
Adolfo Mesquita Nunes: «Hoje de manhã, num corredor, encontrei um livro da Flannery O’ Connor pousado numa mesa. Se alguém um dia me quisesse fazer seguir um trilho seria assim, pensei eu, com vários livros, todos da Flannery, a indicar o caminho (os livros teriam de ser repetidos, claro, que ela por cá deixou poucos). Mas não havia mais livros por ali e fiquei à espera para saber a quem pertencia. E não esperei muito até perceber que, afinal, a vida nem sempre é mais interessante do que a ficção: que não, que não conhecia a autora; que não, que ainda não tinha começado sequer; que não, que ainda não tinha nada para dizer.»
Ana Cláudia Vicente: «A suburbanidade é particularmente exasperante e mal paga em dias como o de ontem, que é como quem diz: se há quem sofra com a insularidade, há também quem padeça à simples conta da distância a que vive do lugar onde trabalha, estuda e se entretém. Entre estes arrabaldenhos estão os que pelas mais variadas razões evitam queimar o seu dinheirinho em combustível fóssil, usando habitualmente o comboio, o autocarro e o metro para as suas deslocações. E por razões que desconheço, um dos mais constantes custos da condição suburbana portuguesa é o estar à mercê dos sindicatos ferroviários, para os quais o direito à greve nunca parece ser o último recurso.»
João Carvalho: «O caso do BPN não é aquele que só tem ilibados e que ainda não tem acusados? O caso que tem alguns beneficiados e que tem um país quase inteiro de lesados? Se for, não haverá uma boa notícia por aí que possa aliviar-nos, para variar? A gente tem saudades de sorrir, mesmo que seja só por um dia. Alguma coisa boa?»
Rui Rocha: «Apesar de cair nos paralelismos com personalidades históricas ser tentador (César, Nero, Mussolini ou padrinhos mafiosos), deve reconhecer-se que Berlusconi é um exemplar único e incomparável. Bobo, louco, exibicionista, sórdido, manipulador, incompetente, intriguista, ávido de poder, tudo isto são qualificativos que lhe assentam bem, mas que não descrevem integralmente a sua característica essencial de homem sem qualidades.»

O caso do BPN […] tem um país quase inteiro de lesados
Errado. O BPN era um banco secundário, com relativamente poucos clientes.
Cujo prejuízo está a ser pago por todos os portugueses. Logo um país inteiro de lesados que nem sequer eram clientes.