Impressões alemãs (3)


Cristina Torrão,

G-Konstanz 135.JPG

Estacionamento de bicicletas, em Constança, a cidade que deu o nome ao lago de fronteira entre a Alemanha, a Suíça e a Áustria (na Alemanha, o lago chama-se Bodensee).

© 2004 Horst Neumann

 

Constança tem cerca de 85.000 habitantes; Berlim tem quase 3.800.000.

É verdade, em Lisboa inteira vê-se menos ciclistas ao longo de um dia inteiro do que num qualquer cruzamento de Kreuzberg em Berlim. Mas a rede de transportes públicos é péssima. E as pessoas, por defeito, não conhecem alternativas a levar os filhos de carro até ao portão das escolas, públicas ou privadas.

Miguel Szymanski (excerto de crónica no PT-Post, jornal português na Alemanha, nº328, Outubro 2021)

Mas também há bons exemplos em Portugal:

“Não são fotos da Holanda, são da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, onde cerca de 50% dos alunos vão de bicicleta para a escola. Um início forte do projeto BikeUp, promoção para o empreendedorismo”. É assim que uma publicação divulgada a 23 de Novembro, no Facebook, dá conta da grande aposta de uma escola portuguesa no que respeita à utilização de bicicleta por parte dos alunos.

Na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré há 600 lugares para bicicletas e, todos os dias, cerca de 350 a 400 lugares ficam preenchidos pelos transportes de alunos, professores e funcionários, tal como comprovam as fotografias remetidas por António Rodrigues.

Os meus Parabéns ao responsável por este projecto, António Rodrigues!

 

Nota: a fotografia publicada não foi tirada numa escola, mas no centro da cidade de Constança.

19 comentários em “Impressões alemãs (3)”

  1. os portugueses continuam a pensar como Junqueiro
    ‘único veículo em que a besta puxa sentada’
    gosto de línguas com declinações
    nunca percebi porque o lago se chama Boden

        1. Não confundir o lago com a cidade que lhe deu o nome em muitos países estrangeiros (inclusive em língua inglesa), precisamente, depois do Concílio de Constança. Este concílio chama-se assim também em alemão – “Konzil von Konstanz” – porque se deu na cidade de Constança, em alemão Konstanz, a cidade onde a fotografia foi tirada. Mas o lago, em alemão, ou na Alemanha, nunca se chamou Konstanz.

          Segundo a Wikipedia alemã, o nome vem de uma pequena localidade chamada Bodman, que tinha bastante importância, na Alta Idade Média, por lá viver o conde que controlava aquela região.

      1. net / https://en.wikipedia.org/wiki/Lake_Constance
        Konstanz
        Lake Constance (German: Bodensee, pronounced [ˈboːdn̩ˌzeː] (About this soundlisten)) refers to three bodies of water on the Rhine at the northern foot of the Alps: Upper Lake Constance (Obersee), Lower Lake Constance (Untersee), and a connecting stretch of the Rhine, called the Lake Rhine (Seerhein). These waterbodies lie within the Lake Constance Basin (Bodenseebecken), which is part of the Alpine Foreland and through which the Rhine flows.[2][3]

        1. Já agora, uma curiosidade, tirada também da Wikipedia alemã:
          O naturalista romano Plínio, o Velho, em 75 DC, chamou ao lago “Lacus Raetiae Brigantinus”. Isto até lembra a nossa cidade de Bragança! Acontece que a cidade austríaca Bregenz (onde também já estive algumas vezes), era a localidade romana mais importante nas margens desse lago. E o nome romano de Bregenz era “Brigantium”. E esta, hein?

          Já agora, o link, para quem souber alemão e quiser confirmar:
          https://de.wikipedia.org/wiki/Bodensee

          1. E o nome romano de Bregenz era “Brigantium”. E esta, hein?

            Se não fosse a sanha das esquerdas universitárias de apagar o nosso passado celta, romano e visigodo com certeza descobriríamos muito mais afinidades com os povos do norte, quer toponímicas quer patronímicas, tal como linguísticas e de costumes e tradições. Por exemplo, veja-se os cantares chamados Waulking Songs das Hébridas que certamente não são diferentes de muitas canções de trabalho no norte de Portugal registados por Giacometti.

            Mas não, só temos criaturas idiotas e ignorantes a reinvindicar a “herança árabe” de Alenquer. E todos sabemos porquê.

  2. Pois, mas as Gafanhas, no concelho de Ílhavo, são uma zona quase perfeitamente plana. Tal como Berlim, que se situa na grande planície norte-europeia, que vai desde o Golfo da Biscaia até aos montes Urais, é totalmente plana.
    Em zonas assim planas anda-se numa bicicleta normal sem dificuldade nem stresse.
    Em Lisboa há muitas subidas. Só com uma bicicleta elétrica. E essas são muito caras e têm que ser vigiadas para não serem roubadas.
    Ademais, boa parte das casas não tem sítio onde se guarde uma bicicleta.
    Eu não ando de bicicleta porque (1) não tenho sítio onde a guardar em casa e deixá-la na rua está fora de questão, (2) as ruas na minha zona têm montes de subidas íngremes, e (3) são em boa parte empedradas, o que faz uma bicicleta vibrar muito.

    1. as Gafanhas eram os locais onde isolavam os gafos ou leprosos, doença que praticamente desapareceu em meados do séc xx

    2. Ademais, boa parte das casas não tem sítio onde se guarde uma bicicleta.

      Isto é verdade. Eu já pensei arranjar uma bicla eléctrica mas são bastante caras e não me apetece carregar todos os dias um trambolho escadas acima até ao 2º andar já que duvido que uma bicla que não seja desdobrável caiba no elevador. Ando a ver trotinetes, às quais até acho mais piada do que às bicicletas, mas as mais interessantes custam para cima de 600 700 euros e imagino que um bicho destes não dure mais do que um ano ou dois. Acrescentando o passe todos os meses para poder atravessar o rio e completar as deslocações, seria mais ou menos um investimento de 1000 euros/ano

  3. Cultura, transportes públicos, distâncias a percorrer, falta de justiça (se quem para o popó em segunda fila levasse a sério pensavam duas vezes), sedentarismo, protecção excessiva dos jovens, há de tudo um pouco.

    1. De acordo. Muitos pais nem sabem o bem que fazia aos filhos andarem mais de bicicleta (ou a pé). Não é só o exercício físico, é a autonomia, a independência, o poder de iniciativa, o aprender a orientarem-se, enfim, muito mais auto-estima (da boa). Depois queixam-se que os filhos são dependentes e preguiçosos.

  4. Evidentemente, a cultura de andar de bicicleta é lógico ser em zonas planas.
    Por isso vemos junto duma estação de comboios p.ex. em Breda (Países Baixos) milhares de bicicletas estacionadas. Por lá o problema é nas pequenas localidades que há pistas junto dos passeios para piões e não nos apercebemos da aproximação das bicicletas pelas costas.
    Em Lisboa, pondo de parte as zonas altas, temos grandes “corredores” para a utilização da bicicleta. Praticamente desde a entrada da cidade a norte Encarnação ou Estrada de Benfica podemos viajar em terreno plano até à saída da cidade em Belém.
    É, exatamente, nesse “corredor” que podem existir pistas de bicicletas e não cabe na cabeça de ninguém fazer pistas, que julgo não haver, em Alfama, Castelo, Graça, Bairro Alto ou Lapa.

    1. desde a entrada da cidade a norte Encarnação ou Estrada de Benfica podemos viajar em terreno plano até à saída da cidade em Belém

      Não é terreno plano, tanto assim que a Encarnação fica 100 metros mais alta do que Belém.

      E os declives não são assim tão pequenos, mesmo onde há ciclovias. As avenidas Almirante Reis e Fontes Pereira de Melo (e outras) têm, nalguns troços, declives sensíveis.

      Na prática, atualmente as ciclovias servem predominantemente para veículos motorizados, não para verdadeiras bicicletas.

      1. Os declives são realmente difíceis de vencer, para quem avança na idade, mesmo gozando de uma saúde aceitável (eu que o diga). Porém, para quem é jovem e saudável, não representam verdadeiros obstáculos. É uma questão de treino.

        1. Pois. Mas atualmente grande parte da população não é jovem. E as pernas (e não só) perdem muito músculo com a idade (isso não é somente problema da Cristina, é também meu e da generalidade das pessoas). Para pessoas com mais de 50 anos, mesmo declives relativamente inócuos tornam-se um problema. E, atualmente, quase metade da população tem mais de 50 anos.
          É muito fácil pregar a favor das bicicletas quando se tem 20 anos de idade ou quando se vive numa cidade perfeitamente plana, como a generalidade das cidades no norte da Europa são (porque se situam na grande planície norte-europeia). Quando se tem mais de 50 anos e se vive no sul da Europa (que é quase todo montanhoso), as coisas são bem mais difíceis.

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