “o mundo é isto e isto” — sem recorrer a máximas e aforismos como fazem alguns escritores.
Assim é.
Ninguém me tira da cabeça que foi neste livro que Saramago se inspirou para escrever o “Ensaio sobre a cegueira”.
Pode ter sido, Pedro. Até porque Saramago era grande leitor de Jack London.
Mas creio que a maior fonte inspiradora desse “Ensaio” foi “A Peste”, de Camus.